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Supergods

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Supergods

Grant Morrison é um roteirista sui generis no mundo dos quadrinhos. Seu trabalho, tanto o mais pessoal quanto o mais comercial, está todo calcado em sua peculiar visão de mundo, que mistura misticismo, teorias científicas difíceis de serem comprovadas, psicodelismo, surrealismo e liberalidade sexual e de pensamento. Dessa aparente salada de referências vieram algumas das melhores HQs de super-heróis das últimas décadas, como Batman: Asilo Arkham (1990), Homem-Animal (1988) e Grandes Astros DC: Superman (2005), entre outras. Além de boas histórias, Morrison sempre se destacou por ser um autor que reflete o universo dos supers, indo sempre além do óbvio. Quando anunciou que estava escrevendo um livro de não-ficção sobre o tema, os holofotes todos se viraram para ele.

O resultado é o livro Supergods: What Masked Vigilantes, Miraculous Mutants, and a Sun God from Smallville Can Teach Us About Being Human (2011), publicado pela editora Spiegel & Grau. O livro é uma viagem de 444 páginas pela visão pessoal do autor sobre os super-heróis, e é uma viagem que vale a pena.

Morrison começa contando sobre o surgimento dos supers nos quadrinhos, se focando na origem do Superman e Batman, para depois passar aos outros heróis. Em seguida, vai se aprofundando nessa lição de História, comentando o Código de Ética, a criação do Universo Marvel, os quadrinhos dos anos 70, a Era Sombria dos anos 80, a Era Image nos anos 90, chegando por fim às HQs deste início de século XXI. Paralelamente, o autor mistura a isto sua autobiografia e fofocas de bastidores, tornando assim a leitura única, sem o rigor de um trabalho acadêmico, mas ao mesmo tempo muito bem embasada.

Ao descrever suas aventuras favoritas, dá pra perceber que ainda hoje ele mantém sua empolgação. E seus comentários únicos, como a observação de que Jimmy Olsen não via a hora para se travestir, tornam a leitura muito mais interessante e divertida. Também não podia deixar de comentar sua principal obra em quadrinhos, Os Invisíveis (1994), onde sua vida pessoal passou a se confundir com a do personagem principal.

O autor se utiliza de várias teorias de comprovação duvidosa, como a de que o universo dos super-heróis existe numa realidade diferente, a segunda dimensão, com a qual podemos interagir por meio dos quadrinhos. Ou a de que nossa cultura muda da posição de conservadora para transformadora, em movimento pendular, por causa de variações nas ondas de eletromagnetismo das explosões solares. Mas como o próprio Morrison diz no livro, essas teorias não são levadas ao pé da letra, são apenas ferramentas para se interpretar a cultura pop, e convenhamos, é bem divertido seguir por estas linhas de raciocínio não convencionais.

O que não impede de que algumas de suas conclusões sejam levadas a sério. Por exemplo, quando afirma que a ideia dos super-heróis não irá mais ser esquecida, e que o seu sucesso no cinema indica que encontraram uma maneira de estar presentes para um número maior de pessoas, ele não deixa de ter razão. Também parece razoável sua afirmação de que, em um futuro próximo, teremos alguns super-heróis presentes no mundo real, pois a tecnologia eventualmente irá evoluir para que isto seja possível. Ou seja, o livro não é apenas um relato histórico, mas uma tentativa de refletir sobre este conceito tão poderoso.

A conclusão do livro é então uma proposta para que os supers abandonem de vez a Era Sombria, e que passem a ser modelo do que há de melhor em nossa condição humana: não só de comportamento, mas principalmente de nossa evolução, onde possamos deixar de lado o cinismo e possamos aproveitar a vida e não termos vergonha em amar ou sermos amados. Super-heróis como utopia, parece ser esta a palavra final de Morrison.

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