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11-11-11

11-11-11

Estamos numa época que teoricamente prenuncia um apocalipse. Em 2012, supostamente, o mundo vai acabar. Porém, ao contrário de outras datas apocalípticas, 2012 é visto mais como uma brincadeira do que qualquer outra coisa. Lembro-me do final do século XX, quando a chegada do ano 2000 era sim temida por causa de um também suposto fim de mundo. Naquela época, o terror era algo mais sombrio, trágico e desolador, algo que expressava muito da forma como as pessoas se sentiam em relação ao mundo em que viviam e à suposta proximidade do fim. Naquela época, temas religiosos sobre deus e diabo, armagedom, apocalipse, anticristo etc. tinham mais força e despertavam mais interesse. Não à toa, vários foram os filmes que exploraram tais ideias: Anjos Rebeldes (1995), O Fim dos Dias (1999), Stigmata (1999), O Último Portal (1999), O Corpo (2001), entre outros. Com a vinda do século XXI, muita coisa mudou, inclusive a mentalidade das pessoas, e este estilo de filme tornou-se cada vez mais escasso.

11-11-11 (2011) tenta explorar este gênero já tão esquecido no cinema. Tendo em vista a data e as pertinentes analogias numerológicas, seria uma tentativa louvável… se o filme não fosse tão ruim. Além disso, o conceito não é necessariamente novo e já apareceu na produção canadense 11:11 – A Nova Profecia (2004). O diretor Darren Lynn Bousman, dos péssimos Jogos Mortais 2, 3 e 4 (2005, 2006 e 2007), entrega um filme confuso, com um enredo preguiçoso e desinteressante, incapaz de causar tensão ou sustos. É impressionante que, com as infinitas possibilidades para a icônica data 11 de novembro de 2011, ele só tenha conseguido criar uma história boba sobre perda da fé e fanatismo (religioso ou por escritores de best-sellers). O final é ridículo e, em sua tentativa de promover uma virada surpreendente, denota a maior tragédia do longa: a falta total de criatividade.

A trama acompanha um escritor chamado Joseph Crone (Timothy Gibbs), que perdeu sua esposa e filho num incêndio. Ele tem constantes pesadelos sobre isto e faz terapia em grupo para tentar esquecer os fantasmas de seu passado. Lá, conhece Sadie (Wendy Glenn), que torna-se uma amiga. Porém, um dia (e, devo dizer… do nada!), ele descobre que o pai está morrendo e decide voltar para a Espanha, onde reencontra o irmão Samuel (Michael Landes). Samuel é um pregador fervoroso de uma congregação, que não desperta o mesmo interesse em Joseph. Durante sua estada na casa da família, ele começa a descobrir estranhas relações entre sua vida, o número 11 e a aproximação do dia 11-11-11. E, menciono isto por último simplesmente porque a importância que o roteiro dá ao mistério do número e da data é ínfimo e risível. O tal mistério, quando desvendado, mostra-se raso e sem graça.

O que talvez mais prejudica 11-11-11 é o fato de que a trama gira em torno de um mistério fraco que surge como lapsos numa narrativa enfadonha e sem ritmo. Não funciona, como não funcionou em Número 23 (2007), e olha que este último tinha Jim Carrey. Aqui, não há sequer um chamariz. Os atores desconhecidos não colaboram muito. Wendy Glenn é a melhorzinha em cena, mas aparece pouquíssimo.

O filme ainda se propõe a ser um terror, mas sequer assusta ou causa medo. O enredo não contribui com o suspense e nem mesmo as estranhas figuras encapuzadas causam algum impacto. Tudo é muito cansativo. As questões religiosas e sobre a perda e a recuperação da fé são marteladas em quase todos os diálogos ao ponto de incomodarem pela repetição. O filme em si parece ser o projeto final de faculdade escrito por um aluno preguiçoso. As soluções são as mais simplórias e previsíveis possíveis. Temos uma data como o 11-11-11 que poderia resultar em algo epicamente apocalíptico como as produções do século XX, mas, no final, tudo que conseguimos pensar é: jura que é só isso?! O final sem sentido ou faz você rir de embaraço ou faz você balançar a cabeça de descrença. Triste. 11-11-11 é uma tentativa fajuta de tentar ganhar dinheiro em cima de conjunções numerológicas que normalmente despertam interesse nas pessoas. Não tem boa história, nem bom terror, nem bons personagens, nem bom apocalipse. É praticamente um insulto.

PS: O longa usa (mal) a teoria do 11:11 para embasar boa parte do seu mistério. Numerologistas acreditam que o número está ligado a eventos do acaso ou a presença de espíritos. Muitas histórias também falam sobre a ligação do 11:11 com um portal que representaria um novo começo. O significado de “novo começo”, obviamente, é sempre muito vago. Logo, 11-11-11 seria uma data auspiciosa. Pena que o longa explora a ideia de forma tão pífia. Como eu disse antes, renderia um ótimo retorno aos filmes sobre o apocalipse.

Nível Zero

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