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Batida Policial – Festival do Rio 2011

Batida Policial

Batida Policial (The Raid, 2011) é um filme indonésio de ação policial que não pode ser descrito com nada menos que sensacional. Só os primeiros trinta minutos do longa já são suficientes para estabelecer os parâmetros da história e prender o espectador numa espiral de sequências eletrizantes que não devem nada aos grandes nomes do cinema de ação mundial. Escrito e dirigido por Gareth Evans, a trama passa inteiramente dentro de um grande edifício controlado por Tama (Ray Sahetapy), um poderoso chefão das drogas local. Uma equipe de elite da polícia é enviada ao local para prender o traficante, mas algo dá errado e eles ficam presos num dos andares superiores do prédio, cercados por um enorme grupo de bandidos fortemente armados. Agora, eles terão abrir caminho na força bruta até o primeiro andar se quiserem sair vivos do local.

O longa já começa acertando ao partir de forma curta e grossa para o que interessa, poupando o público de explicações excessivas. Somos rapidamente apresentados a Rama (Iko Uwais), Jaka (Joe Taslim) e outros membros do esquadrão policial de Jacarta, na Indonésia, que decide invadir o prédio. Esta parte inicial acompanha o movimento tático dos agentes durante a invasão e apresenta uma coreografia organizada e fluída, alternando de maneira ágil os ângulos de câmera e passando a falsa sensação de uma infiltração coordenada e que está sendo bem sucedida. A habilidade com que a cena é produzida é tão imponente quanto ver o Capitão Nascimento percorrendo os becos das favelas em Tropa de Elite (2007). De fato, em termos de ação, o filme indonésio lembra um pouco o brasileiro. Para os fãs de games que já jogaram Counter-Strike (1999), o longa também promete ser uma experiência extasiante. Especialmente, quando a situação foge ao controle dos policiais e muita gente começa a morrer. Neste momento, Batida Policial torna-se uma profusão insana de ação incrível e ininterrupta.

O fato de os personagens estarem presos num andar superior do edifício, faz com que eles tenham que lutar para transpor cada andar até o primeiro e, mais uma vez, somos levados à estética dos games, com os mocinhos desbravando os andares como se fossem fases a serem superadas e derrotando inimigos e “chefes de fase”. E ainda é possível traçar comparações com o primeiro Duro de Matar (1988). Todos os tipos imagináveis de sequências de ação são explorados no longa e tudo pode ser usado como arma: pistolas, metralhadoras, espingardas, facas, machetes, cadeiras, combate corporal, artes marciais, ou quaisquer outras coisas que possam ser usadas no ambiente ao redor. Os confrontos também são bastante estilizados, com coreografias bem feitas e originais, sem que pareçam ridículas. O ator e artista marcial Iko Uwais dá uma grande contribuição neste quesito e tem potencial para se equiparar a nomes como Tony Jaa, do filme tailandês Ong Bak: Guerreiro Sagrado (2003). Uma cena de destaque, por exemplo, é quando um policial cai com um dos bandidos por um janela, eles batem numa grade e o mocinho deixa o vilão morrer enquanto ele volta para a janela para continuar lutando. É tão intenso quanto o combate nas sacadas do filme também tailandês Chocolate (2008). Nas cenas finais, o ritmo cai um pouco, mas ainda assim Batida Policial consegue ser tão insano que é impossível não se empolgar.

Há alguns momentos mais lentos que permitem ao espectador recuperar um pouco o fôlego entre um tiro ou outro, mas, em geral, a porradaria rola desenfreada e quase atordoante. O longa não tem tanto da carga emocional e dramática de um Oldboy (2003), por exemplo, mas consegue ser extremamente eficiente em sua proposta principal — divertir. É, sem dúvida, um dos melhores filmes de ação dos últimos tempos. Salve a Ásia, que se mostra cada vez melhor na produção de filmes de ação totalmente absurdos e epicamente turbinados. Batida Policial não se propõe a ser mais do que realmente é. É simples e direto. É ação pela ação. Mais badass impossível.

Mostra Midnight Movies – Festival do Rio 2011

Batida Policial (The Raid)

Indonésia, 2011. 100 minutos.

Direção: Gareth Evans.

Com: Iko Uwais, Joe Taslim, Ray Sahetapy, Doni Alamsyah, Yayan Ruhian.

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