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Mesmo Delivery

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Mesmo Delivery

Antes considerada uma arte menor, os quadrinhos nos últimos anos tem ganhado respeito e credibilidade, muito em função das adaptações cinematográficas campeãs de bilheteria. Claro que isto é muito bom e teve como efeito colateral a produção de certas obras que tinham mais cara de storyboards do que de HQs. Por isso que, quando um álbum consegue aliar a narrativa cinematográfica com a exploração de técnicas próprias da nona arte, temos motivos de sobra para celebrar. É este o caso de Mesmo Delivery (2009), a graphic novel de Rafael Grampá, lançada pela Editora Desiderata.

Nela conhecemos Rufo, um ex-boxeador falido, que, acompanhado por Sangrecco, é contratado para transportar uma mercadoria secreta de caminhão. Ao fazer uma parada em um posto de gasolina, envolve-se em uma briga de bar que logo se transforma em algo muito maior. Mas a trama na verdade serve apenas como base para que Grampá possa dar seu show.

O traço sujo e realista do autor consegue nos transportar para o clima da HQ. A violência é gráfica e extrema. Enquanto Sergio Leoni utilizava extreme close-ups nos olhos de seus atores para enfatizar suas emoções, com Grampá a técnica é utilizada para nos mostrar uma garganta sendo cortada por uma faca… pelo lado de dentro. Os enquadramentos e os cortes entre um quadro e outro nos fazem ver em nossas mentes as cenas como se acontecessem em tempo real. A história tem fortes inspirações na antiga série Além da Imaginação (1985). Além disso, várias outras referências são visíveis: as menções ao Elvis Presley e outros heróis de quadrinhos como o Super-Homem, Shazam e Conan; o próprio ambiente onde se passa grande parte da trama que lembra um típico road movie das décadas; a aparência do ex-boxeador Rufo (que é igual ao Sylvester Stallone); etc. O estilo cinematográfico é evidente.

O que faz a graphic novel se destacar é justamente o domínio de Grampá da narrativa dos quadrinhos. Como todos os grandes mestres, como Moebius ou Jack Kirby, ele sabe contar uma história com seus desenhos. Soma-se a isto o ritmo cinematográfico, com diálogos e estética inspirados em Quentin Tarantino, uma narrativa com ângulos inusitados e originais e um traço detalhista. É uma grande obra dos quadrinhos. E este é apenas o álbum de estreia do autor!

Mesmo Delivery vai ser adaptado para o cinema nacional. Grampá vendeu os direitos de sua obra e já deu início ao processo de produção. O diretor do filme será Mauro Lima, de Meu Nome não é Johnny (2008), e o próprio Grampá está colaborando com o roteiro. Ou seja, podemos esperar uma adaptação com alguma fidelidade ao universo da HQ. Um filme nacional baseado numa história em quadrinhos nacional é, sem dúvida, um grande passo para a sétima e a nona artes. Que esta mercadoria chegue logo!

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