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Titanic 3D

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Titanic (1997) é uma das maiores obras-primas já produzidas no cinema, inspirada no grandioso navio que afundou no Atlântico Norte nas primeiras horas da madrugada de 15 de abril de 1912, matando cerca de 1500 das 2200 pessoas a bordo. É conhecido até hoje como o pior naufrágio da história. Logo, um filme sobre tal tragédia tinha que ser inesquecível. E foi!

Agora, em 2012, Titanic volta aos cinemas em 3D, exatamente quando a história do naufrágio completa 100 anos. É uma homenagem, sem dúvida, um retorno saudosista a uma experiência que marcou a vida cinematográfica de muitos (como eu) lá pelo final dos anos 90.

Você deve estar se perguntando se o 3D vale pena. Sim, vale MUITO a pena! Ainda nos anos 90, Titanic havia sido planejado para usar a tecnologia, que na época não tinha o potencial que tem hoje. Mas o diretor James Cameron era um visionário e já imaginava as possibilidades. Construiu sua obra tendo isso em mente. Na época, as salas de cinema também não tinham o preparo que têm hoje. Então, os anos passaram, Cameron produziu Avatar (que já estava sendo pensado quando Titanic estreou) e concebeu a tecnologia 3D como é usada atualmente. Ou seja, estamos falando de James Cameron aqui… é óbvio que Titanic em 3D ficou ainda mais fantástico do que já era!

Mais do que tudo, Titanic foi feito para ser visto no cinema, na tela grande… e, nesse caso, quanto maior, MAIS IMPRESSIONANTE é a experiência! Ou seja, se puder, assista em IMAX… é lindo!

A volta do filme às telonas tem seu valor não só como homenagem ou como resgate de um tipo de cinema que não se vê muito hoje em dia, mas também porque concede uma chance à nova geração de assistir a esse clássico no cinema. Na própria exibição em que eu estava tinha uma menina nova que só tinha visto Titanic na televisão, nunca no cinema. E ela tinha adorado! Eu mesmo, que vi no cinema cinco vezes e mais umas oito na televisão, estava fascinado por repetir novamente a experiência de tantos anos atrás.

No fim, Titanic é muito sobre essa simples sensação de estar apaixonado.

Por isso, naturalmente, o retorno do filme também é uma oportunidade de falar sobre ele. É o momento ideal de falar do presente e relembrar o passado. Porque essa atmosfera de nostalgia também faz parte do RMS Titanic.

Assistir a essa história é como embarcar numa viagem pelo tempo e é o mais próximo que provavelmente vamos chegar do convés do transatlântico há muito perdido. Meticuloso nos detalhes, grandioso em extensão e ambição, Titanic é o tipo de evento cinematográfico que, como eu disse antes, tornou-se raro hoje em dia. Não foi um filme para ser simplesmente assistido, mas sim vivenciado, especialmente pela forma como começa, numa espécie de documentário que nos leva à sepultura do navio, mais de dois quilômetros abaixo da superfície.

Há ainda o inteligente uso de imagens documentais verdadeiras na construção do cenário da história. Cameron chegou ao ponto de levar sua equipe ao local do naufrágio para fazer sua própria filmagem. As tomadas embaixo d’água que aparecem na abertura aumentam ainda mais a credibilidade da história. Eu admito que em 97, eu saí do cinema querendo saber se o Jack e a Rose tinham realmente existido.

Já naquela época, Cameron aspirava à grandiosidade com produções que abusavam da técnica como Aliens, O Segredo do Abismo, Exterminador do Futuro 2 e True Lies. Cada um desses filmes foram aperfeiçoando o processo de efeitos visuais do cineasta até atingir o ápice que foi Titanic em 97. Cameron simplesmente recriou o lendário navio em toda sua magnificência, de tal forma que mesmo hoje é difícil separar na tela o que real do que não é. O cineasta construiu algo totalmente novo, elaborou uma ode trágica e foi extremamente bem-sucedido. E anos mais tarde, ele se aperfeiçoou mais ainda com Avatar. É por isso que confio nele!

Claro que os efeitos especiais sozinhos jamais sustentariam o sucesso de um filme. O que marcou Titanic foi a história envolvente repleta de personagens interessantes. Cameron sempre foi de colocar seus personagens acima de suas maravilhas tecnológicas. Com Titanic não foi diferente. O diretor usou os efeitos visuais para servir ao roteiro, não o contrário. O momento do naufrágio é um espetáculo a parte — especialmente visto em IMAX 3D, acredite é SENSACIONAL! —, mas o núcleo formado pelo casal principal é o verdadeiro espetáculo da história.

Titanic é uma impressionante mistura de gêneros que deu certo. Romance, aventura, drama, suspense, tudo impulsionado por momentos de humor despretensioso, paixão, tragédia, intensidade e beleza. Os personagens tornam-se na trama quase tão lendários quanto a lenda do navio, mas ainda assim são apresentados com humanidade e nuances de personalidade que despertam nossa empatia. Eles são críveis… tridimensionais.

Quem nunca quis ter uma Rose ou um Jack na vida?! Cameron nos deu ainda a capacidade de sonharmos com uma idealização de seus personagens. Não é qualquer um que faz isso. O diretor recriou toda a catástrofe em toda a sua grandeza e, mesmo assim, em nenhum momento, o evento diminui ou apaga seus protagonistas. Durante toda a tragédia, nós acompanhamos apreensivos e nos preocupamos com o destino de Jack e Rose.

O enredo, na verdade, não começa em 1912, mas nos tempos modernos, com a expedição liderada por Brock Lovett (Bill Paxton), um caçador de recompensas que está procurando um diamante lendário, o Coração do Oceano, que supostamente afundou com o navio. Depois de ver uma reportagem sobre a missão de resgate, uma mulher de 101 anos (Gloria Stuart) entra em contato com Brock dizendo ter informações sobre a joia. Ela é Rose DeWitt Bukater, sobrevivente da tragédia, que mudou de nome após o naufrágio e, por isso, viveu desconhecida até aquele momento da vida. Mas, ao encontrar com o caçador de recompensas, ela revive o passado e nos apresenta uma das mais bonitas histórias já contadas, uma história capaz de derreter até os corações mais frios, como faz com o próprio Brock no final.

Assim, chegamos ao dia da partida do Titanic, rodeado de pessoas e expectativas. A bordo estão a própria Rose (Kate Winslet), uma jovem mulher presa a um noivado sem amor por causa de motivos financeiros da mãe; Cal Hockley (Billy Zane), o noivo rico e inescrupuloso; e Jack Dawson (Leonardo DiCaprio), um artista pobre que ganhou seu bilhete de terceira classe em um jogo de poker.

Jack e Rose são extremos opostos, um é livre e solto como um pássaro, enquanto a outra vive presa numa gaiola cujas grades são as supostas convenções sociais do meio supostamente nobre em que está inserida. Jack surge para libertá-la destas amarras. Sempre despreocupado, ele não tem medo de se jogar nas coisas e deixar a vida levá-lo. Aos poucos, Jack e Rose se aproximam e ficam mais íntimos. E, enfim, ela aprende a se jogar também. Não é uma história inovadora. É um clichê clássico, um clichê, aliás, bastante comum na vida cotidiana. Não é fácil se deixar levar pela vida com todas as coisas que nos preocupam no dia-a-dia. Mas tal sentimento de liberdade é tão necessário quanto as preocupações. Jack e Rose expressam o caminho do equilíbrio entre ambos. E, por isso, são ainda mais adoráveis juntos.

Enquanto o relacionamento dos dois caminha, vamos conhecendo algumas outras peças da trama como a mãe de Rose, Ruth (Frances Fisher), que não aprova as atitudes da filha, e a inafundável Molly Brown (Kathy Bates), uma emergente na nobreza que ajuda o casal e que foi inspirada numa sobrevivente do naufrágio real. Então, quando as consequências do triângulo amoroso entre Jack, Rose e Cal atingem um limite, o Titanic bate num iceberg e o “inafundável” navio começa a afundar — na época, o RMS Titanic foi alardeado como sendo um navio inafundável e tornou-se uma prova irrefutável do quão perigoso pode ser a prepotência humana.

Ao manter o foco em Jack e Rose, James Cameron evitou uma falha comum aos filmes sobre desastres épicos: muitos personagens e muitas subtramas. Em Titanic, o casal protagonista é o foco do início ao fim, não há desvios. Os coadjuvantes estão ali como apoio e apenas isso. Essa sagacidade narrativa é também o maior mérito do filme.

E para os papéis de Jack e Rose, o diretor ainda escolheu dois dos melhores atores jovens da época. Leonardo DiCaprio conseguiu ser charmoso e cheio de energia na medida certa para estabelecer seu personagem como herói. Kate Winslet teve uma de suas melhores atuações no cinema, com um misto invejável de beleza e vulnerabilidade. A química entre os dois foi perfeita. Tanto que a cena do beijo na proa do navio é uma das mais tocantes cenas de beijo que eu já vi. Não é à toa que se tornou icônica.

Soma-se a tudo a capacidade dos efeitos visuais, especialmente durante a última hora, quando enfrentamos a agonia de ver o navio afundando. O filme funciona não apenas como uma corrida perturbadora para fugir dos corredores inundados do navio, como também é uma prova da capacidade do cinema de simular a realidade, já naquela época. As sequências do Titanic naufragando estão entre as mais maravilhosas já feitas, com níveis de detalhes de pasmar qualquer um. E visto em 3D, tais efeitos ficaram ainda mais grandiosos — eu ainda destaco duas cenas onde o 3D mostra todo o seu potencial no filme: quando aparece a sala de máquinas com os pistões trabalhando e quando a parte traseira do navio ergue-se da água. É realmente de bater palmas o que James Cameron conseguiu fazer em Titanic usando um 3D convertido!

Para completar, Titanic ainda tem uma trilha sonora apaixonante, que embala agradavelmente o romance entre os protagonistas. Não só isso, somada a tristeza dos acontecimentos, também causa certa melancolia, desperta emoções como só um bom filme é capaz de despertar. A canção My Heart Will Go On, da Celine Dion, adequa-se perfeitamente a história. Muitos sempre criticaram a música, principalmente porque nos anos 90 não havia MP3, nós escutávamos rádio com mais frequência e a música foi tocada a exaustão por quase todas as rádios da época. Sim, o excesso saturou. Mas, ainda é uma música bonita, que inspira a paixão do filme.

Como eu disse antes, Titanic é sobre paixão e estar apaixonado, sobre fazer de tudo por essa paixão. Não só paixão entre um homem e uma mulher, mas paixão pela vida, por vivê-la. Titanic não é só memorável pelo estilo e exuberância de sua execução. É memorável pelo que representa, pelos sentimentos que inspira. É preciso ser muito frio ou esnobe para ficar alheio a Titanic. E, de fato, talvez seja um outro bom motivo para o retorno do filme aos cinemas. O mundo hoje é muito frio e precisa de um pouco mais de calor, de paixão… precisa que as pessoas se joguem um pouco mais em suas paixões.

Se você pular, eu pulo, lembra?!

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  • http://www.cinemaemserie.com.br Beto Menezes

    Fala aí Alan Barcelos e gostei muito da sua crítica embora não goste tanto do filme quanto você. Sei lá, acho a história piegas demais, mas a técnica visual e artística do Cameron é indiscutível. E sim, um filme desse naipe pede pra ser visto em IMAX. Site muito legal cara, sucesso !

    • http://www.nivelepico.com/ Alan Barcelos

      Obrigado! XD

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