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Filhos do Éden – Livro I: Herdeiros de Atlântida

Filhos do Éden – Livro I: Herdeiros de Atlântida

Filhos do Éden – Livro I: Herdeiros de Atlântida

Filhos do Éden – Livro I: Herdeiros de Atlântida

Filhos do Éden – Livro I: Herdeiros de Atlântida

Depois da mais épica das batalhas, o que poderia vir? Algo poderia ser ainda mais grandioso do que o final dos tempos? Claro que não. E que tal então uma mudança de 180º no foco, nos tirando das alturas e nos deixando tão próximos do chão que dá até pra sentirmos o cheiro da terra? Pois é exatamente esta a sensação do leitor de Filhos do Éden – Livro I: Herdeiros da Atlântida (Brasil, 476 páginas, 2011), do autor carioca Eduardo Spohr.

Depois do sucesso de A Batalha do Apocalipse: Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo (2010), havia grande expectativa entre os fãs de como o autor continuaria sua saga. A decisão mais fácil seria explorar os personagens já queridos pelas fãs, mas ABDA tem um final tão fechado que qualquer continuação dificilmente escaparia do típico romance caça-níquel. Portanto, foi acertada a decisão de usar o mesmo universo, mas apresentar personagens bem diferentes.

No lugar dos generais/arcanjos, temos agora os anjos, que são apenas soldados na Guerra Civil Celeste. Somos apresentados a Levi e Urakin, que estão na Terra com a missão de encontrar Kaira, sua antiga comandante, para voltar a liderá-los no exército de Gabriel. Para tal, acabam contando com a ajuda inesperada de Denyel, que teoricamente está do lado dos inimigos, comandados por Miguel. No desenrolar da trama, somos apresentados aos amigos e aos inimigos, como Zarion, Yaga, Andril e outros. Aliás, aqui está um dos grandes pontos fortes da obra: personagens fortes e cativantes, que de uma maneira ou de outra marcam sua presença.

Spohr apresenta uma sensível evolução como escritor. Ele consegue refinar seu estilo, com frases curtas e diretas, e mais, a própria estrutura da obra é aqui muito melhor trabalhada do que em ABDA, com a divisão em capítulos bem encadeada. A cada nova “Parte”, ele traz uma mudança de foco, tornando a leitura bastante dinâmica. Suas descrições são tão vívidas e precisas que é comum o leitor se pegar vendo a cena narrada, e até mesmo sentido os cheiros descritos. A cena inicial, no posto de gasolina, é a melhor neste sentido, e já serve como cartão de entrada para esta nova faceta do “Spohrverso”: ela é suja, angustiante, e a porrada é pra valer, onde qualquer vacilo pode ser mortal. E acreditem, a palavra mortal não foi empregada a toa.

Paralela à trama principal, temos em flashbacks a apresentação de um intrigante personagem: O Primeiro Anjo. Suas aparições são enigmáticas, e servem para ligar mais diretamente este livro ao ABDA, e aparentemente aos próximos volumes da série. Um pequeno problema, no entanto, é que tais flashbacks, embora interessantes, não se ligam diretamente ao resto do livro, parecendo meio soltos em relação aos demais capítulos. Talvez no final da saga fique mais claro o motivo de tais cenas estarem aqui inseridas. Mas este é um detalhe menor, que não atrapalha a leitura. Além disso, ao contrário de ABDA, os flashbacks aqui são bem curtos, com destaque para as aparições de um personagem muito esperado pelos fãs e até então misterioso neste vasto universo angelical.

O mais importante é que Spohr parece ter saído de sua zona de conforto, buscando realmente trazer algo diferente aos seus leitores. Isto cria uma tremenda expectativa, pois dá ao seu público a certeza de que ele escreve sempre por ter algo a dizer. Filhos do Éden mostra um autor preocupado em melhorar sempre, em não cair na mesmice e, principalmente, em consolidar uma carreira como escritor de literatura fantástica brasileira. Seu imenso sucesso é mais do que merecido; é um retrato de que é possível aliar entretenimento com qualidade literária. Agora é aguardar com ansiedade os próximos passos desta saga que cada vez mais vai cativar seus leitores.

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  • http://www.conversacult.blogspot.com/ Dana

    Tava procurando umas resenhas do livro e encontrei a sua. Adorei *-* Não só por dar ideia do livro (que é o que eu procurava), mas porque é escrita de um jeito legal. É tanta coisa ruim por aí que eu tenho vontade de elogiar quando encontro uma boa HUAH
    Parabéns!

    • http://www.hyperfan.com.br/tits/detsob.htm Rafael Monteiro

      Oi, Dana! Que bom que você gostou, seu comentário me deixou bastante feliz. E tem mais resenhas vindo por aí! Obrigado! =)

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