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Heleno

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Heleno de Freitas era um homem controverso. Um ídolo do futebol, tempestivo em campo e um lorde fora dele, um jogador cuja história, cheia de conquistas e tragédias é contada no filme Heleno (2012).

O longa, baseado no livro de Marco Eduardo Neves, apresenta o homem por trás do mito, o jogador que foi referenciado nos anos 40 e que se tornou aclamado no time cuja camisa vestiu por anos, o Botafogo.

Parte do tratamento dado a personalidade de Heleno, ao mesmo tempo em que homenageia o Botafogo, faz também uma crítica aos bastidores do futebol, sempre tão mais preocupados com o dinheiro do que com a vitória ou com o time – e naquela época havia um glamour diferente ao redor do futebol, um glamour que hoje em dia parece ter se perdido ainda mais em detrimento da grana que rola fora dos gramados.

Dirigido por José Henrique Fonseca, o filme tenta lançar um olhar não somente sobre o personagem, mas também sobre o que ele representava. Sim, porque ele era encrenqueiro como Edmundo, fenomenal como Ronaldo, artilheiro como Romário, boa-pinta como Kaká – isso só pra traçar um paralelo com grandes nomes do futebol atual. De fato, o personagem que vemos na tela lembra muitos jogadores, mas sobretudo, lembra-nos do quão desesperados as vezes somos por aceitação, mesmo quando não admitimos que queremos isso. Heleno mostra ainda como a garra, a gana por vencer, pode nos levar a grandes vitorias e/ou derrotas arrasadoras.

De fato, Heleno é sobre como decaiu a vida de um mito que tinha tudo pra ser ainda maior, mas que se auto-sabotava de todas as maneiras possíveis, consumido pelo vício e por uma sífilis que ele insistia em não tratar, levando-o a oscilações de humor que beiravam a loucura. Como muitos outros na vida futebolística (ou mesmo fora dela), Heleno foi enterrado pela fama e pela própria imagem que criou ao longo da conturbada vida.

O problema do filme é a duração excessiva, com suas mais de duas horas. Poderia te sido resolvido mais rapidamente. A montagem também joga contra o longa, porque oscila demais entre diversos períodos de tempo sem definir direito o que é linha principal e o que é flashback. Não estraga, mas atrapalha.

O grande mérito é sem duvida o elenco. Rodrigo Santoro surge com o talento habitual e sustenta o filme. Ele encarna Heleno em todas as suas nuances, com a paixão necessária pra interpretar um homem tão apaixonado. Alinne Moraes está deslumbrante como sempre, apesar de aparecer pouco. Porém, destacam-se os atores Erom Cordeiro e a colombiana Angie Cepeda. Erom como Alberto, melhor amigo de Heleno, que apesar de sempre menosprezado pelo amigo e companheiro de time, estava sempre por perto. Ele tem uma resignação nos modos e no olhar que nos faz ter pena dele ao mesmo tempo que não sabemos se ele gosta mesmo de Heleno ou não. Angie como Diamantina, a amante do jogador. Ela é quase uma femme fatale, pois ainda que não seja fatal no sentido literal da palavra, é quem empurra Heleno sutilmente para a decadência, pois submete-se a ele mesmo quando ele é um cretino. E ela o faz com charme e doçura – e um sotaque espanhol apaixonante.

Toda esta trajetória infeliz é apresentada de forma lenta, sob uma atmosfera saudosista, não só pela época da história, anos 40, mas também pela falta de cor; o longa é todo em preto e branco, um recurso que reforça a melancolia da trama e, também, o amor que o personagem tinha pelo Botafogo – afinal, preto e branco são as cores da estrela solitária. E Heleno era exatamente isto: uma estrela solitária.

Mas o filme Heleno de estrela solitária não tem nada. É um conjunto que dá certo e mostra que futebol e cinema podem, sim, formar um bom time.

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