Cinema

Mensagem de adeus de Christopher Nolan ao seu Batman

Christopher Nolan Carta

Pois é… Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge estreou e trouxe um inevitável — e ÉPICO — fim para uma das trilogias mais bem-sucedidas — e ÉPICAS — do cinema. Com isso, chegou a hora do homem por trás disso tudo, Christopher Nolan, deixar Gotham.

Nolan e sua equipe tiveram um trabalho duro para fazer um dos heróis mais importantes da DC Comics ressurgir no cinema. E conseguiram algo realmente FANTÁSTICO. Produziram uma das melhores sagas de super-heróis já feitas na telona. Depois de Nolan, qualquer um que vier para contribuir com esse rol, vai ter um trabalho árduo pela frente. Porque o que Nolan construiu dificilmente será equiparado.

Muito desse trabalho pode ser encontrado no novo livro The Art and Making of The Dark Knight Trilogy, que conta a história completa por trás dos bastidores e do processo criativo que deram vida aos três filmes do Batman sob o olhar aguçado de Christopher Nolan e sua equipe. O livro já está disponível para venda no exterior — e, sem dúvida é um material indispensável para qualquer fã.

No prefácio do novo livro, Christopher Nolan escreveu uma carta de adeus à série que fez parte da sua vida durante quase uma década. E seu adeus consegue ser tão ÉPICO quanto seus filmes.

“Alfred. Gordon. Lucius. Bruce… Wayne. Nomes que começaram a significar muito para mim. Hoje, estou a três semanas de dizer meu último adeus para esses personagens e ao seu mundo. É o aniversário de nove anos do meu filho. Ele nasceu enquanto o Tumbler estava sendo montado na minha garagem a partir de peças aleatórias de kits. Muito tempo, muitas mudanças. Uma mudança de cenários onde alguns tiroteios ou um helicóptero foram eventos extraordinários para dias de trabalho onde uma multidão de figurantes, demolições de prédios ou muita destruição a metros no ar se tornaram familiares.

Pessoas perguntam se nós sempre tivemos planos para uma trilogia. Isso é como ser perguntado se você planejou crescer, casar, ter filhos. A resposta é complicada. Quando David (S. Goyer) e eu começamos a pensar na história de abertura de Bruce, nós nos divertimos com o que viria a seguir, então voltamos atrás, não queríamos olhar tão intensamente para o futuro. Eu não queria saber tudo que Bruce seria ou não capaz; queria viver isso com ele. Eu disse a David e Jonah (seu irmão Jonathan Nolan) para colocarem tudo que sabiam em cada filme que fazíamos. O elenco inteiro e a equipe deram tudo que tinham no primeiro filme. Nada foi deixado para trás. Nada foi guardado para uma próxima vez. Eles construíram uma cidade inteira. Então, Christian, Michael, Gary, Morgan, Liam e Cillian começaram a viver nela. Christian pegou um pedaço da vida de Bruce Wayne e a tornou extremamente convincente. Ele nos levou para dentro mente de um ícone popular e nunca nos deixou notar por um instante a inconstante natureza dos métodos de Bruce.

Eu nunca pensei que faríamos um segundo filme — quantas boas continuações existem por aí? Por que rolar esses dados? Mas, uma vez que eu sabia onde isso levaria Bruce, comecei a ter vislumbres do antagonista e isso se tornou essencial. Nós reunimos o grupo novamente e voltamos para Gotham. Ela tinha mudado em três anos. Maior. Mais real. Mais moderna. E uma nova força de caos estava surgindo. O mais aterrador dos palhaços, trazido à vida de forma assustadora por Heath. Não pretendíamos poupar nada, mas tinha coisas que não fomos capazes de fazer na primeira vez — um uniforme com pescoço flexível, filmar em Imax. E coisas que ficamos sem coragem — destruir o Batmóvel, queimar o dinheiro do vilão para mostrar um completo desprezo pelas convenções. Nós pegamos a suposta segurança de uma continuação como licença para jogar a precaução ao vento e irmos para os recantos mais obscuros de Gotham.

Eu nunca pensei que faríamos um terceiro filme — existe alguma segunda continuação grandiosa? Mas eu continuei pensando sobre o fim da jornada de Bruce e, uma vez que David e eu o descobrimos, eu precisava ver isso por mim mesmo. Voltamos para o que mal tínhamos coragem de sussurrar naqueles primeiros dias na minha garagem. Nós estávamos fazendo uma trilogia. Eu convoquei todos novamente para outra viagem por Gotham. Quatro anos depois, ela ainda estava lá. Até parecia um pouco mais limpa, um pouco mais elegante. A Mansão Wayne tinha sido reconstruída. Rostos familiares estavam de volta — um pouco mais velhos, um pouco mais sábios… mas nem tudo era o que parecia.

Gotham estava apodrecendo em suas fundações. Um novo mal fervilhava do fundo à superfície. Bruce achou que o Batman não era mais necessário, mas Bruce estava errado, assim como eu também estava errado. O Batman tinha que voltar. Suponho que ele sempre terá.

Michael, Morgan, Gary, Cillian, Liam, Heath, Christian… Bale. Nomes que começaram a significar muito para mim. Meu tempo em Gotham, olhando para uma das maiores e mais duradouras figuras da cultura pop, tem sido uma das mais desafiadoras e recompensadoras experiências que um cineasta poderia querer. Vou sentir falta do Batman. Eu gosto de pensar que ele vai sentir minha falta, mas ele nunca foi particularmente sentimental.”

Se pensar no fim da trilogia e ver o fim da trilogia por si só já nos inspira um misto de contentamento e nostalgia capaz de levar a lágrimas incontroláveis… Ler essa carta verbaliza tudo que certamente estamos sentindo. Porque o sentimento de Nolan é nosso sentimento de fãs, ao ver que toda aquela jornada chegou ao fim. Sim, dá um nó na garganta, um aperto forte no coração, vontade de chorar. Mas, sobretudo, dá orgulho… Orgulho que surge da admiração por perceber o apreço de Nolan por seu trabalho, por ver seu carinho pelo que ele chama de “filho”, concebido como uma das mais puras e nobres formas de arte. Orgulho por saber que Nolan fez tudo com dedicação e respeito… Por si mesmo, pelo Batman e pelos fãs…

E pensar que ele nunca foi particularmente sentimental.

[bb]



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