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Dois Coelhos

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Dois Coelhos (2012) é uma inovação para o cinema brasileiro, algo que você não viu por aqui e, provavelmente, não vai ver tão cedo. Porque Dois Coelhos é ousado como poucas histórias. O diretor (e publicitário) Afonso Poyart arriscou suas fichas numa trama complexa que pega emprestada referências de toda a cultura pop contemporânea; cinema, videogames, quadrinhos, música, tudo é aproveitado de alguma forma, numa miscelânea que pode parecer confusa, mas, no fim, mostra-se bem engendrada.

A inventividade ajuda muito aqui. Poyart usa com frenesi todos os recursos cinematográficos dos quais dispõe, inclusive, retirando referências e inspirações de grandes produções do tipo.

Na trama, Edgar (Fernando Alves Pinto) encontra-se na mesma situação de muitos brasileiros, oprimido entre a criminalidade, que age impunemente, e a maioria do poder público, que age corruptamente. Está na classe média, no sentido mais literal possível. Cansado de ser vítima, ele resolve partir para o ataque e bola um plano para fazer justiça com as próprias mãos, fazendo com que os bandidos entrem em choque com os políticos, e dois coelhos sejam mortos com uma “caixa d’água” só. O plano transita entre vários núcleos, apresentando personagens complicados, como Júlia (Alessandra Negrini), Maicon (Marat Descartes) e Walter (Caco Ciocler). E, aos poucos, descobrimos que as coisas são mais complicadas do que parecem.

O roteiro intrincado, cheio de reviravoltas mirabolantes, conduzido de forma não-linear, remete a longas como Amnésia (2000), de Christopher Nolan, e Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994), de Quentin Tarantino. A sequência em que Júlia detona bonequinhos com uma katana (espada japonesa) lembra Sucker Punch – Mundo Surreal (2011) e Kill Bill (2003), misturado com estética de games. O próprio submundo nerd do início surge com menções a Star Wars no melhor estilo Fanboys (2008) ou O Balconista (1994).

Somam-se as referências aos games, como Grand Theft Auto (GTA, 2009) e Counter Strike (1999), e até mesmo referências do próprio dia-a-dia do brasileiro — bandidos com um katana; nós certamente já vimos isso em algum lugar da vida real.

Obviamente, Dois Coelhos tem seus problemas. Os diálogos são mal-construídos em alguns momentos, chegando até a serem risíveis. Alessandra Negrini atua no automático, de forma caricata e nada empolgante. E, no final, o ritmo decai um pouco.

Ou seja, Dois Coelhos não é um Scott Pilgrim Vs. O Mundo (2010), mas ainda assim, consegue fazer o dever de casa BONITO. Para a primeira incursão de um diretor no cinema, como é o caso de Afonso Poyart, é, sem dúvida, MUITO BONITO.

A sacada, no entanto, é que Dois Coelhos não tenta uma superexposição dos dramas sociais das favelas como é comum na maioria dos filmes brasileiros. A ideia aqui não é essa. O cenário é utilizado unicamente como pano de fundo para a ação. O objetivo de Dois Coelhos é, claramente, o entretenimento pelo puro entretenimento. É um filme que abusa de efeitos especiais, metalinguagem e teias de intrigas cerebrais, mas que é, antes de tudo, um filme de ação que promete divertir (especialmente) o público dinâmico do mundo contemporâneo, o mesmo que difundiu o trailer do longa pelas redes sociais e tornaram-no amplamente esperado.

A expectativa elevada mostra que o público deseja ver coisas diferentes e novidades no cinema nacional, basta que alguém meta a cara e faça, ouse. Afonso Poyart fez. Depois de tentativas fracassadas como Besouro (2009) e Federal (2010), temos filmes um bom filme de ação nas telas brasileiras, que tem tudo para agradar, especialmente àqueles que tenham uma dose saudável de mente aberta.

Dois Coelhos é tão diferente do que estamos acostumados que, segundo o próprio diretor, foi caracterizado pelo Ministério da Cultura como “filme de sobrevivência”. Ou seja, não souberam classificar o longa e criaram um gênero só para ele. E isso é foda!



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