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Fúria de Titãs 2

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Fúria de Titãs 2

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Fúria de Titãs 2 (Wrath of the Titans, 2012) é melhor do que o primeiro. Provavelmente, é o que você quer saber. Mas, é um filme apenas bom, nada sensacional, algo que você veria facilmente numa despreocupada Sessão da Tarde — uma Sessão da Tarde dos velhos tempos, quando os filmes eram tão psicodélicos que divertiam.

A trama, que tenta ignorar o primeiro filme e renovar a proposta, começa dez anos depois da batalha contra o Kraken. Agora, Perseu (Sam Worthington) vive tranquilamente como um pescador junto com seu filho Helius (John Bell). A tranquilidade, naturalmente, dura pouco. Os deuses estão perdendo poder porque os mortais não acreditam mais neles como antes e sem a fé, os deuses são nada (ótima sacada do roteiro, devo dizer). Com os poderes divinos enfraquecidos, as obras dos deuses também perderam força, inclusive a prisão do titã Chronos, inimigo ancestral dos deuses que está prestes a libertar-se. Para evitar uma nova guerra, Zeus (Liam Neeson) procura o filho semideus em busca de ajuda e Perseu acaba envolvido na batalha contra Chronos. No caminho, recebe ajuda da princesa Andrômeda (Rosamund Pike), do Deus Caído (Bill Nighy) e do também semideus Agenor (Toby Kebbell) — que é filho de Poseidon (Danny Huston). Porém, precisa lidar com deuses menos amistosos como Hades (Ralph Fiennes) e Ares (Edgar Ramírez).

O primeiro Fúria de Titãs, como muitos devem lembrar, foi um fiasco em muitos aspectos, um destes remakes que realmente não deu certo. Tudo o que podiam ter aproveitado da versão original, de 1981, foi ignorado e a história tornou-se uma colcha de retalhos conduzida somente por ação frenética e efeitos especiais bonitos.

No Fúria de Titãs 2 ainda há este problema. O roteiro ainda é uma colcha de retalhos, com avanço lento e muita informação condensada, que às vezes é cansativo acompanhar. Contudo, desta vez, o diretor Jonathan Liebesman tenta resgatar um pouco da essência da versão oitentista, trazendo de volta a jornada básica do herói versus monstros mitológicos. Não só isso, Liebesman parece olhar para aspectos esquecidos pelo longa anterior, aspectos que eram bastante comuns nas produções heroico-mitológicas de antigamente, como Jasão e os Argonautas, Ulisses ou as aventuras de Simbad. Há alguma nostalgia na forma como a trama nos é apresentada.

Porém, Fúria de Titãs 2 mistura esse passado com o presente, usando elementos que difundiram bastante a mitologia grega atualmente — o principal deles: videogame. A narrativa é conduzida como um jogo de videogame, com o herói percorrendo fase por fase até alcançar o chefão final mega foda e mega gigantesco. São florestas sombrias, viagens marítimas, templos secretos, ermitões velhos sábios, montes e montes de monstros, e uma arma super-poderosa que deve ser conseguida para derrotar o chefão final mega foda e mega gigantesco. Sim, você já viu isso em God Of War — embora o Perseu não seja tão legal quanto o Kratos!

E a um motivo para o Perseu não ser um personagem interessante (além daquele cabelo medonho!). O elenco inteiro atua no piloto automático, da forma mais superficial possível. Sam Worthington não tem aquela paixão de um herói mitológico, exceto quando se joga na porradaria — mas convenhamos que, em geral, cenas de ação não exigem muita interpretação. Como uma princesa guerreira, Rosamund Pike é… bem… muito bonita. Infelizmente, falta um pouco mais de paixão nela também. A Io da Gemma Arterton era mais viva. Porém, admito que gostei de ver a Andrômeda, enfim, como personagem principal — tal como é na mitologia e tal como era no filme de 81. Toby Kebell tem alguns poucos momentos divertidos, mas tá ali só pra constar — complicado já que o Agenor deve ser o foco principal do Fúria de Titãs 3 (sim, teremos o terceiro).

Do lado dos deuses, a coisa muda um pouco. Interpretados (na maioria) por atores do panteão hollywoodiano, eles fazem bonito mesmo com pouco. De fato, você pensar em Liam Neeson e Ralph Fiennes, estrelas de A Lista de Schindler, num filme como Fúria de Titãs pode ser motivo de piada, mas é inegável a química que os dois têm na tela. E neste segundo filme, a dinâmica fraterna entre eles é melhor explorada e, FINALMENTE, acaba com o maniqueísmo besta inventado no primeiro filme. Mitologia grega não tem muito esse negócio de bem e mal, céu e inferno, isso é coisa de mitologia cristã, e colocar o Hades como vilão só porque é o Senhor dos Mortos, pra mim, parece falta de ousadia e criatividade dos roteiristas. Logo, ponto para os roteiristas do Fúria de Titãs 2.

Ainda no lado divino, temos Bill Nighy numa participação inspirada como o Deus Caído (não vou dizer quem é, descubra por si mesmo vendo o filme). De longe, é o personagem mais interessante e divertido da história, com devaneios que arrancam algumas risadas e momentos de sabedoria para um grupo meio perdido. O único que destoa (absurdamente) é Edgar Ramírez — que Ares sem graça!

No mais, Fúria de Titãs 2 é cenas de ação e deleite visual. A quantidade de CG é considerável, combinada com uma exposição em 3D que enche os olhos. Nisto, não há o que discutir. O filme tem uma qualidade visual IMPRESSIONANTE! Só é uma pena que a história rasa resulte num filme apenas bom. Fúria de Titãs é uma franquia que tinha todo o potencial pra ser sensacional, mas, infelizmente, insiste em ser muita imagem e pouco roteiro. Assim é difícil manter a fé nos deuses!



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  • Ramyson Lucas

    Não sei porque, mas depois da decepção com o primeiro filme, já não espereva muito desse. Mas pelo menos esse tem um 3D de vergonha. =P

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