Cinema

A Fera

A Fera

A Fera (Beastly, 2011) é mais um destes romances adolescentes que têm saído nos cinemas inspirados em algum livro — aqui, no caso, no livro homônimo de Alex Flinn. Não li o livro, portanto, vou me ater ao filme. Todavia, vou procurá-lo e lê-lo, pois o filme despertou meu interesse para tanto.

A ideia básica da história tenta modernizar o clássico conto de fadas A Bela e a Fera (1740), da francesa Gabrielle-Suzanne Barbot. Como de praxe neste tipo de produção, tudo é muito simplório e superficial, o que não significa que seja um completo desperdício. Hoje em dia, muitos torcem o nariz só pela mera menção do termo “adolescente” na concepção de qualquer livro ou filme. Bem, não é meu caso. Sou MUITO fã da versão original de A Bela e a Fera e sou MUITO fã de literatura/cinema adolescente. Por pura curiosidade, resolvi assistir a esta fábula moderna, desarmado e sem pretensões. Logo, o filme até que é divertido.

Não é apaixonante, lindo, magnificente como A Bela e a Fera… apenas um passatempo rápido, indolor e (sim) divertido.

Na trama, Kyle Kingson (Alex Pettyfer) é um estudante que foi ensinado durante toda a vida que aparência e popularidade é tudo. Por causa disso, tornou-se uma pessoa fria, narcisista e cruel. E ele nunca fez questão de esconder esta personalidade. No entanto, Kyle tenta humilhar uma garota excêntrica e tida como feia na escola chamada Kendra (Mary-Kate Olsen). Para o azar dele, a garota é uma bruxa e lança sobre ele uma maldição que o torna tão feio por fora quanto é por dentro. Agora, somente o verdadeiro amor poderá remover o feitiço, mas este amor deve ser encontrado no período de um ano ou Kyle ficará feio para sempre. A possibilidade surge com uma menina descolada e tranquilona chamada Lindy (Vanessa Hudgens), que não tem medo da figura horrível em que Kyle se transformou. Para conquistar sua bela, a fera conta com o apoio de sua empregada Zola (Lisagay Hamilton) e de um peculiar tutor cego (Neil Patrick Harris).

A história é simples e direta, contada ao longo de rápidos 90 minutos, o que nem deixa muito espaço para reclamar dos defeitos — que existem aos montes, claro. O lance todo aqui é a premissa, que vai de encontro ao culto a beleza que impera na sociedade contemporânea. Acredito, aliás, que a temática do livro seja justamente esta — o longa apenas aproveitou-se dela em seu roteiro. De fato, muitos diálogos envolvem questionamentos sobre o belo e o feio, sobre a importância que o mundo atual dá para a beleza e se esquece do conteúdo, sobre amar ou não amar alguém pelo que a pessoa é e não por causa de aparência. São questões trabalhadas de forma rasa em prol do romance entre os protagonistas, mas que, ainda assim, estão lá. Este não é também o tipo de filme que espera despertar grandes reflexões com profundidade inexorável.

Os personagens é que são o atrativo. Alex Pettyfer é uma exceção; ele não é bom ator e não está bem aqui; porém, é sustentado pelo restante do elenco. Na verdade, Pettyfer estava melhor em Eu Sou o Número 4 (2011). Mary-Kate Olsen, quem diria, conseguiu sair um pouco daquele estereótipo de menininha do Três é Demais (1987), que a persegue há anos. A mórbida personagem da atriz é interessante com todo o seu mistério, embora também seja um pouco exagerada às vezes. Olsen ficou bem no papel. Temos ainda o instrutor cego de Neil Patrick Harris, que é carismático, incrédulo até certo ponto (ou metaforicamente cego) e divertido — de longe, o personagem mais legal do filme.

E, por fim, Vanessa Hudgens, que merece um parágrafo só para ela porque é a razão de ser do filme e quem, provavelmente, vai levar o público ao cinema. Eu GOSTO da atriz — sem nenhum motivo específico, apenas gosto de assistir aos trabalhos dela, especialmente depois que a vi em Sucker Punch – Mundo Surreal (2011). Em A Fera, ela agrada com a doçura que esconde seu olhar sedutor. Obviamente, o filme não exige muito dela. Mas, o que importa, é a Vanessa Hudgens. E, sim, eu acho-a MUITO BONITA. Num filme sobre beleza, isto é meio inevitável.

Além disso, lembra do mundo contemporâneo que falei anteriormente? Pois é… eu vivo nele. Você também. Não faz mal procurar um pouco de beleza nas coisas quando você olha de longe. Como tudo na vida, o exagero é que cria o problema. Uma análise um pouco mais minuciosa pode revelar mais das coisas do que supõe qualquer vã filosofia.

O conteúdo? Bem, o filme é raso; esta crítica, um pouco rechonchuda. Apesar da superficialidade, consegui encontrar o que dizer sobre ele e acabei escrevendo mais do que pretendia. Será que é mesmo tão difícil encontrar o conteúdo em alguma coisa? Ou será que as pessoas procuram no lugar errado ou da forma errada? Na verdade, normalmente elas nem estão dispostas a encontrá-lo só porque ele está camuflado embaixo de uma carapaça de beleza fútil ou intolerância irrefutável.

A Vanessa Hudgens está ali para desencavar este conteúdo escondido; para mostrar que nem tudo o que é belo é vazio, nem tudo o que é feio é grotesco. O convencional cria apenas cegueira.

O cego, não é só aquele que não quer ver, mas aquele que não quer procurar, seja por preguiça, seja por preconceito.

Olha só, há um cego na história! Teria este algum significado? Ou é apenas um mero detalhe?

Quem sabe…

Nível Básico



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  • http://serialreader.net Tita Mirra

    Eu li o livro e vi o filme… O livro – assim como o filme – não tem profundidade mas é divertido. É romance adolescente e ponto. Mas gostei da sua crítica! Eu tb reconheço o valor de um guilty pleasure :)

    • http://www.nivelepico.com/ Alan Barcelos

      É isso, guilty pleasures! Sempre me divirto com eles. :-)

      Obrigado!

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