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Paraísos Artificiais

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Paraísos Artificiais (2012) é um filme que não se prende a consensos ou linearidades para contar a história de pessoas tentando desesperadamente fugir das decepções da vida, escondendo-se atrás da falsa felicidade normalmente trazida por drogas ou prazeres carnais.

A narrativa não-linear é conduzida pela história de amor de Nando e Érika, dois jovens que passam por inúmeros encontros e desencontros num universo de grandes raves e festivais de música eletrônica, enquanto tentam encontrar seu espaço no mundo.

Ambientado nos anos 2000, o filme começa em Amsterdã, para onde Nando (Luca Bianchi) viaja com seu amigo Patrick (Bernardo Melo Barreto), e onde conhece a DJ Érika (Nathalia Dill); depois disso, a história volta no tempo para contar como os caminhos desses jovens se encontraram pela primeira vez, numa rave na beira do mar, onde Érika estava com a amiga Lara (Lívia de Bueno), e onde Nando também estava com Patrick.

Marcos Prado, conhecido pelo documentário Estamira, faz sua estreia na direção de uma ficção de forma ousada, com um filme repleto de cenas de nudez, sexo e consumo de drogas. O longa explora os caminhos de uma juventude que busca felicidade e contemplação em experiências passageiras com drogas, música eletrônica e relacionamentos livres. Porém, Prado tenta ser o mais distante e imparcial possível, como alguém que acompanha tudo de fora e não tece julgamentos. Paraísos Artificiais evita moralismos, apenas apresenta escolhas, sensações e consequências.

Então, tudo é mostrado como que impulsionado por alucinógenos, de forma lenta e entrecortada por idas e vindas no tempo, sem concatenação plena de ideias. Isso pode até parecer um problema, mas não é. Na verdade, serve ao propósito da história e ao conceito de paraísos diferentes sendo explorados por mentes incertas. Cada ponto de vista reflete uma idealização de existência, um paraíso artificial.

Mas se por um lado, o filme é ousado, por outro, peca por distanciar-se demais, às vezes mostrando apenas a visão estereotipada comum exatamente àqueles que se mantêm distantes. Ainda que as atuações do elenco, especialmente da Nathalia Dill, sejam excepcionais, os personagens em muitos momentos carecem de profundidade. É nesse ponto que o vai e volta da edição deixa transparecer um ponto fraco, não por ser um recurso mal utilizado, mas por tornar superficial uma história que nitidamente pretendia ir além. E o final deixado em aberto, na verdade, tenta explicar direitinho o que não precisava de explicação, que exigia apenas um pouco de atenção e percepção.

Ainda assim, Paraísos Artificiais vale a pena pelos acertos. É bonito e tecnicamente impressionante, quase poético em sua narrativa. Baseado no livro homônimo do francês Charles Baudelaire, o longa não foge muito daquilo que é basicamente viver. Pessoas frustradas que procuram meios para escaparem de suas frustrações, de serem livres, felizes, e que normalmente encontram essa tal felicidade somente quando extravasam seus desejos mais primitivos, sensações que podem parecer liberdade a primeira vista, mas que muitas vezes são frutos de ilusões.

De fato, o filme apresenta vários mundos, como se fossem as várias esferas do Paraíso de Dante Alighieri (ou talvez os vários círculos do Inferno), que avançam cheios de vitórias e castigos, prontos para se cruzarem num admirável mundo perfeito onde somos supostamente imbatíveis. Só que não somos. A vida transita por esses vários paraísos e infernos sempre cobrando seu preço. É quando tudo se perde em falsos devaneios de alegria. Mas é quando caímos, que aprendemos, levantamos e continuamos. É quando talvez, enfim, nosso paraíso torna-se menos artificial.

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  • Leandro Eiró

    Parabéns companheiro, está escrevendo muito bem, atingindo a excelência no seu ofício.

    Li esta porque devo ver o filme amanhã. Assimilei todos estes pontos de vista para ver se os reeencontro amanhã vendo o longa.

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