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Precisamos Falar Sobre o Kevin

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Quando assistimos a um filme de terror, buscamos lidar com sentimentos como o medo e a tensão frente ao desconhecido. Quanto mais próximo da vida comum a trama é retratada, com a presença de um elemento estranho que nos tira da zona de conforto, mais assustadora é a experiência cinematográfica. E quando tais sentimentos são trazidos não pelo horror, mas por um drama bem próximo do real?

Aí é que bate o desespero, agravado pelo fato de não termos entrado na sala escura preparados psicologicamente para enfrentar tal desafio.

Esta é a sensação transmitida pelo filme Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin, 2011), adaptação do livro homônimo de Lionel Shriver. Nele, a diretora Lynne Ramsay nos apresenta à Eva Khatchadourian (Tilda Swinton), a mãe de uma criança problemática chamada Kevin (interpretado por Jasper Newell quando criança e Ezra Miller quando adolescente), que pode ser classificada tranquilamente como psicopata.

Mas até que ponto a psicopatia pode se diferenciar de apenas birra infantil? É a questão que a trama traz à baila em todo momento: o que difere um caso extremo de sociopatia do simples desentendimento familiar. Em algum momento essa linha é cruzada, mas quando?

A omissão do pai de Kevin, Franklin (John C. Reilly) torna as coisas ainda mais complicadas. Ele é o famoso pai babão, que sempre passa a mão na cabeça do filho, sem perceber que desta maneira estimula o filho a cada vez mais dar vazão a seus sentimentos doentios. Sobra para a mãe a tarefa de tentar domar a fera, mas a cada atitude mais drástica o sentimento de culpa aparece, botando tudo a perder. Quando esta criança se torna um adolescente, a tragédia está anunciada.

Apesar do contexto inglês, pode-se lembrar de situações vividas no Brasil, como jovens que queimam índios ou espancam prostitutas sem razão aparente.

A direção segura e o elenco afiado garantem um grande filme. Destaque também para o roteiro, que mesmo sem se manter linear consegue trazer um crescendo nas situações de tensão, que causam no espectador o medo de que algo de muito ruim irá acontecer, medo este que cada vez mais se torna uma certeza. Ao mesmo tempo, não há apelo ao sensacionalismo ou choque barato, pelo contrário, o tema forte é tratado sempre com muita delicadeza. Tilda Swinton tem uma atuação irretocável, transmitindo toda a dor e angústia de uma mãe que vive situação tão extrema.

Impossível não traçar o paralelo com qualquer outra família. Quantas vezes os membros de qualquer família não tentam ignorar o problema principal, e brigas e mais brigas surgem por coisas aparentemente banais, que na verdade substituem a verdadeira motivação das desavenças, o pecado original que surge da dificuldade das diferentes gerações em aceitarem-se?

Toda família passa por isso, mas de alguma maneira consegue se estabilizar, ainda que de forma torta ou precária. Parece ser essa lição que fica ao final do filme: não importa por quanta merda temos que passar na vida, vai ser em nossa família que iremos encontrar ao mesmo tempo nosso sofrimento e nosso consolo.

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