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Revenge – Primeira Temporada

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Faz tempo que não sinto o prazer de ser fisgado completamente por uma série. E no caso de Revenge (2011) foi rápido, levou apenas os primeiros dez minutos do piloto.

Sempre fui adepto de novelões. Antigamente, assistia telenovelas com frequência, mas hoje não acontece muito porque alguma coisa se perdeu, as novelas de hoje em dia não têm o mesmo charme de antes. E, acredite, eu já tentei reencontrar o charme que via antes nelas. Mas não tá rolando feng shui.

Então, neste ano, voltei-me para os seriados americanos. E comecei a ver alguns com cara de novelão. Ringer foi o primeiro — e é SENSACIONAL! — como escrevi noutro post. Revenge tornou-se minha segunda novelona predileta. Curiosamente, as duas me foram indicadas por amigas. E ainda tenho Once Upon a Time correndo pelas beiradas. XD

Revenge é produzido pela ABC. Aqui no Brasil, está sendo exibida pelo canal pago Sony, nas noites de terça-feira, às 21h.

O que me fascinou tanto na série foi a forma como começou. De cara, somos inseridos numa festança de ricaços, que descobrimos ser um noivado, onde logo rola um assassinato. Em segundos, conhecemos alguns personagens principais da trama e somos jogados na atmosfera de intriga que existe entre eles.

A trama é inspirada pelo livro O Conde de Monte-Cristo — primeiro ponto a favor pra mim, porque adoro a obra — e tem como protagonista a jovem Emily Thorne, interpretada pela lindinha da Emily VanCamp, de Everwood.

Na verdade, Emily chama-se Amanda Clarke. Seu pai, David Clarke (James Tupper), foi acusado de um crime que não cometeu e passou anos na prisão enquanto ela enfrentava as agruras de um reformatório. No fim, David morreu sem nunca mais ter visto a filha e Amanda cresceu achando que ele era um criminoso. Quando saiu do reformatório e descobriu a verdade dos fatos, assumiu a identidade de Emily Thorne e partiu numa jornada pessoal de vingança contra os culpados por seu sofrimento e de seu pai — a família Grayson.

Emily aparece como uma personagem forte, fria, vingativa e extremamente manipuladora. Não é o retrato de um protagonista comum e heroico, mas uma figura tomada pelo ódio. A atriz Emily VanCamp sustenta muito bem as constantes oscilações de humor/personalidade que o papel exige e representa um dos pontos positivos do enredo. Apesar de ser uma fofa conhecida por papéis adoráveis, VanCamp consegue fugir da zona de conforto com olhares e trejeitos que impõem respeito e uma boa dose de psicopatia.

Porém, Emily não está sozinha. O elenco contribui bastante com a decadência na série. Sim, porque tudo ali é decadência e filha-da-putice. Poucos se salvam (ou não!). Até a melhor amiga Ashley (Ashley Madekwe), que você acha boazinha a princípio, rapidinho se revela sem muitos escrúpulos pra subir na vida. Temos também o sidekick principal de Emily, o hacker mauricinho Nolan Ross (Gabriel Mann, impecável no papel). De longe, Nolan é um dos melhores personagens da série, que começa misterioso, neutro, e aos poucos se revela uma figura carismática e extremamente providencial. Ele funciona quase como uma consciência para Emily, com constantes questionamentos sobre certo e errado, ao mesmo tempo em que ele próprio não tem pudores para fazer o que é necessário quando é necessário, especialmente quando a segurança de pessoas queridas está em jogo. Nolan acaba sendo responsável em parar as armações do psicótico Tyler (Ashton Holmes), um suposto amigo de Daniel que surge como um vilão na trama e aumenta consideravelmente a qualidade narrativa. Tyler, que sofre de esquizofrenia, é quase como a doença mental que carrega — ele contamina todos com suas mentiras e se espalha rapidamente, dificultando muito as coisas para Emily.

Mas o foco é mesmo a família Grayson, encabeçada por Victoria (Madeleine Stowe) e seu marido Conrad (Henry Czerny). Os dois foram responsáveis por acusar injustamente David Clarke do crime que eles cometeram. Porém, há muito mais nesta história do que parece — e isso torna tudo ainda mais interessante. Victoria mostra-se sempre dominadora e, até certo ponto, maquiavélica, mas tem motivos para isso. Quando conhecemos a personagem um pouco mais, no entanto, as emoções tornam-se conflitantes, porque você quer que ela pague pelas atitudes dela, mas às vezes sente pena dela. E Madeleine Stowe tá SENSACIONAL! Como toda a sua experiência, ela transborda a filha-da-putice velada de Victoria com gestos simples e palavras afiadas desferidas com o sorriso mais cínico do mundo. Aliás, é incrível como os anos fizeram bem à atriz. No auge de seus 53 anos, Madeleine Stowe continua um ESPETÁCULO DE MULHER! Linda, charmosa, e cada vez que aparece com vestido vermelho… pelamordedeus… QUE MULHER MARAVILHOSA!

Victoria é a maior rival de Emily na série, especialmente por elas serem muito parecidas. Ambas são frias, calculistas e vingativas, e ambas escondem-se sob a máscara da filantropia e da benevolência.

Pra complicar, Emily se envolve com Daniel Grayson (Joshua Bowman), filho de Victoria, e fica noiva dele. A festa do prólogo no primeiro episódio é deles dois e o sujeito assassinado é o Daniel. E aí entra a sacada mais FODA da trama. Descobrimos que Daniel tem um passado obscuro encoberto pela família. De início, pensamos nele como um típico playboy filhinho de papai metido a besta… e quebramos a cara quando ele se revela um tremendo nice guy. O cara derrete até mesmo a frieza da Emily com o tempo. Agora, visualiza. De cara, nos primeiros dez minutos de série, o SUJEITO MAIS LEGAL DA HISTÓRIA É ASSASSINADO NA VINGANÇA DA MOCINHA! É muito mistério pra um episódio só!

Com o desenrolar da temporada, somos apresentados a vários elementos que giram em torno da vingança de Emily. Os primeiros episódios seguem o padrão “monstro da semana”, no qual cada episódio mostra um dos responsáveis pela condenação de David Clarke caindo com os planos de Emily. O ritmo é meio lento neste começo, mas acelera à medida que os “monstros da semana” vão dando lugar ao objetivo principal que é a família Grayson.

Quando isso acontece, os personagens vão sendo melhores apresentados. Um recurso muito usado são os flashbacks, que aprofundam os dramas dos personagens mais vilanescos, como Victoria e a própria Emily, mas também estabelecem os acontecimentos que levaram até aquele momento. As atuações excepcionais cuidam do resto. Henry Czerny faz um par perfeito com Madeleine Stowe, especialmente no quesito encobrir segredos sombrios. O conflito entre cumplicidade e rancor entre os dois é gostoso de ver.

Os núcleos secundários também acrescentam bastante. Jack Porter (Nick Wechsler, de Roswell) e o irmão Declan (Connor Paolo) são os que mantêm as coisas mais calmas na trama, amenizam um pouco o clima de mentiras. E o Declan ainda se envolve com Charlotte Grayson (Christa B. Allen), filha adolescente e meio rebelde de Victoria. O romance entre os dois é bonitinho e deixa um toque de The O.C. na série. Ainda assim, mesmo eles, acabam sugados de alguma forma pra espiral de caos que gira em torna de Emily e dos Graysons.

Aliás, uma curiosidade da série é a ambientação. Tudo se passa no mais alto nível de requinte que uma família pode atingir. Boa parte dos episódios envolve eventos magníficos organizados por Victoria. O excesso de eventos às vezes causa certa estranheza, como se tudo se resumisse a eventos sociais de ricaços. Mas, não dá pra negar que as festas são sempre muito bonitas e sempre dão merda no final, movimentando a história de alguma forma.

Toda essa intriga move os acontecimentos da trama num efeito dominó gigante, que vai consumindo tudo. Quanto mais coisas acontecem, mas merda voa no ventilador. É impressionante! E, além disso, ainda passamos a temporada inteira esperando pela chegada do acontecimento principal, angustiados querendo saber como o noivado de Emily e Daniel termina naquela tragédia do primeiro episódio. Não dá pra evitar, cada episódio termina com gosto de quero mais.

Então, finalmente chega o tal episódio e TUDO MUDA! Tudo que você passou meia temporada acreditando que era some numa reviravolta de explodir cabeças! E, agora, temos ainda mais vingança pela frente, com ainda mais peças de quebra-cabeça a serem juntadas. E o desejo por mais episódios aumenta, como um vício, ou o ódio, ou o amor, ou todas as emoções conflitantes que tornam as pessoas seres humanos. Porque, no fundo, Revenge é sobre as várias (e complexas) facetas da índole humana. É uma série que eu recomendo muito pra qualquer fã de uma boa história sobre jogos de poder. Sobretudo, recomendo pra qualquer fã de uma boa história!

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