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Tudo Pelo Poder

Tudo Pelo Poder

Gestão das expectativas é uma ferramenta de suma importância na política contemporânea. O que importa não é quão eficazes ou ineficazes são as pessoas envolvidas com a política, mas o quão capazes eles são de sobrepujar o que as pessoas normais e, mais importante, a mídia esperam deles. Tudo Pelo Poder (The Ides of March, 2011) começa tocando nesta premissa básica, nos conduzindo através de uma disputa política que, aparentemente, é o foco principal da trama. Então, subitamente, o filme muda e descobrimos que a história a ser contada é outra. A política transforma-se num mero pano de fundo para uma análise aprofundada de até onde pode chegar a ambição humana.

O filme conta a história de um governador, Mike Morris (George Clooney, que também é roteirista e diretor do longa), na corrida eleitoral pelo cargo de presidente dos Estados Unidos. Somos apresentados a um candidato aparentemente perfeito e que sabe como conquistar eleitores. Mais do que isso, somos apresentados às pequenas nuances da política americana, algo que para nós, brasileiros, é um pouco obscuro, pois eles possuem uma forma muito diferente de eleger seus representantes. Porém, este cenário político é mostrado sutilmente, sem grandes alardes ou detalhes técnicos excessivos. Tudo Pelo Poder não é um Todos os Homens do Presidente (1976).

Quando você acha que adaptou-se a trama, ela muda. Então, somos apresentados ao assessor perfeito, o homem por trás do candidato perfeito. Ele é Stephen Myers (Ryan Gosling), um jovem que vive e respira política e nasceu para chegar ao poder (ou levar os outros até este objetivo). Ele é o cara certo, charmoso, caristmático, esperto, mas que ainda não foi lapidado pelo cinismo político que toma conta dos sujeitos mais velhos neste ramo… pelo menos, não ainda.

Ryan Gosling é, sem dúvida, o homem do momento e seu desempenho é excepcional. Depois de sua atuação em Drive (2011), onde ele conta com ações e não palavras, o ator mostra que ele também pode trabalhar com diálogos rápidos e afiados, ofuscando até mesmo os veteranos com quem divide as cenas. Não só isto, com este filme, Gosling comprova que tem uma impressionante versatilidade para os papéis que aceita no cinema. Ele é a peça mais importante neste jogo de poder. O elenco de apoio completa o tabuleiro com nomes notáveis e que concedem ainda mais peso ao filme. Estamos falando de George Clooney, Philip Seymour Hoffman e Paul Giamatti, que surgem na tela com a qualidade esperado e entregam personagens fortes dentro do contexto com atuações firmes. Vale destacar a participação de Evan Rachel Wood que, apesar do pouco tempo de cena como a estagiária Molly Stearns, demonstra ser um talento em ascensão. Para completar, Marisa Tomei dá o ar de sua sempre bem-vinda graça como a cínica jornalista Ida Horowicz.

No mais, Tudo Pelo Poder é uma ode sobre o crescimento e o amadurecimento, não necessariamente no bom sentido. Não é simplesmente sobre ficar velho e de cabelos grisalhos, mas sim, sobre aprender a tornar-se um abutre em meio aos gaviões. Quando se é jovem, é fácil acreditar que o mundo está aos seus pés, mas rapidamente pode surgir alguém mais velho e mais esperto para puxar o tapete sobre estes mesmos pés. É um fato que um dia você vai cair e, com esta queda, você tem duas escolhas, repetir seus erros ou aprender com eles, amadurecer e superá-los. Mesmo um jovem pode tornar-se uma raposa velha e cínica antes da hora, se as circunstâncias moldarem-no desta forma e sua ambição for desmedida a tal ponto. Tudo Pelo Poder é um filme intenso porque mostra que o homem deve aceitar as mudanças de forma deturpada e corrupta, mas, ainda assim, admirável. Infelizmente, na política, as coisas são assim e, às vezes, na vida também.

O enredo escrito por George Clooney é sólido e conciso, uma grata surpresa. A trama transcorre ligeira, no entanto, isto não compromete a narrativa nem deixa pontas soltas. Até certo ponto, como em Boa Noite, e Boa Sorte (2005, que também é escrito e dirigido por Clooney), Tudo Pelo Poder é um thriller que destrincha com eficiência o lado obscuro da política como um todo, apesar do foco norte-americano. Porém, é essencialmente um conto sobre a moralidade e as mudanças tempestivas que as variações morais podem trazer a uma pessoa.

Você tem que saber lidar com as mudanças e entender o jogo. Até que ponto você vai ser ético e moralmente aceitável em seus atos é uma escolha inteiramente sua. Se você comete um erro, perde o direito de jogar. Mas, se tiver a carta certa na manga, a última cartada pode ser a sua.

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