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Jogos Vorazes

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Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012) é um filme que chega aos cinemas cercado de expectativa. Baseado no best-seller de Suzanne Collins, é o tipo de produção que surge fadada a amargurar críticas negativas especialmente por parte dos fãs, sempre tão ansiosos por questionar a fidelidade ou não de certos elementos do filme em relação ao livro. Bem, eu sou fã — MUITO FÃ! — e estava tomado de expectativa e ansiedade como todos.

Tanto foi o hype construído ao redor do longa, que muitos duvidavam que fosse sair coisa boa daí. Ledo engano. Jogos Vorazes FAZ JUS a todo o hype! Mais do que isso, se sustenta como a obra de ficção-científica distópica que é e transpõe com boa dose de fidelidade a ambientação selvagem do livro para as telas. O filme, sem dúvida, merece o sucesso que irá desfrutar.

Estou sendo tendencioso, eu sei. Não dá pra evitar. Sou apaixonado por Jogos Vorazes desde que li o primeiro livro e sobrevivi àquele mundo cruel construído por Collins nas páginas de seu livro.

Onde Suzanne Collins acertou com as palavras, o diretor Gary Ross acertou com imagens, narrativa e técnicas de filmagem. O universo da literatura está lá para qualquer fã ver e se deliciar, reproduzido com esmero na tela grande. Aliás, Collins assina o roteiro do longa, o que naturalmente facilita muita coisa. Ross, com o objetivo notório de construir uma franquia, foi assertivo em suas escolhas e, sobretudo, não esqueceu os fãs. O diretor traduziu a visão épica da luta pela sobrevivência explorada por Collins com habilidade. Leitores apaixonados, como eu, vão se identificar com facilidade com cada fato, cada gesto, cada diálogo, cada morte, cada reviravolta. Os que não conhecem terão a chance de mergulhar neste mundo fantástico, pois até na forma de introduzir aqueles que não conhecem a obra original o cineasta mostra segurança.

Muita gente tece comparações com Harry Potter e Crepúsculo, já que tais histórias também fazem parte da literatura para jovens adultos. Eu entendo. Mas prefiro comparar com a visão sombria e pessimista de 1984, Battle Royale e Laranja Mecânica.

A história mostra uma sociedade 80 anos no futuro, após o continente ter sido devastado por uma guerra. A América do Norte tornou-se a nação Panem, que é constituída por treze distritos controlados pela poderosa Capital, um lugar de hedonismo e futilidades exacerbados como verdadeiras Sodoma e Gomorra futuristas.

A cada ano, como meio de impor seu domínio sobre os distritos, a Capital escolhe crianças para participarem dos Jogos Vorazes, uma batalha televisionada onde os tributos (como são chamados os participantes) devem lutar até a morte. No final, pode haver apenas um sobrevivente. Como eu já disse na resenha do livro, é a proposta básica dos reality shows da atualidade elevada ao máximo de literalidade possível. As pessoas se divertem enquanto os participantes se matam para conseguir seus quinze minutos de fama. Mas, aqui, os participantes não buscam milhões de reais/dólares, eles lutam apenas para sobreviver!

Nisto, Jogos Vorazes é áspero e certeiro — como sua protagonista. O enredo fala sobre a predileção da sociedade atual por ter como forma entretenimento ficar em frente à TV assistindo à tragédia de outras pessoas. Além disso, consegue manter o tom de crítica social à sociedade do espetáculo com a sobriedade da obra original, mostrando todos os piores impulsos e excessos bizarros comuns à programas como Big Brother, No Limite e outros, com jogadores precisando simular o que não são em frente as câmeras para garantir o favoritismo dos espectadores. Ou seja, se é preciso fingir um romance pra sobreviver, que seja! Isto é a televisão!

Em contraponto, como uma obra direcionada ao público juvenil, Jogos Vorazes também é sobre o poder que os jovens têm para mudar o futuro, sobre o que uma única pessoa é capaz de fazer quando ela luta por um objetivo. Ali, uma única garota é capaz de mudar tudo, por sua força e por sua família, outra parte da motivação que sustenta grande parte dos atos honráveis da juventude. Família prova-se também um elemento importante para a sobrevivência, mesmo com tanta miséria, morte e desolação ao redor.

Dito isto, temos nossa heroína em carne e osso, deslumbrante na tela como é nos refúgios da nossa mente de leitor. Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) é uma caçadora nata que vive na região mais pobre da Panem — o Distrito 12 — junto com a mãe e a irmã mais nova, Primrose (Willow Shields). No dia da colheita, quando os tributos são escolhidos, Prim é escolhida para participar dos jogos, Katniss jamais deixaria a caçula enfrentar tal provação e se oferece para ir no lugar dela. Esta cena é suficiente para entendermos todo o poder e fascínio que Katniss, como personagem, é capaz de provocar. Katniss é uma das personagens mais impressionantes que já conheci e vê-la na pele daquela LINDA da Jennifer Lawrence é PERFEITO!

Jennifer Lawrence é a Katniss! A atriz, que foi indicada ao Oscar por uma personagem semelhante em Inverno da Alma, capta muito bem a vontade férrea e raiva juvenil de Katniss, juntamente com a ferocidade, a astúcia e a vulnerabilidade que faz da personagem uma estrela nos jogos. Impossível não torcer por ela! Eu não duvidei por um minuto que Lawrence sustentaria a personagem, especialmente pela qualidade de atuação que sempre demonstra em seus filmes. E, apesar de ter 21 anos, ela interpreta com credibilidade uma adolescente de 16. Jennifer Lawrence, você é uma LINDA! *_*

Apesar de levemente ofuscados pela protagonista, os outros grandes jogadores são igualmente espetaculares: Josh Hutcherson esbanja a dose certa de coragem e passividade para Peeta Mellark; Liam Hemsworth surge como Gale, um interesse romântico de Katniss que não tem uma participação memorável neste momento da história, mas cumpre bem o seu papel; e Donald Sutherland (impecável!) como o Presidente Snow, que ora parece um floco de neve, ora parece uma nevasca.

E os personagens secundários são interpretados com igual inspiração: Stanley Tucci (adoro esse cara!) com o cabelo azul e língua afiada como Cesar Flickerman; o cantor Lenny Kravitz adequado como o amistoso Cinna; Elizabeth Banks divertida como a estranha Effie Trinket; e Wes Bentley que transborda toda a excentricidade e frieza da Capital como o mestre de cerimônias Seneca Crane.

Mas poucos são tão EXCEPCIONAIS quanto Woody Harrelson interpretando Haymitch Abernathy, o mentor de Katniss e Peeta. No livro, o personagem já é fantástico; no filme, é igualmente sensacional! Woody Harrelson embriagado e cínico em cena não teria como ser menos do que FODA!

O longa, no entanto, tem fraquezas. A maior delas é sua ferocidade aplacada. O filme não é tão selvagem quanto o livro, certamente, por causa da censura indicativa de 13 anos estabelecida para a produção. Portanto, não espere um banho de sangue no estilo Battle Royale. Momentos chaves do livro nos quais tributos morrem de forma terrível foram amenizados e acabam perdendo um pouco do impacto que tinham na leitura. Não é algo que atrapalhe o resultado final, apenas um detalhe notável (principalmente pra quem leu). O epílogo também sofreu algumas alterações, mas também não prejudica.

Os momentos mais melodramáticos de afeição entre Katniss e Peeta são rápidos e agradáveis, passando com nitidez um dos princípios mais básicos para a vitória num reality show. Além disso, são momentos MUITO MAIS APAIXONANTES do que as intermináveis cenas de cabecinha no ombro de Crepúsculo. E o fator fingimento torna tudo sempre mais atraente, pois nós nunca sabemos se Katniss e Peeta se importam realmente um com o outro ou estão apenas lutando pra vencer.

O visual é um show a parte. Aliás, tudo é trabalhado com foco no espetáculo — o grande pano de fundo do enredo. Gary Ross apresenta o longa usando recursos de filmagem que mais parecem vindos de um documentário, misturando realismo, drama e ficção-científica de forma tão brilhantemente tensa e hostil que torna o mundo fantasioso algo crível. A ambientação parece uma mistura macabra de O Mágico de Oz com o Terceiro Reich. De cair o queixo!

Jogos Vorazes realmente ganhou vida nas telas! E tem fôlego para segurar uma franquia. A história, que continua no livro Em Chamas, com certeza será adaptada mais vezes para o cinema. Gary Ross converteu com exatidão a obra de Suzanne Collins, e pode fazer de novo. EU ADOREI… PRA CARALHO!

Feliz Jogos Vorazes…

E que a sorte sempre esteja a nosso favor!



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