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As Aventuras de Tintim

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Tintim é um personagem tipicamente aventuresco, com uma aparência meio estranha, protagonista de uma série de histórias em quadrinho criada pelo belga Hergé em 1929. Basicamente, o jovem é um repórter investigativo dotado de uma curiosidade insaciável, que sempre o envolve em casos criminais ou conspirações políticas. É um herói nobre, esperto e corajoso, o estereótipo clássico, sem grande variação de caráter (e isto é uma crítica positiva).

As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin, 2011) traz este herói para as telonas com simplicidade, ação e bom humor. É um prato cheio para uma diversão despretensiosa. O longa, dirigido por Steven Spielberg e produzido por Peter Jackson, capta com eficiência a atmosfera dos quadrinhos. Sobretudo, tem a marca de Spielberg em cada sequência, em cada mínimo detalhe. Para completar, traz as vozes de Jamie Bell como Tintim, Andy Serkis como Capitão Haddock, Daniel Craig como Sakharine e a inseparável dupla Nick Frost e Simon Pegg como a inseparável dupla Dupond e Dupont.

A história, que segue mais ou menos os padrões dos quadrinhos, é uma profusão ininterrupta de sequências de aventura, comédia e ação, ora em doses homeopáticas, ora tudo junto na tela de forma alucinante. Quando vem em doses homeopáticas, como na primeira meia-hora, o filme fica um pouco monótono. De fato, a trama demora um pouco a engrenar e só ganha ritmo na segunda metade. Mas, quando ganha ritmo e joga tudo junto na tela de forma alucinante, o filme torna-se sensacional.

A mistura do monótono e do alucinante faz de Tintim o que ele é.

Não sobra espaço para grandes reflexões sobre história pregressa ou dramas existenciais dos personagens. Há um pouco disto nas tentativas repetidas (e, geralmente inúteis) de Tintim contra a ânsia por bebida do amigo Haddock. O longa trabalha de forma sóbria (perdão pelo trocadilho) esta questão do alcoolismo, sem super-dramatizar o assunto, o que não convém ao enredo, ou atenuar demais a questão só por causa das frágeis sensibilidades do mundo moderno (que constantemente levam à censura velada). Spielberg não deixa a essência do personagem de fora de sua narrativa. O Capitão Haddock, como nos quadrinhos, é o típico marinheiro rabugento, que vive embriagado e está sempre propenso aos acidentes mais bizarros. Ele é uma das peças mais divertidas do filme e garante um dos arrotos mais memoráveis da história do cinema. Não obstante, Andy Serkis empresta a voz ao capitão com charme e grandeza.

A trama em si é ágil e muda rapidamente da terra, para o mar e para o deserto e para a cidade e para o porto, de batedores de carteira para piratas e para xeiques, com muitas cenas de perseguição, alucinações, peripécias acrobáticas, tiroteios e lutas de espadas. Mas, nada se compara ao duelo final entre Haddock e Sakharine, que lembra os combates de robôs gigantes típicos de seriados japoneses como Changeman (1985) ou Flashman (1986) com efeitos visuais absurdamente melhores. Obviamente, não vou contar o que realmente acontece porque estragaria o charme. Mas, posso dizer que traz de forma louvável para o mundo moderno os duelos de navios piratas das clássicas histórias de capa e espada.

A sequência de ação que ocorre perto do fim condensa bem todas as características do filme. São quase dez minutos ininterruptos de tomadas de Tintim na moto dele descendo uma colina sinuosa em busca de um item valioso para a jornada dele. É de tirar o fôlego. Ali, está exaltada toda a qualidade técnica da animação. A captura de movimentos é perfeita e as variações de ângulos e câmeras são excepcionais, dignas do grande cineasta que conduz todo o espetáculo. Não há leis da geografia ou da física nesta sequência, apenas a mais pura diversão de acompanhar uma cena de ação que vai para todas as direções imagináveis e até mesmo improváveis, onde o corajoso herói e o tresloucado companheiro dele encontram as soluções mais criativas para sair das enrascadas e resolver os conflitos. Soma-se a eles o fox terrier de estimação de Tintim, Milu. O cachorrinho é esperto como o dono, talvez mais esperto que todos os personagens da trama, e rende momentos impagáveis. De longe, Milu é o melhor personagem do filme.

Todo este apuro visual torna-se ainda mais impressionante com o 3D… e, mais ainda, com o IMAX. A animação é agradavelmente adaptada ao uso do recurso e, nas sequência de ação, salta aos olhos, empolga. Steven Spielberg já mostrou que sabe o que fazer com um 3D em Transformers: O Lado Oculto da Lua (2011). O diretor sabe exatamente o que faz.

Tintim é um herói antiquado, que usa nada mais do que sagacidade e entusiasmo ingênuo. Apesar das semelhanças narrativas, ele não é um Indiana Jones em Os Caçadores da Arca Perdida (1981), nem um Jack Sparrow em Piratas do Caribe (2003). Ele simplesmente faz o melhor que pode para solucionar os mistérios que a vida lhe apresenta e sobreviver a eles. Spielberg mostra habilidade para capturar os movimentos e a essência de um herói que tem um espírito sempre aventureiro e otimista, sem parecer bobo ou infantil demais. O cineasta capta algumas das mais puras emoções que alguém pode esperar testemunhar numa tela de cinema. As Aventuras de Tintim é o tipo de diversão que empolga e vale a pena.

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