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Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

Missão: Impossível – Protocolo Fantasma

Tenso. É a palavra que melhor define Missão: Impossível – Protocolo Fantasma (Mission: Impossible – Ghost Protocol, 2011). Poucos filmes conseguem provocar as sensações que este longa provoca no espectador. O longa parte de uma ideia simples, a dos protagonistas que se vêem subitamente transformados em marginais e são caçados por aliados e inimigos e ainda precisam salvar o mundo… de uma guerra nuclear qualquer!

Na trama, quando um atentado terrorista destrói o Kremlin, a sede do governo da Rússia, o governo dos Estados Unidos inicia o “Protocolo Fantasma” contra a IMF e renega a força especial inteira. Ethan Hunt (Tom Cruise) e sua equipe são responsabilizados pelos ataques, mas conseguem ajuda para escapar e operar secretamente, mas sem qualquer ajuda do governo e de aliados. Eles estão sozinhos, com tecnologia e informações limitadas, e precisam se virar para impedir que ogivas nucleares sejam detonadas e iniciem uma verdadeira guerra nuclear entre os EUA e a Rússia. Para mais uma missão impossível, Hunt conta apenas com o apoio de Jane Carter (Paula Patton), Benji Dunn (Simon Pegg) e William Brandt (Jeremy Renner).

Ethan Hunt está de volta, óbvio, e mais inspirado do que nunca. Tom Cruise, apesar da idade, continua com fôlego de garoto para as cenas de ação (que ele próprio protagoniza, é sempre bom lembrar). Porém, uma das bases do filme é apresentar um espião sênior, que, apesar das habilidades espetaculares, está envelhecendo. A ideia fica bem evidente pela forma como Ethan é tratado durante a história, sempre chamado de “team leader” (líder de equipe). A introdução do personagem Brandt fortalece este conceito. Ethan sempre foi o cara sortudo, que improvisava de acordo com as circunstâncias com base em pura intuição (palpite em inglês pode ser “hunch”, que soa como “hunt”, daí o nome dele), e isso fazia dele um grande agente. Brandt é o oposto, não confia na sorte, apenas na lógica e tem receio de tomar as atitudes necessárias por mais drásticas que sejam. Ethan tem experiência; Brandt, não. Acima de tudo, Ethan é o cara que pula e precisa ensinar o novato a pular também. Velho contra novo, uma premissa básica que o cinema sempre explora e que, no quarto filme de uma franquia de ação bem-sucedida, já era esperada.

Jeremy Renner tem se saído bem como homem de ação, vide Guerra ao Terror (2008) e Atração Perigosa (2010), e o ator ainda vai ser o Gavião Arqueiro de Os Vingadores (2012), já tendo dado uma palhinha do herói no filme Thor (2011). Ele tem uma expressão carrancuda, de sujeito mal-encarado que mete medo nos inimigos. Aqui, como novato, seu Brandt parece estar sendo treinado como pupilo por Hunt (até o sobrenome exótico ele tem). É como se a série Missão: Impossível estivesse passando a bola adiante, pois, em algum momento, Cruise terá que se aposentar. Brandt, no entanto, ainda é um personagem bruto e indefinido e não mostra muito a que veio, mas, se bem trabalhado, poderia render um substituto interessante. Jeremy Renner é mais carrancudo e menos carismático do que Tom Cruise, fato! Porém, Daniel Craig também é mais carrancudo e menos carismático do que Pierce Brosnan e, mesmo assim, o novo James Bond é tão bom quanto o antigo.

Todavia, apesar de tudo que foi dito acima, cabe mencionar que há uma diferença que prevalece entre Missão: Impossível e 007. A cada filme, Ethan Hunt parece ser insubstituível. Missão: Impossível sem Ethan Hunt/Tom Cruise provavelmente não seria o mesmo, independente da qualidade do personagem/ator que ascendesse em seu lugar.

O rol de atores completa-se com um time que colabora com o desenvolvimento frenético da trama. A pouco conhecida Paula Patton aparece como uma agente bem desenvolvida, não um simples apoio/trampolim para Cruise. Sua Jane dosa adequadamente entre força e sensualidade. Simon Pegg, conhecido por atuações impagáveis em Todo Mundo Quase Morto (2004) e Chumbo Grosso (2007), está igualmente impagável. Seu Benji é o alívio cômico do filme e tem aqui um trabalho ainda mais delicado, porque as cenas são EXTREMAMENTE tensas e precisam de alguns momentos descontraídos. As tiradas dele arrancam boas risadas, junto com a cara de bobo que o ator naturalmente faz em cena. Vale uma menção rápida às participações especiais da lindíssima francesa Léa Seydoux, que interpreta a assassina Sabine Moreau, e de Josh Holloway, o inesquecível Sawyer da série Lost (2004). Há ainda a aparição relâmpago de um velho (e adorado) conhecido da série para frisar ainda mais que Ethan Hunt está ficando velho.

Mas, como supracitado, não há idade que segure a ação do filme. Se os personagens estão evoluindo com a experiência, a ação também está… e torna-se cada vez mais impossível. As sequências são simplesmente espetaculares, de cair o queixo. O longa manteve boa parte da atmosfera criada pelo agora produtor J.J. Abrams em Missão Impossível 3 (2006), onde os personagens e a história em si foram mais humanizados, beirando um pouco o que poderíamos de chamar de “realidade aceitável”. Neste quarto, a humanização continua e a “realidade aceitável” fica por conta das falhas e dos erros que acontecem a todo instante nas operações dos agentes; falhas tecnológicas e erros humanos mostram que nem sempre tudo dá certo, exatamente como é a vida. Porém, o diretor Brad Bird encerra a “realidade aceitável” por aí. No quesito ação, é só ousadia. As sequências são EXTREMAMENTE tensas (sim, estou repetindo) e causam VERTIGEM genuína. O prólogo é fantástico e culmina numa abertura em computação gráfica empolgante. E a cena do prédio de 130 andares em Dubai são cerca de dez minutos onde, na pior situação possível, tudo dá errado; ao espectador, resta acompanhar o desenrolar dos fatos atentamente e com o coração na boca de desespero. Definitivamente, este não é um filme para corações fracos ou hipertensos. Especialmente, se visto em IMAX (o que eu aconselho fortemente). Sobretudo, Missão: Impossível – Protocolo Fantasma é o melhor da série e o primeiro filme live-action genuinamente emocionante a ser exibido no cinema em anos.

Assistir a este filme é a sua missão, caso decida aceitá-la.

Esta crítica não vai se autodestruir em 5 segundos! Tivemos uma pane no sistema.

Acho melhor acender o pavio.

Nível Épico

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  • http://dicaaleatoria.wordpress.com/ Carolina Souza

    Fodasso o filme! Daniel e eu assistimos ontem. Respiração presa, humor e ação na medida certa!

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