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Os Vingadores

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A mitologia dos super-heróis no cinema nunca esteve tão próxima de um apogeu quanto agora. Ao longo de décadas, a luta entre o bem e o mal foi sendo construída sobre páginas e lendas dos clássicos em quadrinhos. No cinema, apenas recentemente essas lendas encontraram seu espaço. Mas ainda faltava um verdadeiro panteão de super-heróis.

Você deve estar se perguntando o que mais eu poderia ter para falar sobre Os Vingadores, afinal não poupei palavras nos especiais “sem spoilers” e “com spoilers” do filme. Eu digo que aquilo foi só o começo.

Há muito que falar sobre Os Vingadores (The Avengers, 2012).

Sobretudo, há muito que admirar e aplaudir.

Não foi fácil ver os anos passando e os heróis cada vez amargando mais falhas nas telonas. Demorou muito até termos filmes realmente valorosos. E, mesmo assim, ainda ansiávamos por algo mais. Muitos acreditavam que a DC seria a responsável por saciar tais anseios. Muitos esperavam pela Liga da Justiça, mas a reunião dos heróis quase deuses da Distinta Concorrência não veio.

Então, a Marvel fez sua jogada. Foi esperta, ousada. Tramou durante anos a fio, linkando cada um de seus maiores heróis a um projeto maior, a uma reunião maior. E conseguiu o que poucos acreditavam ser possível. Criou o MAIOR ÉPICO DE SUPER-HERÓIS do cinema!

E para conduzir tantos egos e tantas divindades sobre um único pedestal, um homem foi chamado, o homem por trás do mito, o sujeito que transformou em realidade esplêndida o maior desejo de dois entre cada três nerds do mundo e não mediu esforços para que tal realidade fosse aceitável e digna daquilo que estes mesmos nerds conheciam pelos quadrinhos e pelas próprias histórias cinematográficas. Joss Whedon conseguiu! ELE É O CARA!

Whedon fez cada minuto dessa longa espera valer a pena. Não foi ele quem começou, mas, sem dúvida, foi ele quem terminou com honras. Desde aquela pequena cena pós-créditos no final de Homem de Ferro, lá em 2008, estava sendo difícil manter as expectativas baixas. Era um fato que podia fracassar feio e muitos temiam isso — alguns, mais descrentes, ainda temem. Mas não tinha como dar errado. A Marvel agia com cautela. E tinha Joss Whedon no comando. Se alguém podia fazer isso era ele.

Por que não confiar no Joss Whedon? Ele tem no currículo Buffy – A Caça-Vampiros, uma das séries de televisão mais sensacionais já feitas; o spin-off Angel, que era tão bom quanto Buffy; a ficção científica Firefly e o filme Serenity; e, nos quadrinhos, Whedon foi o cara que mudou e revolucionou os X-Men, quando começou a escrever a fantástica Astonishing X-Men. Experiência, ele sempre teve bastante. Mas, acima disso, Whedon sempre teve qualidade narrativa, habilidade para sequências de ação, bom-senso para dilemas emocionais e uma capacidade impressionante para elaborar diálogos geniais. E tudo isso está em Os Vingadores.

Joss Whedon não somente produziu o melhor filme de ação com super-heróis já imaginado, como, de alguma forma, ele conseguiu fazer um filme de Joss Whedon. Os Vingadores tem a cara de seu diretor em cada parte, em cada detalhe. É inteligente, engraçado, dinâmico e dramático, e ainda tem todas as sacadas de um bom filme de ficção científica. A forma narrativa e os clichês estão todos lá. Alienígenas supremos invadindo a Terra e forçando a reunião de um grupo nada ortodoxo de super-heróis não é exatamente novidade. Os três primeiros episódios do antigo desenho animado da Liga da Justiça — que depois virou Liga da Justiça Sem Limites — usou essa ideia como base para reunir seus protagonistas. O que importa aqui é a forma como as coisas são articuladas por Whedon. Como os heróis são tridimensionais e carismáticos. Como as peças se encaixam pouco a pouco. Como tudo culmina num final épico. COMO OS VINGADORES CONSEGUE SER FODA!

Até mesmo os maiores desafios, o cineasta conseguiu superar. Mesmo com seis personagens principais, um grande vilão liderando um exército e um luxuoso elenco de apoio, Os Vingadores manteve um nivelamento. Cada personagem tem suas próprias habilidades e competências e são devidamente explorados por isso. Cada um ganha igual destaque dentro de seu escopo narrativo. Não há personagens ou coadjuvantes subaproveitados. Todos ali têm uma razão de existir. E todos têm seus momentos para brilhar. Mesmo os heróis mais proeminentes, por mais expostos que sejam na tela, não ofuscam aqueles que estão chegando agora. Whedon conseguiu também conter todos os enormes egos e direcioná-los em prol do todo. Isso sim é MUITO impressionante.

Os Vingadores é melhor até mesmo do que você ou eu, simples espectadores, seríamos capazes de esperar. As cenas de ação frenética estão lá para arrepiar cada milímetro da espinha. Os embates entre personalidades e dramas pessoais também estão lá, ora melancólicos, ora engraçados, ora porradeiros. Porém, há muito mais. O mais importante na escolha de Joss Whedon para a direção é que, além de cineasta, ele é um fã de quadrinhos, e sabe o que ambos os tipos de público querem ver num filme de ação desse calibre. E ele usa todo o conhecimento que possui acerca deste universo para nos surpreender a cada minuto, seja com uma piada, seja com uma reviravolta, seja com uma imagem, seja com uma música. Whedon mostra-se não só um escritor sagaz, mas também um diretor de primeira linha. Não há dúvida que esse idolatrado nerd garantiu seu lugar num panteão — o dos cineastas icônicos de Hollywood.

Com todo o cenário armado de maneira tão propícia, acompanhamos maravilhados a reunião dos MAIORES HERÓIS DA TERRA.

O planeta está sob ataque de forças alienígenas lideradas pelo deus Loki (Tom Hiddelston, cada vez mais impressionante e perturbador no papel). Para impedi-lo, o diretor da S.H.I.E.L.D., Nick Fury (Samuel L. Jackson, sempre fodão e de tapa-olho) convoca um grupo de heróis que possa lidar com uma ameaça tão grande. Essa premissa básica leva a todo o resto. Como de praxe nos quadrinhos, cada vez que dois ou mais se encontram, a porradaria rola solta. E é assim que os membros da Iniciativa Vingadores vão se conhecendo. Temos o gênio, playboy e filantropo numa armadura robótica Homem de Ferro (Robert Downey Jr., perfeitamente fanfarrão como sempre), o irritado deus do trovão Thor (Chris Hemsworth, colírio pras meninas 1), o super-soldado Capitão América (Chris Evans, colírio pras meninas 2), o incrível Hulk (Mark Ruffalo, seco e transtornado na medida certa para o personagem), o excepcional atirador Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e a super-espiã maravilhosamente linda e gostosa Viúva Negra (Scarlett Johansson, maravilhosamente linda e gostosa… e ruiva).

Todos são indivíduos com identidades absurdas, egos inflados e sérios problemas com autoridade. As circunstâncias, aos poucos, vão minando espirituosamente a tempestade de interações entre eles, dando lugar aos laços de companheirismo necessário para o trabalho em equipe de um grupo como esse. As intenções do filme são simples e claras nesse ponto. Os Vingadores é sobre HEROÍSMO, nada mais. É um filme de ação feito principalmente para divertir e agradar aqueles que acompanharam a trajetória solo de cada um desses heróis até aqui. O egocentrismo fica por conta dos personagens da história, não do filme em si. Os Vingadores é ambicioso, sim, mas não tenta voar mais alto do que seu próprio Homem de Ferro (você vai entender quando ver o filme). E até por isso mostra superioridade.

Então, os heróis enfim unem suas forças e tomam posições para enfrentar os inimigos, com toda a cidade sendo devastada pelo exército alienígena e por naves gigantescas em forma de serpentes. E a ação a partir desse ponto é extremamente divertida. Ação de verdade. Ação de tirar o fôlego. Ação em toda a epicidade que eu sempre imaginei numa história desse porte com todos esses heróis juntos. AÇÃO FODA DEMAIS.

Tudo isso trabalhado como um verdadeiro espetáculo nas telas, que pode ser ainda melhor aproveitado em 3D. Ou em IMAX. Ou em IMAX 3D. Você entendeu.

No final dos créditos, ainda somos presenteados como uma cena DE EXPLODIR DE CABEÇAS que abre espaço solene para a já imensamente esperada continuação. Sim, que venha Os Vingadores 2.

Os Vingadores é o filme de super-heróis supremo, ULTIMATE. É um espetáculo absoluto, no qual é mais fácil mergulhar e se perder do que encontrar problemas ou falhas que não farão qualquer diferença ante o PODEROSO resultado final. Os Vingadores já faz parte da história do cinema. Finalmente surgiu um grupo de heróis para preencher a lacuna.

Durante anos, assistimos às batalhas de heróis solitários contra vilões poderosos. Não importava o quão formidável fosse o inimigo, nós sabíamos que nossos heróis salvariam o dia no final… sozinhos. Mas a mitologia mudou. Para melhor. Perigos extremos por vezes exigem medidas desesperadas. E quando o inimigo é muito superior, um único herói pode não ser a solução. Uma união se faz necessária. E assim foi. Homem de Ferro, Capitão América, Thor, Hulk, Gavião Arqueiro e Viúva Negra. São esses os super-heróis de uma nova geração.

DE UM NOVO PANTEÃO.

Avante, Vingadores.



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  • http://www.tvabordoblog.blogspot.com warlen pontes

    Bacana ler suas críticas. Elas têm fundamento, conteúdo e bom humor. Sucesso cara!

    • http://www.nivelepico.com/ Alan Barcelos

      Obrigado!

  • Gregory

    Vc foi perfeito no seu texto cara!Fui totalmente conteplado por ele.
    Com certeza Os vigadores criou um marco no cinema.
    Agora gostaria de sua ajuda para identificar o vilão qeu surge nos ultimos segundos do filme.Era o caveira vermelha?

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