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Albert Nobbs

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Filmes de drama ocasionalmente abordam o tema da mulher que se disfarça como homem para obter educação, trabalho, um lugar em meio a sociedades tipicamente machistas. Este é o caso de Albert Nobbs (2011).

Na Irlanda do século XIX, Albert Nobbs (Glenn Glose) é uma mulher que vive como o respeitável mordomo de um hotel, tão disciplinada no disfarce que ninguém suspeita do segredo que esconde por baixo das feições masculinas. A atriz interpretou o personagem-título por anos num espetáculo teatral da Broadway e, transformada numa estrela do cinema, empenhou-se para levar a história para as telonas.

Na trama, Nobbs vive desta forma por um sonho bastante simples — independência. Porém, sua farsa é ameaçada quando um pintor, Hubert Page (Janet McTeer), divide o quarto com ela no hotel. A aparição de Page muda os conceitos pessoais de Nobbs, mas os planos do mordomo esbarram também na bela Helen (Mia Wasikowska) e no inescrupuloso Joe (Aaron Johnson).

Parte da abordagem do longa é focada neste ideal de independência pessoal, algo difícil para as mulheres daquela época. Apesar do argumento sobre liberdade feminina, Albert Nobbs trata de uma questão que acomete a todos, mesmo no tempo atual, a independência financeira tão necessária quando queremos trilhar nosso próprio caminho e tomar nossas próprias decisões sem submissão ou interferência alheia. Neste ponto, o enredo toca na liberdade de escolha, que inclui aqui todo o tipo de escolha, desde a opção de vestir-se como um homem para sobreviver até o desejo de construir uma família e apaixonar-se por alguém, mesmo que esse alguém seja uma pessoa do mesmo sexo. Há ainda a questão do tratamento dos trabalhadores ou das classes inferiores aos padrões determinados pela elite de uma sociedade. O assédio moral e o abuso verbal (e muitas vezes físico) é bastante explorado.

Tudo transcorre de forma leve, calma e melancólico, apresentando uma narrativa comum ao cinema europeu e que condiz com o cenário do longa. Dirigido por Rodrigo García e inspirado no conto A Singular Vida de Albert Nobbs, de George Moore, o grande trunfo de Albert Nobbs são as atuações de Glenn Close e Janet McTeer, cujo trabalho é impecável. Elas são femininas mesmo disfarçadas como homens. Os parcos momentos de descontração de Nobbs são singelos, mas tragicômicos, despem a trama da tensão rotineira, mostrando uma figura marcada por tristeza e desesperada por felicidade. Glenn Close não só está irreconhecível de tão bem caracterizada, mas também abusa de toda a expressividade de seu olhar para transparecer as angústias do mordomo. Já McTeer é charmosa como Page e esbanja ternura na medida certa (e rústica).

A história em si não empolga muito, talvez pelo excesso de discrição, que transborda para todo o lado, seja no protagonista, seja na sociedade ao redor, seja nas paletas opacas do ambiente. Os menos discretos são Mia Wasikowska e Aaron Johnson, no entanto, são também os personagens mais dispensáveis da trama (e mais chatinhos). A personagem de Wasikowska, aliás, parece estar ali mais para justificar a virada final do que para proporcionar ponderações válidas sobre o comportamento do personagem-título.

Albert Nobbs narra uma história interessante, com um belo retrato de época, porém peca justamente por ser exageradamente formal e reservado, exatamente como é o próprio protagonista. O filme parece mais sufocado por um corselete apertado do que aquela triste mulher fingindo ser homem.



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