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Pequeno Irmão

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Pequeno Irmão

Apesar dos grandes sucessos editoriais dos últimos anos, a literatura infanto-juvenil (ou Young Adults, em inglês) ainda é vista como algo menor no mundo literário. Mas como todo preconceito, esse está aí para ser derrubado, e exemplos não faltam que tramas para jovens podem sim ter conteúdo significativo. E se a boa ficção-científica é aquela que projeta reflexões sobre o presente numa especulação tecnológica, então, seja como YA, seja como FC, Pequeno Irmão (Little Brother, 2008), de Cory Doctorow, é um livraço!

No livro, lançado pela Galera Record, conhecemos Marcus, ou w1n5t0n, um adolescente de 17 anos morador de São Francisco, Califórnia, que possui habilidades hackers e é viciado em games. Quando a cidade em que vive sofre um ataque terrorista, ele e seus amigos são pegos no lugar errado e na hora errada. Preso e interrogado pelo governo norte-americano sem saber do que é acusado, ao conseguir a liberdade, Marcus percebe que os políticos estão se aproveitando do medo da população para tolher suas liberdades. Resolve então que fará tudo ao seu alcance para evitar que tal situação permaneça assim.

Doctorow é um dos grandes papas da tecnologia atual. Jornalista, coeditor do blog Boing Boing e militante dos direitos cibernéticos, ele sabe muito bem do que está falando. Os mesmos “brinquedinhos” que tornam a comunicação humana cada vez mais fácil é, ao mesmo tempo, assustadoramente violadora de nossa privacidade. Juntando-se a isso o medo permanente de qualquer coisa, seja terrorismo, seja pedofilia, o crime, enfim tudo pode ser motivo para que abramos mão de nossa vida privada de uma maneira inimaginável para nossos antepassados.

A solução, segundo o autor, não é deixar de lado toda essa tecnologia, até por ser impossível a História (com “H” maiúsculo) andar para trás. O que nos resta é saber usá-la a nosso favor. Abrir mão da liberdade em nome da segurança na verdade não nos torna nem um pouco mais seguros, resultando mais em abusos de autoridade do que em realmente resolver os problemas a que se propõe.

Toda esta visão de mundo na verdade serve como base para uma aventura emocionante, com reviravoltas de tirar o fôlego. Este é o tipo de livro que sempre te deixa curioso, com vontade de ler mais uma página, e outra, mais outra, e quando o leitor percebe leu fácil 100 páginas ou mais. Doctorow é habilidoso com seus personagens, criando empatia e identificação com seus protagonistas. Acompanhamos a jornada de Marcus ao mesmo tempo política e pessoal, onde ele descobre o amor, a como defender suas ideias e se organizar politicamente.

A referência explícita no livro a 1984, de George Orwell, é certeira e ao mesmo tempo elegante. O Big Brother orwelliano se atualizou, e deixou de ser bicho papão para se tornar campeão de audiência na televisão. O inimigo mudou, se atualizou, tornou-se mais sutil e perigoso. Tem agora o rosto de um amigo, mas a intenção permanece a mesma. É entendendo o mundo em que vivemos, não com velhos discursos surrados, que poderemos combatê-lo e evitar seus abusos. E por isso, apesar de aparentemente ser uma aventura de adolescente, Pequeno Irmão mostra-se antenado ao que ocorre a sua volta, tornando-se uma leitura relevante para todas as idades.



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