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O Guarda – Festival do Rio 2011

O Guarda

O cinema hoje está abarrotado de filmes sobre policiais e bandidos boca-sujas, mas poucos conseguem ser tão bons quanto O Guarda (The Guard, 2011). O filme, dirigido e roteirizado por John Michael McDonagh, possui uma execução competente, um humor grosseiro sensacional e um dos atores mais fanfarrões da atualidade.

A trama acontece numa área costeira da Irlanda, onde trabalha o peculiar policial Gerry Boyle (Brendan Gleeson, o fanfarrão-mor). Ele não tem nada que você possa esperar de um policial ou de um herói. É um beberrão fatalista que adora escrotizar os outros, não tem o menor senso de educação e vive enfiado em orgias com prostitutas. É o tipo de personagem que, provavelmente, o público odiaria. Porém, aqui, é o contrário porque, de cara, você acha o cara foda! Embora não pareça ligar para porra nenhuma, ele é atento, esperto e sabe como fazer seu trabalho. E ele ainda é engraçado pra caralho! Seu senso de humor sombrio envolve principalmente degradar, depreciar ou insultar as pessoas ao seu redor. Porém, apesar de blasfemo, mostra-se um ferrenho defensor das mulheres e um filho dedicado. Sua mãe está presa numa clínica por causa de uma doença terminal, mas é uma mulher de bem com a vida. Ele sempre vai visitá-la e cada cena é carregada por uma emoção disfarçada com sarcasmo que humaniza o personagem. Gleeson faz um trabalho realmente impressionante aqui, com a qualidade habitual que já pôde ser vista em Na Mira do Chefe (2008).

Boyle e suas prostitutas

Quando um assassinato acontece e entra em cena o agente do FBI, Wendell Everett (Don Cheadle, sempre muito bom), as tiradas de Boyle tornam-se épicas. O primeiro contato entre estes dois personagens faz rir alto quando Boyle fingindo ingenuidade diz: “Eu pensei que só negros eram traficantes”, e quando Wendell retruca acusando-o de racismo, ele solta a pérola: “Sou irlandês, racismo faz parte da minha cultura”. É de engasgar de rir. E boa parte do longa é tomado por estas frases ácidas e ofensivas, muitas carregadas de críticas ferrenhas aos americanos e aos Estados Unidos. Há piadas mórbidas sobre transar com uma cabrita, clarividência tocando cadáveres, bandidos cultos que citam Bertrand Russell e Nietzsche, e alguns usos criativos de palavrões. Tudo sempre de forma ágil e cômica.

Os criminosos trazem as interpretações habilidosas de Liam Cunningham e Mark Strong. O personagem de Strong praticamente sobressai com seu sadismo e suas tiradas de um humor negro ímpar. A cara de filho-da-puta que ele faz quando, na hora de desovar um cadáver, profere coisas como “quando me candidatei à vaga de traficante de drogas, não havia nada sobre experiência em trabalho pesado” é simplesmente impagável.

O Guarda é bastante focado nestes diálogos rápidos e humor negro, guardando a ação basicamente para o fim. Tudo é levado na brincadeira e chega a ser ridículo, mas McDonagh sabe disso. Ele não tenta impor significados mais profundos além da pura diversão e zombaria. Tecnicamente, o longa também é ótimo, com cenas bem filmadas e uma fotografia com cores levemente escuras e amareladas que emulam bem uma cidadezinha costeira passando por um momento de crise. A fórmula não é uma novidade e já pôde ser vista em produções como Chumbo Grosso (2007); porém, é certeira como uma pistola tirada da cueca.

Expectativa 2011 – Festival do Rio 2011

O Guarda (The Guard)

Irlanda, 2011. 96 minutos.

Direção: John Michael McDonagh.

Com: Brendan Gleeson, Don Cheadle, Liam Cunningham, Mark Strong.

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