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Circular – Festival do Rio 2011

Circular

Circular (2011) é um projeto paranaense de baixo orçamento dirigido por cinco diretores: Adriano Esturilho, Aly Muritiba, Bruno de Oliveira, Diego Florentino e Fábio Allon. O longa conta a história de cinco vidas que se cruzam num ônibus interbairros, um veículo que circula pelos bairros de Curitiba. Como em qualquer transporte público, milhares de pessoas vêm e vão e esbarram umas nas outras sem sequer trocarem olhares. Porém, aquele ambiente diminuto e apertado também proporciona possibilidades de interações únicas, capazes de acabar até mesmo com a solidão ou a tristeza. Enquanto isso, a vida passa pela janela, diante dos nossos olhos, fazendo-nos pensar nos rumos que realmente queremos seguir dali em diante. Esta é a metáfora deste universo em que vários dias cabem num único dia.

A trama mostra a convergência das histórias de cinco protagonistas. Carlos (o uruguaio César Trancoso), um estrangeiro que acaba de chegar no Brasil, entra no ônibus interbairros e assalta o cobrador Lourival (Santos Chagas), que também é pugilista. Durante a ação, ele faz de refém a artista plástica Cristina (Letícia Sabatella), que está grávida, mas é surpreendido por um policial evangélico Samuel (Marcel Szymanski). Para completar, a banda de rock criada especialmente para o filme: os Gengivas Podres, trabalhados aqui como se fossem um único personagem.

Cada história é dirigida por um dos cinco diretores, que contam um dia na vida de cada personagem até que eles se cruzam no ônibus. Alguns personagens ainda aparecem em mais de uma história. A ideia do longa é interessante e os diretores conseguem manter o ritmo narrativo estável apesar das nítidas mudanças provocadas pela direção rotativa. Alguns diretores mostram-se mais firmes do que outros, resultando numa qualidade oscilante ao longo de toda a projeção, mas não é algo que provoque confusão ou transforme o enredo numa colcha de retalhos. As melhores sequências são as que têm a participação de Letícia Sabatella. A experiência da atriz dá alguma sustentabilidade à trama e, com certeza, favorece o diretor Adriano Esturilho, responsável por suas cenas. Além disso, é inegável o charme da atriz mesmo com toda a melancolia de sua personagem. Até mesmo os planos e ângulos de câmera usados nas filmagens com a atriz mostram-se mais refinados com relação aos outros, talvez também por causa das diferenças de sua personagem com relação aos outros.

Circular apresenta os altos e baixos condizentes com a experimentação por trás da criação, mas também mostra um nível de qualidade acima do esperado de uma produção de baixo orçamento. Para completar, constrói um retrato ao mesmo tempo bucólico e desolador de Curitiba. Um cenário interessante que comporta um elenco afinado, no qual mesmo os atores mais inexperientes demonstram segurança na atuação. No fim, Circular consegue um resultado positivo ao passar sua mensagem com eficiência: a vida não espera ninguém para ser vivida.

Première Brasil Novos Rumos – Festival do Rio 2011

Circular (Circular)

Brasil, 2011. 94 minutos.

Direção: Adriano Esturilho, Aly Muritiba, Bruno de Oliveira, Diego Florentino e Fábio Allon.

Com: Letícia Sabatella, Cesar Troncoso, Marcel Szymansky, Luiz Bertazzo, Santos Chagas.

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