Filmes

Red State – Festival do Rio 2011

Red State

Depois de assinar a direção de sete comédias, o diretor / produtor / roteirista / editor / ator / nerdmaster Kevin Smith decidiu partir para seu primeiro projeto de horror. É isso mesmo, nosso querido nerd multitarefa voltou com tudo em Red State (2011).

A história é longa, mas, basicamente, Smith encontrou muitas barreiras para conseguir produzir o filme, pois nenhum estúdio queria bancar um projeto que não fosse uma comédia. A ideia era rodar com apenas 5 milhões e com um elenco desconhecido. Depois de três anos tentando, o diretor finalmente conseguiu com que a Weinstein Co., que produziu a maioria de seus filmes, voltasse atrás e financiasse o projeto. O elenco desconhecido acabou dando lugar a nomes como Michael Parks, John Goodman, Kevin Pollack, Michael Angarano, Kerry Bishé, Kyle Gallner e a ganhadora do Oscar 2011 de melhor atriz coadjuvante Melissa Leo.

A história é baseada no caso da Westboro Baptist Church, em Topeka, no Kansas. O pastor Fred Phelps e membros de sua família ficaram conhecidos pelo ódio contra homossexuais. Em passeatas, Phelps e sua família, usavam cartazes com frases como “Deus odeia as bichas” além de protestar em funerais de homossexuais e soldados mortos no Iraque. Para Kevin Smith, ter um vilão similar a Phelps é tão aterrorizante quanto saber que existe um governo que permite tais ações.

O nome Red State (que pode ser traduzido como Estado Vermelho) vem dos estados americanos onde a população dominante é republicana, como o ex-presidente, George W. Bush. Os estados azuis são dominados pelos democratas, como o ex-presidente Bill Clinton. Basicamente divididos entre torturadores conservadores e os pervertidos liberais…rs :-P

Agente Keenan

Apesar de Red State ser um filme com um orçamento limitado, o cineasta mostrou um talento ilimitado. O filme parece um mix de estilos entre Kevin Smith, Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. Os diálogos são muito bem elaborados e conseguem deixar o público tenso e arrancar risadas ao mesmo tempo. O roteiro, apesar de simples (o que não é um problema), é ácido, improvável e bem amarrado com muitas críticas políticas e sociais. A violência também está lá, tanto física quanto psicológica. E, como todo bom filme do diretor, os personagens de Kevin Smith têm muito a dizer e o fazem sem pudores e da forma mais casual possível. É quase um tapa num rosto anestesiado. O destaque do elenco fica por conta de Michael Parks (Pastor Abin Cooper) e John Goodman (Agente Keenan). Michael cria a tensão do filme e Goodman é a válvula de escape. Os dois exibem atuações impressionantes. Nos créditos, Smith ainda joga os famosos easter eggs que ele gosta de deixar nos encerramentos de seus filmes, registrando que quase todo o elenco voltará em Hit Somebody, longa diretor que será lançado em 2012 e promete ter ligações com a história de Red State.

Kevin Smith é a prova de que não é necessário muito dinheiro para fazer um bom filme, é só ter uma boa ideia e um roteiro bem feito. Claro que ele já provou isso com O Balconista (1994) e Dogma (1999), mas desta vez ele não só muda de gênero e estilo, mas também faz questão de mostrar que não perdeu o talento (nem o sarcasmo).

Red State passou por uma turnê de sessões limitadas pelos Estados Unidos, foi lançado digitalmente em setembro e prepara-se, novamente, para ser lançado, em circuito limitado, em outubro. O lançamento em DVD/Blu-Ray está previsto para o fim deste ano.

Um motivo a mais para comemorar é que, agora, com Red State e o vindouro Hit Somebody, o cineasta parece ter reprimido um pouco a ideia de se aposentar das telonas e voltou com tudo. Ele já pode se orgulho do produto surpreendente e instigante deste filme. E esperamos que ele abandone de uma vez esta aposentadoria. Pois Kevin Smith ainda tem muito a acrescentar para o cinema.

Mostra Midnight Terror – Festival do Rio 2011

Red State (Red State)

Estados Unidos, 2011. 97 minutos.

Direção: Kevin Smith.

Com: Michael Parks, John Goodman, Michael Angarano, Kerry Bishe, Melissa Leo.

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