




Deu para perceber — e isso ficou claro desde o primeiro filme — que A Era do Gelo é uma daquelas franquias intermináveis. Os filmes não precisam ser excelentes, nem maravilhosos, mas podem fazer milhões deles — de 3 em 3 anos, que seja —, que nós não vamos reclamar, e ainda vão causar impacto — i hope!
A Era do Gelo 4 (Ice Age: Continental Drift, EUA, 2012) não é o melhor da franquia, não chega aos pés do Era do Gelo 3 — em todos os níveis —, mas traz um visual bacana e personagens novos que dão um gostinho especial de sobremesa boa, sabe?!, que não importa qual tenha sido o almoço, você acaba satisfeito no final da refeição. E foi exatamente assim que me senti quando o filme acabou. Não morri de amores, mas gostei. 3 foguinhos épicos.
Obs. Eu preciso parar de fazer analogias com comida nesses textos sobre filmes aqui no Nível Épico. Tá ficando esquisito, pegando mal pro meu lado e ainda tá me convencendo de que é patológico.
Desde o primeiro A Era do Gelo, a gente sabe que o assunto é família. É o tema abordado e eu admiro muito, porque trabalhar personagens de modo que eles se deem bem no final — no sentido família, bando, grupo —, embora haja briga e confusão, o cara tem que ser feliz na química entre eles. E, por incrível que pareça, um mamute, um tigre dentes-de-sabre e uma preguiça (que é o grande alívio cômico do filme) deram MUITO certo! Palmas para os oito criadores do primeiro, além dos roteiristas Michael Berg, Peter Ackerman e Michael J. Wilson (quem assina a história de fato), o produtor Lori Forte e os diretores Chris Wedge e Carlos Saldanha que co-dirigiu.
Vemos o tema familiar ainda menos sutil em Era do Gelo 2, quando entra a personagem feminina Ellie, a mamute que pensa que é um gambá das antigas. É óbvio que os mamutes não se entendem logo de cara e passadas as intrigas básicas, eles acabam ficando juntos. O que era um trio, agora aumentou e muito. A família cresceu e a capacidade de lidar com tanto personagem começa a preocupar, mas não chega a arruinar o ritmo. No entanto, minha expectativa pro terceiro era ínfima. Qual não foi minha surpresa ao constatar que a história da franquia que menos fazia sentido — com dinossauros e um mundo a la Julio Verne — foi a que eu mais gostei e me diverti. Pensando bem, não sei por que me surpreendi tanto com a minha empolgação. Foi de longe o melhor roteiro!
E aí vem o quarto filme da franquia…
Nosso querido Scrat, o esquilinho que só faz besteira, continua com seus problemas patológicos em relação à noz (talvez os mesmos que eu tenho ao fazer analogias com comida, rs), é simplesmente o responsável pelo cataclismo mundial que leva Manny, Diego e Sid a viverem uma aventura. Eles são separados acidentalmente do restante da família; Ellie e a filha Amora, além dos gambás, é claro, e ainda precisam enfrentar uma horda de piratas decididos a impedi—los de voltar para o continente.
Buck, meu personagem predileto da franquia, não voltou — como eu já esperava — e para tentar o grande impacto que ele causou no terceiro filme criaram a avó de Sid, a velhinha engraçada que sempre fala o que pensa, sem medir as palavras e geralmente coisas fora do assunto que está sendo tratado, risos. Mó barato! Ela é divertidíssima e talvez a única coisa que tenha se destacado. A horda de piratas é divertida e tão absurda quanto o grupo do lado do bem, mas a química nem tanto. Gostei da Shira, a tigresa linda e perigosa, e de como a envolveram na trama e fizeram seu personagem crescer…
Achei um pouco forçado o relacionamento de Manny com a filha adolescente Amora; muito clichê e diálogos óbvios que já estamos cansados de ver. Acho que nem as crianças aguentam mais a mesma mensagem. Por falar em criança, definitivamente este é o único filme da franquia voltado especialmente para crianças e adolescentes. Os outros foram mais inteligentes em suas piadas e adultos também se divertiam. Com exceção do esquilo — que é sempre jocoso — e das tiradas boas, porém nada geniais da velhinha, o quarto filme pode não agradar tanto aos mais velhos.
Deu para notar que o elenco trabalhou para que a produção fosse épica; novas tecnologias, filmagem em 3D e blau, mas o roteiro é bem raso e, pra mim, isso inibiu o sucesso dessa tentativa de grandeza. :/ Senti falta da direção de Carlos Saldanha, que vinha crescendo muito desde o primeiro, e com a entrada de Steve Martino faltou criatividade e inovação, que a gente vê, por exemplo, em todos os filmes da Pixar. O tema pode ser o mesmo, muitas vezes, mas a maneira de contar é o que importa e dessa vez A Era do Gelo deixou muito a desejar…
Falei, falei e não comentei sobre a trilha sonora, né?
John Powell fez um trabalho excelente; é conhecido por trazer um som que sempre lembra o tema que está sendo abordado. Tenho muito admiração por ele desde A Outra Face, com John Travolta e Nicolas Cage, lembram? Aquela trilha sonora me acompanha até hoje! LINDA DEMAIS! Foi ele, também, que sintonizou o clima de Shrek, FormiguinhaZ, Rio… Enfim. Ele gosta de características e acabo gostando do resultado como um todo, embora nem sempre as faixas de música atuem de maneira independente ao filme, em outras palavras, que você possa ouvir sem estar acompanhando a história do filme — para fazer sentido. E foi o caso de A Era do Gelo 4. A música depende da imagem, mas garante o sucesso.
Nossa. To parecendo o Alan — escrevendo milhões de parágrafos, rs.
É isso. A família cresce a cada filme, os personagens evoluem, mas se eles continuarem indo nesse ritmo… Os próximos filmes da franquia A Era do Gelo ficarão lotados demais. o.O E haja química… Afinal nem tudo funciona tão bem como funcionou com um mamute, um tigre dentes-de-sabre e uma preguiça.



Comercial de TV estendido para Era do Gelo 4
Trailer de A Era do Gelo 4
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