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Os Especialistas

Os Especialistas

Os Especialistas (Killer Elite, 2011) é um filme de ação baseado no romance The Feather Men (1991), de Ranulph Fiennes, um livro originalmente lançado como uma obra de não-ficção, mas cuja veracidade foi negada e o próprio autor, hoje em dia, afirma ser uma ficção. A adaptação foca em dois assassinos, Danny (Jason Statham) e Hunter (Robert De Niro). Danny é um assassino aposentado, que largou a vida de matança por crise de consciência e por causa de uma mulher, Anne (a sempre bela Yvonne Strahovski, do seriado Chuck). Hunter é um veterano que se recusa a fazer um trabalho e acaba sendo aprisionado por um poderoso sheik do Oriente Média. Danny é trazido de volta a ativa para libertar Hunter do cativeiro. O objetivo: matar três homens da corporação especial das forças armadas britânicas, o SAS (Special Air Service), que mataram os três filhos do sheik em Omã durante a batalha com as guerrilhas comunistas. Porém, durante o serviço, Danny precisa lidar com outro problema, o assassino Spike (Clive Owen), contratado pelo The Feather Men, um grupo de empresários ex-SAS que protege antigos membros do SAS e luta para impedir que o passado se torne uma mancha em suas vidas presentes.

Apesar de se dizer inspirado em fatos reais e baseados no livro de Ranulph Fiennes (que, inclusive, aparece como personagem no longa), Os Especialistas não guarda grande fidelidade com a obra original. O livro, por exemplo, se passa ao longo de 17 anos, enquanto o filme resolve todos os seus problemas em cerca de um ano e meio. No livro, o sheik tinha apenas um filho assassinado, enquanto no filme, são três filhos mortos e um ainda vivo. Além disso, em nenhum momento são mencionados os nomes das organizações que movimentam a trama, o que empobrece o roteiro. Os assassinos, no livro, são conhecidos como The Clinic (Os Clínicos), o que, no longa, acredito ser o nome da organização comandada pelo agente (interpretado por Adewale Akinnuoye-Agbaje). O agente e a organização são trabalhados de forma muito distante e, no final, do nada, o personagem demonstra ter alguma relevância para as intrigas da trama, mas como foi pouco desenvolvido, passa batido e, até mesmo, fica parecendo forçado. O nome da organização The Feather Men (Os Homens Pena) também não é mencionado, fica subentendido por causa do cartão com um desenho de pena que seus agentes carregam. Porém, os homens pena também são tratados o mais superficialmente possível, e isto afeta até mesmo o desenvolvimento de Clive Owen, que não tem muito com o que trabalhar.

Robert De Niro, infelizmente, vive uma situação indelicada na carreira. Depois de anos como um dos maiores astros de Hollywood, ele está relegado a papéis secundários. No prólogo (meio desnecessário), ele aparece e você pensa que ele vai ser realmente importante na trama, mas, no fim, ele está apenas como trampolim para Statham e Owen.

O que acrescenta alguma qualidade ao longa é justamente Jason Statham. O ator está parcialmente inserido em sua zona de conforto: o fora-da-lei de boa índole e que deseja viver em paz longe da vida de crimes. Statham é o tipo de ator que inspira esta sensação, como já mostrou em Carga Explosiva (2002), Uma Saída de Mestre (2003) ou Assassino a Preço Fixo (2011). Você olha para ele, vê a cara de sujeito mal, mas sabe que ele é um herói. Ele ainda tem a mistura adequada de vibração máscula e postura friamente distante que torna um brucutu de filmes de ação interessante, e ainda ostenta uma dose de humor sobre si mesmo e sobre os outros. Isto ajuda muito Os Especialistas. Todavia, o drama do assassino tentando se redimir acaba sendo tão raso quanto o restante do roteiro. No fim, o que importou mesmo para o roteirista Matt Sherring e para o diretor Gary McKendry foi a ação.

No quesito ação, o filme é divertido. Não exige muito de Statham nem do restante do elenco. Porém, é difícil não se empolgar nas sequências de luta quando o ator está envolvido. A cena em que ele luta amarrado em uma cadeira contra seus captores é mirabolante e sensacional. No mais, a ação é bastante pedestre, com muita correria, perseguições por terrenos baldios, estradas ou telhados, nada muito original ou diferente do que já tenha sido visto por aí. A ideia de duas equipes de operações especiais clandestinas envolvidas num jogo de gato e rato, olho por olho, dente por dente, é intrigante. Mas a premissa é rapidamente esquecida na segunda metade do longa e perde a chance de apresentar algo realmente inesperado, contentando-se apenas com as sequências de ação elaboradas. Poderia ter se equiparado a magnitude de Munique (2005), mas ficou só na diversão, sem inovação. Infelizmente, a profusão de cenas de ação num roteiro superficial faz de Os Especialistas um filme confuso e apenas mediano.

Nível Heroico



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