Mãe

Você Viu?

O Gato de Botas

O Gato de Botas

O Gato de Botas é um desses personagens que cativam o público à primeira vista. Fez sua estreia gloriosa em Shrek 2 (2004). Era um bichano de ação, de romance, de carisma. Era divertido como poucos. Desde então, apareceu em todas as continuações do ogro verde, mas, esperava por mais… praticamente exigiu um filme só dele na garra. E este filme, enfim, saiu. O Gato de Botas (Puss in Boots, 2011) surge com a proposta simples de aprofundar a história do lendário felino e nos apresenta um pouco de sua agitada origem.

O Gato de Botas (mais uma vez, com a voz de Antonio Banderas) é o fora da lei mais procurado do mundo. É temido e adorado. Não pode ver ouro ou uma bela chica felina, afinal, é um ladrão e um amante. Porém, há um tesouro que ele sempre almejou, mas nunca conseguiu: os feijões mágicos — aqueles mesmos de João e o Pé de Feijão, que leva até o castelo do gigante que guarda a galinha dos ovos de ouro. Ele descobre que os feijões existem de fato e parte numa jornada para obtê-los, com a ajuda da gatinha Kitty Pata-Mansa (Salma Hayek) e do bisonho ovo Humpty Dumpty (Zach Galifianakis). Juntos eles embarcam numa aventura por este maravilhoso tesouro, mas o Gato se vê envolvido numa trama ainda maior e mais perigosa do que imaginava.

No quesito animação, a Dreamworks continua excelente, especialmente quando se trata da ação. O Gato de Botas, de um modo geral, tem aquela cara de espetáculo que só a Dreamworks sabe fazer. Dá para notar que os personagens foram construídos digitalmente após a dublagem, como disseram Banderas e Hayek na coletiva de imprensa que deram no Rio, pois os movimentos faciais e as expressões corporais sincronizam perfeitamente com as falas. A sequência inicial de dança entre o Gato de Botas e um misterioso rival é fantástica e para lá de divertida. As cenas e os cenários são belíssimos. O diretor Chris Miller conseguiu criar um conto de fadas agradável e que mistura influência desde westerns spaghetti de Sergio Leone a filmes como Indiana Jones (1981), A Balada do Pistoleiro (1995) e A Máscara do Zorro (1998).

No entanto, o que a Dreamworks tem de tato para a ação e o visual, lhe falta de qualidade narrativa. Ela não consegue explorar elementos de emoção, paixão e trova como uma Pixar da vida. E este é o problema do longa. Primeiro, o enredo poderia ter sido mais inspirado no conto original, escrito em 1697 pelo francês Charles Perrault. Tal referência faz falta e poderia ter rendido um toque a mais de emoção ao invés da trama piegas sobre a mãe adotiva do Gato de Botas. Outro problema é a humanização exagerada do personagem. Quando o primeiro Shrek (2001) estreou, sua proposta era nitidamente subverter os contos de fadas e o ideário do herói comum. Quando o Gato de Botas foi introduzido no segundo, esse conceito foi reforçado por sua índole duvidosa e seu jeito anti-heroico. O Gato era um anti-herói e, não é porque ganhou um filme solo, que ele precisava se desvencilhar totalmente desta característica. Isto prejudica porque descaracteriza o que tornou o personagem adorado desde sua aparição. Por fim, o mais irritante problema de todos: o ovo Humpty Dumpty. Ele aparece com uma trama boba e sem graça e, apesar de ter relevância para o roteiro, é um personagem muito (muito) chato. Os dois protagonistas são as verdadeiras almas do longa. A interação entre o Gato de Botas e Kitty Pata-Mansa movimenta a história e atrai o público para a ação. Além disso, Antonio Banderas e Salma Hayek têm uma química inegável. O roteiro não é ruim, só longo demais na ação e curto demais na comédia.

O Gato de Botas é um produto infinitamente melhor do que os últimos dois filmes de Shrek (2007, 2010), mas não atinge o nível de um Kung Fu Panda (2008), que trabalha tanto a ação quanto a narrativa com igual eficiência. Ainda assim, é um filme feito para divertir e agradar o público já cativado pelo personagem e até mesmo aqueles que ainda são indiferentes. De fato, é impossível ficar indiferente ao Gato de Botas. Ele é um gatuno, um canalha, um sem vergonha, um amante, um mito, e tem aquele olhar de inocência infalível. Tente resistir a ele… se puder!

Nível Heroico



Apoie
Compartilhe este Post

Posts Relacionados



Inscreva-se no Canal

Resenhas Populares

Rogue One: Uma História de Star Wars

Rogue One: Uma História de Star Wars

It: A Coisa

It: A Coisa

Planeta dos Macacos: A Guerra

Planeta dos Macacos: A Guerra

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Raw

Raw

Siga no Bloglovin’

Follow

Vem Com a Gente

Curta e Compartilhe

Aperte o Play

Nível Épico em Imagens