
Recentemente, surgiu nas internets uma notícia de que um dos filmes da Marvel para 2014 poderia ser Guardiões da Galáxia, um grupo de super-heróis menos conhecido da editora.
E isso é realmente uma surpresa. Até agora, a Marvel fez filmes baseados em seus personagens mais conhecidos, que já estão na cabeça do público, seja através de quadrinhos, seja através de desenhos animados, seja através de outras mídias. Mas Guardiões da Galáxia é algo diferente. Na verdade, acho que até mesmo o fã mais heavy reader de quadrinhos deve ter dificuldade em dizer quem são os membros da equipe atual dos Guardiões. Para o público médio de cinema, significaria quase nada. Ok, em geral, os filmes da Marvel são direcionados aos fãs, mas não é só por causa dos fãs que fazem rios e mais rios de dinheiro nas bilheterias. Logo, essa é uma jogada bastante ousada — e arriscada! — da Marvel.
Mas, enfim, vamos falar um pouco sobre quem são os Guardiões da Galáxia…
Supondo-se que um filme seria baseado nos Guardiões mais contemporâneos, em vez de encarnação original do super-grupo (que teve alguma popularidade nos anos 70, mas não muito além), existem algumas coisas que vale a pena conhecer, a fim de conhecê-los melhor. Sem a mesma representatividade que teve nos anos 70, os Guardiões da Galáxia foram reformulados e modernizados em 2008 — logo, se o grupo for mesmo usado num filme, provavelmente será o grupo mais atual, por isso, vou focar nele.
Os atuais Guardiões da Galáxia surgiram na sequência da saga crossover Aniquilação: Conquista. Nesta saga, a raça tecnorgânica Falange (conhecida por suas aparições contra os X-Men) aproveita-se da tentativa frustrada do Aniquilador de dominar a galáxia — na saga anterior chamada Aniquilação — e conquista o império Kree, isolando-o do resto da galáxia. Para enfrentar a Falange, resta apenas um pequeno grupo de heróis que fica preso dentro do isolamento.
São esses heróis que formam os Guardiões da Galáxia, reunidos sob a liderança do Senhor das Estrelas, um astronauta humano que usa um traje especial e uma espécie de arma elemental (na verdade, duas). Junto com ele estão: Adam Warlock, um humano artificial geneticamente modificado que já teve grandes participações em sagas cósmicas da Marvel; Drax, o Destruidor, um espírito humano que habita um corpo alienígena criado para caçar e matar Thanos; Gamora, uma alienígena super-forte e filha adotiva de Thanos; Phyla-Vell (ou a nova Quasar), a protetora do Universo, filha de Mar-Vell, o Capitão Marvel original e um dos maiores inimigos de Thanos; Groot, uma criatura-planta alienígena; Moondragon, uma humana telepata e telecinética que é membro não-oficial da equipe; e, por fim, Rocket Raccoon, um guaxinim humanóide inteligente que é um exímio estrategista militar, um excelente piloto de naves e um usuário assíduo de armamento pesado. Mas, sim, ele é um guaxinim!
Como dá pra notar, trata-se de um grupo BASTANTE heterogêneo (e peculiar). E vincular esses heróis aos heróis consagrados no cinema — Homem de Ferro, Capitão América, Thor — será algo também BASTANTE difícil, tematicamente falando. Os heróis da Marvel apresentados no cinema atual têm o que, na falta de uma palavra melhor, eu definiria como uma atmosfera mais “aceitável” para o público que acompanha os personagens no cinema, mas não conhece muito dos quadrinhos.
Os Guardiões da Galáxia fogem BASTANTE do convencional, ou do que o público encararia como “aceitável”, afinal estamos falando de um filme estrelado por um guaxinim com foguetes (basicamente). Se a Marvel Studios já andava preocupada em liberar o filme do Homem-Formiga para ser produzido — e olha que é um herói um pouco mais conhecido —, imagina as preocupações que rondariam um filme tão diferente do que vem sendo mostrado nas telonas.
Não é que as sagas cósmicas da Marvel, que seguiram o sucesso dos tempos áureos de Stan Lee e Jack Kirby, fracassaram para seus personagens. Mas eles não ganharam tanto destaque porque eram heróis com super-poderes mais genéricos e sem a mesma criatividade dos pesos pesados da editora, construídos basicamente dentro de uma mitologia interna da Marvel. Eles não eram como os heróis humanizados da época Lee e Kirby, mas seres super-poderosos e aventurescos, mais inspirados nas temáticas da ficção científica que eram muito populares na época. Nos anos 80, a venda destas histórias cósmicas caiu abruptamente e, por isso, seus personagens acabaram passando para o segundo escalão da editora, tornando-se menos difundidos do que aqueles que vemos no cinema hoje em dia.
Porém, existe um ser cósmico que aparece vinculado às histórias de grande parte destes personagens — Thanos, o vilão grandão e roxo que aparece na cena pós-créditos de Os Vingadores. Se lembrarmos da presença do vilão na saga que a Marvel está construindo nos cinemas, torna-se compreensível um filme envolvendo os Guardiões da Galáxia — especialmente, porque a maioria dos heróis do grupo tem alguma ligação com o Thanos.
Levemos em consideração o Loki, que despontou em Os Vingadores. Loki foi um inimigo tão sensacional de acompanhar na tela quanto os heróis que o enfrentavam. Porém, Loki não apareceu do nada; ele foi apresentado anteriormente no filme do Thor e desenvolvido ali para ser o vilão de Os Vingadores.
A aparição de Thanos na cena pós-créditos do filme, certamente, deixou os fãs enlouquecidos — e satisfeitos com as possibilidades futuras. Mas muitas pessoas que não acompanham os quadrinhos ficaram confusas com a referência — muitos até mesmo pensaram que ele era o Caveira Vermelha, do Capitão América. Isso é porque o Thanos é pouco conhecido do grande público. É mais conhecido pelos fãs. Logo, usá-lo em Os Vingadores 2 sem uma introdução prévia poderia deixar um monte de gente colocando placa no cinema. Sendo assim, apresentar o Thanos num filme dos Guardiões da Galáxia poderia dar ao vilão o reconhecimento e o nível de aceitação necessários para torná-lo o grande algoz dos heróis principais da Marvel em Os Vingadores 2 — ou Os Vingadores 3, dependendo do que o estúdio esteja planejando para sua franquia mor.
Da mesma forma, não podemos nos esquecer da famigerada Manopla do Infinito, que já apareceu rapidamente no Arsenal de Odin no filme Thor.
Nos quadrinhos, Thanos é conhecido por ser um tirano que tenta a todo custo destruir o universo em nome de sua veneração à morte. A Manopla do Infinito é a arma que lhe concede o poder de um deus e com a qual Thanos quase apagou o universo. Durante a Saga da Manopla do Inifinto, o vilão é combatido por vários heróis, incluindo os Vingadores.
Porém, a Manopla do Infinito é motivo para vários confrontos cósmicos do Universo Marvel (mais do que qualquer outro artefato) e, na maioria das vezes, colocou o vilão Thanos contra os heróis Adam Warlock ou Mar-Vell — nomes que estão vinculados de alguma forma aos Guardiões da Galáxia.
E isso sem falar em outros possíveis heróis cósmicos que podem ser aproveitados pela Marvel no cinema. O personagem Nova, por exemplo, tem recebido bastante atenção nos quadrinhos atualmente, especialmente por sua aparição na saga Vingadores Vs. X-Men. E ele se tornará inclusive membro dos Vingadores.
É claro que para a Marvel Studios usar grande parte de seus heróis cósmicos seria complicado, pois personagens mais proeminentes como o Surfista Prateado e Galactus estão sob direitos da Fox, junto com o Quarteto Fantástico — e não acho que rolaria uma parceria entre os dois estúdios nesse sentido. A própria Falange, os vilões alienígenas que dão origem aos Guardiões, também não seriam usados, pois provavelmente estão com a Fox, junto com os X-Men.
Ainda não dá pra imaginar ao certo o que vai ser feito desse filme Guardiões da Galáxia. Tudo o que podemos fazer no momento é especular. Mas é um fato que a Marvel tem nas mãos uma ideia que pode expandir de forma inusitada seu universo nos cinemas e ainda trazer algo digno de ficção científica para suas histórias. Seria um universo completamente diferente, mas que tem 50% de chance de dar certo e ainda estabelecer um grande link com Os Vingadores 2.
Não há qualquer razão para acreditarmos num fracasso certo. Não importa que os Guardiões sejam pouco conhecidos; um bom trabalho conceitual em cima dos personagens poderia apresentá-los ao público e torná-los parte do consciente coletivo — afinal, personagens novos e desconhecidos surgem todos os dias no cinema e nem por isso são ruins. Sagas de super-heróis no espaço normalmente têm potencial para o sucesso. Se introduzidos de maneira adequada, os Guardiões podem, sim, render histórias empolgantes no cinema — talvez, uma história muito melhor do que a tentativa fracassada com Lanterna Verde, por exemplo. Sim, pode sair um bom filme deste grupo de super-heróis.
Depois de Os Vingadores, estamos dispostos a acreditar que Marvel Studios sabe o que está fazendo. De qualquer jeito, por enquanto, sabemos apenas que o nome Guardiões da Galáxia foi registrado para uso como filme, o que pode acontecer ou não. Além disso, o nome em si ainda poderia ser usado para denominar um grupo de heróis mais conhecidos, que se chamariam Guardiões da Galáxia, mas não necessariamente teriam a ver com suas versões nos quadrinhos. Não dá pra saber ao certo ainda. Provavelmente, informações mais concretas serão divulgadas na San Diego Comic-Con 2012, que está para começar. Mas, eu, como o fã que sou, acho FODA a ideia de um filme com os Guardiões da Galáxia!



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