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Um às do volante (Ryan Gosling) vive numa cidade apática, barulhenta e vil. Ele ganha a vida fazendo o que sabe melhor, como dublês de filmes de ação, mecânico de garagem, piloto de fuga. Neste último, existem regras duras e específicas, como em Carga Explosiva. Ele pilota como poucos, conhece cada beco da cidade e, se alguma coisa dá errado ou o tempo de seu contrato acaba, seus clientes estão por conta própria. Ele escapa incólume. Em nenhum momento do filme, sabemos seu nome ou de onde ele veio e como conquistou suas habilidades impressionantes… ele é apenas chamado por “motorista” ou “garoto”. Ele é um mistério que, inesperadamente, se vê envolvido com uma jovem vizinha, Irene (Carey Mulligan), e seu filho, Benicio (Kaden Leos), que surgem na trama como os únicos verdadeiros inocentes daquela cidade corrupta. Toda esta inocência parece entregar ao motorista algo que ele nunca teve, algo que preenche o vazio de uma vida às margens da sociedade e da lei. Ele é soturno e controlado, mas se deixa levar por estas emoções e se apaixona. Mas, quando o marido de Irene, Standard (Oscar Isaac), sai da prisão, ele decide ser apenas um bom amigo e ajudar o ex-detento num roubo unicamente para poupar mãe e filho por quem se apaixonou de qualquer sofrimento. Porém, alguma coisa dá errado.

Inicialmente, Drive (2011) parece um drama familiar e, de fato, a mecânica da história centra-se nisto: família. Mas, também, explora os valores intrínsecos neste âmbito familiar. É quase poético. A personalidade e o comportamento do motorista se identificam facilmente com samurais de épicos ou pistoleiros de faroestes. É algo como ver um Clint Eastwood que anda dos dois lados da lei, mas mostra quem é de verdade quando precisa proteger ou vingar alguém inocente. Seu passado é misterioso, nunca sendo realmente explicado, mas fica claro que é um passado violento e, provavelmente, repleto de perdas e sacrifícios. A trajetória do motorista pela cidade decadente é como a ode agressivamente redentora de Travis Bickle, em Taxi Driver. Partindo de elementos simples e, até certo ponto, genéricos, Drive imprime na tela uma sensação de inovação e, ao mesmo tempo, nostalgia tão genial quanto um personagem que passa boa parte do tempo vestindo uma jaqueta surrada de cetim branco com um escorpião amarelo bordado. Aliás, aí está a representação máxima do protagonista, um homem macio e lustroso como uma seda fina, mas letal como uma ferroada venenosa.

O filme, adaptado do livro Drive, de James Sallis, e dirigido por Nicolas Winding Refn assume esta característica familiar como premissa ao mesmo tempo em que consegue subvertê-la e transformá-la em algo mais enérgico, resultando numa oscilação entre drama, romance e ação que faz deste um dos filmes mais impressionantes do ano. A cena em que o motorista e Irene estão no elevador com um agressor à espreita é uma representação clara desta roleta harmoniosa de gêneros — é bonita, tensa, adorável e violenta… tudo junto. Era uma jogada que tinha tudo para dar errado, mas deu certo… muito certo. O longa começa em uma abertura com créditos rabiscados em rosa, como neon, instalando uma atmosfera de anos 80 enquanto as ruas da cidade são mostradas como uma calmaria que precede uma tempestade. A direção de arte e a fotografia emulam aspectos de noir, embora a escuridão aqui seja mais interior do que exterior. Os ambientes são tomados por uma claridade pálida e inquietante. E a trilha sonora retro com toques de música eletrônica acrescenta ainda um charme especial.

O desenrolar da trama acrescenta, a este cenário cheio de estilo, performances cativantes e diálogos francos intercalados por momentos de plena contemplação. É uma experiência realmente intensa. Ryan Gosling mostra a cada filme que é um ator versátil e talentoso. Ele interpreta o motorista com uma serenidade quase perturbadora, pois, ao mesmo tempo, parece que vai explodir em fúria a qualquer momento. Seus parcos diálogos são comedidos e boa parte de sua atuação é fundamentada por expressões corporais e pelos olhos, que são suficientes para transmitir todo o conflito interno do personagem. Carey Mulligan é de uma inocência e singeleza apaixonante e torna crível a mudança de atitude do motorista por ela. Você também vai sair do cinema apaixonado por ela. Outros nomes de peso surgem com performances fortes e importantes, como Oscar Isaac, Ron Perlman, Bryan Cranston e Albert Brooks. O criminoso relutante de Brooks ganha um destaque adicional por ser frio, porém digno, um cara que adoraria deixar aquela vida, mas não se priva de sujar as mãos se for necessário, e ainda é um exímio usuário de facas, capaz de matar enquanto pede desculpas. Todos estes conflitos e dilemas dos personagens tornam o filme ainda mais rico. Para completar, ainda temos uma participação breve de Christina Hendricks, que não faz muito, mas, quem se importa… ela é tão espetacularmente linda que só a visão dela já é um colírio para os olhos!

Drive é um filme bonito sobre família, moralidade e heroísmo. O motorista é um herói clássico, ainda que seja um fora-da-lei. Com seus personagens fortes e surpreendentes, não há como o público não ser fisgado por esta história. Não obstante, ainda consegue ser um filme de ação simples e empolgante, com uma violência gráfica brutal e súbita. É um filme comercial, mas artístico. E que traz uma visão especial do ambiente urbano. Instigante do começo ao fim, você tem cinco minutos para se adaptar. Durante este tempo, Drive é todo seu. Depois, você está por conta própria.

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