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A Condenação

A Condenação

A Condenação (Conviction, 2010) conta a história de uma mulher que passou 18 anos tentando tirar seu irmão da cadeia, condenado à prisão perpétua por um crime que não cometeu. O longa, que é baseado numa história real, mostra como Betty Anne Waters (Hilary Swank) lutou contra o sistema, suportou dia após dia de angústia e sofrimento e se esforçou para tornar-se uma advogada, tudo para reabrir o caso e provar a inocência do irmão Kenneth Waters (Sam Rockwell). Após muitos sacrifícios, especialmente no âmbito familiar, ela consegue ajuda de um grupo dedicado à libertação de pessoas injustamente condenadas através de exames de DNA, um recurso que, em 1983, quando Kenny foi condenado, não estava disponível. O avanço tecnológico permite a reabertura do caso. Betty Anne Waters (a da vida real) foi realmente um exemplo do que prega o filme: convicção.

Aqui cabe um adendo sobre o título nacional. Por que não usar o nome Convicção ao invés de A Condenação? Sinceramente, este título escolhido no Brasil acaba com todo o significado da história e ainda desmerece levemente as pretensões do filme. A condenação não é o elemento mais relevante da trama, mas sim a determinação de uma irmã em fazer tudo que estava ao seu alcance (e até mesmo o que não estava) para ajudar um ente querido vítima de um sistema problemático. Ela teve todos os motivos para desistir e simplesmente seguir em frente. Seu próprio irmão não acreditava… mas, mesmo assim, ela seguiu em frente, pois é isto que faz uma pessoa convicta de seus atos.

Ainda assim, a condenação tem sua relevância. A história de Kenneth Waters é apenas a ponta de um iceberg muito maior de injustiça criminal, que poucos se atrevem a reconhecer e os meios de comunicação frequentemente não têm coragem (ou interesse) em expor. O fato é que raramente os responsáveis por estas injustiças são efetivamente punidos e, num caso de 20 anos, a punição torna-se ainda mais improvável. E o pior, é que este tipo de tragédia vista na tela poderia estar acontecendo com qualquer um de nós. Qualquer pessoa é inocente até que se prove o contrário… mas, provar uma inocência pode ser mais árduo do que se pode imaginar, principalmente quando existem interesses mais poderosos envolvidos. Além disso, em geral, as pessoas não gostam de admitir quando estão erradas.

A Condenação, passeando por todas estas questões, consegue cumprir satisfatoriamente seu objetivo. É uma história verdadeira contada da melhor forma possível para chamar a atenção do público. A produção tem qualidade e o diretor Tony Goldwyn demonstra segurança, sem exagerar muito no melodrama ou no discurso apologético. O maior problema é a sobreposição acelerada dos fatos e da passagem de tempo. O filme se propõe a contar 20 anos de história em duas horas e tenta condensar ao máximo os fatos relevantes. Porém, a montagem às vezes incomoda. Num momento estamos numa data, no outro já estamos três anos depois e nem sempre as mudanças promovidas pelo tempo são realmente visíveis para que possamos nos adaptar ao salto temporal. Isto causa uma certa estranheza. Outra coisa são os flashbacks. Na primeira metade, eles estabelecem aspectos que definem os personagens e favorecem o entendimento sobre as motivações de Betty Anne e um certo grau de desconfiança sobre Kenny ser culpado ou não. Neste começo, as memórias trabalham em favor da trama. Porém, a partir do segundo ato, a despeito da química perfeita entre os dois atores que interpretam os irmãos, os flashbacks começam a apresentar cenas mais superficiais e parecem cada vez mais desnecessários.

Os dois atores, aliás, são os grandes responsáveis pela qualidade do longa. O desempenho de Sam Rockwell está no nível normalmente esperado dele. Ainda que o filme trabalhe com a injustiça sobre o personagem, sempre fica a impressão de que Kenny é destemperado, mulherengo e propenso a fazer merda, ainda que sinta o peso de ser um animal enjaulado. Rockwell faz um bom trabalho em manter o suspense sobre a culpa de Kenny ser verídica ou não. Mesmo envelhecido, e quase irreconhecível pela excelente maquiagem, Rockwell mantém uma habilidade inigualável na condução do personagem. Já Hilary Swank é extremamente confiante como Betty Anne e passa a dose certa de convicção necessária para acreditarmos na personagem e torcermos por ela. Sua aparência não muda significativamente com o passar do tempo (como com Rockwell), mas a atriz apresenta uma postura decididamente diferenciada para cada faze da vida de Betty Anne, oscilando da tristeza resignada de quem tem o irmão preso injustamente até a maturidade forçada de quem põe o peso do caso sobre os ombros. Os irmãos são ainda apoiados por um elenco de peso. Minnie Driver é agradável como a amiga Abra Rice, que serve como suporte para Betty Anne. Melissa Leo surge como uma policial visivelmente filha-da-puta. Peter Gallagher, sempre um advogado respeitável. E Juliette Lewis, que aparece numa das pontas bizarras que ela se especializou em fazer nos últimos anos.

A Condenação é um filme sólido, que conta com consistência uma história trágica e real. Ora triste, ora bonito, provavelmente não é tão atraente quanto a história real deve ser, mas consegue um bom resultado. Mais focado na emoção, o longa pode não cativar tanto em termos jurídicos como um Law & Order (1990), porém passa sua mensagem com eficiência. De fato, é o tipo de filme que ganha prêmios, especialmente por sua história de superação e amor familiar. E é justamente nisto que A Condenação te conquista.

Nível Heroico

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