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Reféns

Reféns

Reféns (Trespass, 2011) é um daqueles thrillers que seguem uma via de mão única, como O Quarto do Pânico (2002) ou Horas de Desespero (1955, no qual, aliás, este filme é inspirado). Não há muito aonde inovar e o único caminho a seguir pode terminar numa solução inteligente ou num beco sem saída. A história de um casal rico e sua filha que se tornam vítimas de um assalto que vira uma bola de neve de caos não é nova e, neste caso, até tenta explorar algumas pequenas variações que refletem a cultura contemporânea, como celulares, cofres eletrônicos e sistemas de segurança sofisticados, mas não consegue fugir o previsível e tudo volta para o basicão: material inflamável, isqueiros, pistolas, disparadores de pregos etc. Confesso que em determinado momento, esperei solenemente que os reféns corressem para um quarto do pânico e se trancassem lá durante o resto do filme.

O longa é estrelado por dois atores que costumam atrair o público ao cinema: Nicolas Cage e Nicole Kidman. Eu, por exemplo, fiquei interessado no filme por causa deles (gosto dos dois). Eles interpretam o casal Kyle e Sarah Miller, que vive numa mansão moderna, mas distante e fria — algo como uma geladeira conceitual. O cenário é concebido como uma expressão do relacionamento entre os dois e, neste sentido, o filme acerta bonito. Kyle é um comerciante de diamantes obcecado com trabalho e Sarah é a esposa ignorada, mas que tenta manter a chama da família e do casamento. Eles têm uma filha adolescente, Avery, que sai escondida para uma festa. A menina é interpretada por Liana Liberato e, de longe, é a melhor parte da produção. Ela aparece segura como uma adolescente que ainda oscila entre a rebeldia e a maturidade. Liana, que já mostrou talento no longa Confiar (2011), mostra que tem potencial para crescer na carreira. Em Reféns, ela se sai melhor até mesmo que os veteranos que interpretam seus pais. Também gosto da atriz e também confesso que o nome dela no elenco chamou mais ainda minha atenção para o filme.

Os assaltantes são pouco expressivos. São um brutamonte violento, um tolo ingênuo, uma bipolar histérica e um psicopata obsessivo. O objetivo em comum é interesse na fortuna em diamantes de Kyle, mas outros objetivos menores vão surgindo e formando subtramas fracas e que acabam com o ritmo (já lento) da trama. Alguns flashbacks aparecem para explicar algumas coisas (que são óbvias) e só pioram a situação. E as negociações entre reféns e sequestradores são vazias, chatas e, em certo ponto, repetitivas. O final é igualmente inexpressivo. Se tivesse explorado os segredos por trás do assalto de uma forma mais ousada (e, talvez, vil) provavelmente teria conseguido um desfecho mais digno de um thriller. Porém, ao manter o lugar comum, acaba soando como um mero drama familiar disfarçado em assalto.

Joel Schumacher peca por não ousar. Ele não é um diretor especialmente talentoso e é mais lembrado pelas gafes terríveis do que pelos acertos em seu currículo. Embora seja o nome por trás de bons filmes como Um Dia de Fúria (1993), O Cliente (1994) e Por Um Fio (2002), também é o dono de bombas homéricas como Batman Eternamente (1995), Batman & Robin (1997), O Fantasma da Ópera (2004) e Número 23 (2007). Como dá para ver, o cineasta não tem feito um grande trabalho nos últimos anos. Reféns é mais uma prova de que ele não está conseguindo inovar na carreira. Se há algum mérito de Schumacher neste longa é que ele, pelo menos, consegue evitar os excessos floridos pelo qual é conhecido.

É um fato que Nicolas Cage e Nicole Kidman têm andado meio apagados do mainstream, atuando em papéis indignos dos atores que eles são. Porém, eles também têm escolhido mal os filmes nos quais investir seu tempo e sua carreira. Reféns parece ser mais um destes casos. É um filme que deprecia ainda mais suas carreiras. É uma pena ver tanto talento desperdiçado. Pelo menos, temos a Liana Liberato, que pode estar começando por baixo, mas que pode chegar ao topo se continuar se saindo bem mesmo quando o roteiro, a direção e todo o resto não ajudam. Como eu disse antes, se Reféns tem algum valor, é pela Liana Liberato. O resto é dispensável.

Nível Básico

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