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Pearl Jam Twenty – Festival do Rio 2011

Pearl Jam Twenty

Documentários sobre bandas de rock aparecem com frequência no cinema, mas poucos atingem a real essência do trabalho dos artistas ou são bem dirigidos como o tributo de Cameron Crowe (de Jerry Maguire – A Grande Virada, 1996, e Vanilla Sky, 2001) a uma das mais representativas bandas grunges que sobreviveram às últimas duas décadas. Dentre nomes como Alice in Chains, Stone Temple Pilots, Soundgarden e Nirvana, o Pearl Jam se destacou na história do rock e embalou a juventude de muitos fãs (dentre os quais, este que vos escreve). Pearl Jam Twenty (2011) traz a trajetória da banda ao longo destes 20 anos de sucesso com eficiência e nostalgia, destilando para o público, sobretudo, a força das músicas tocadas na sonora voz de Eddie Vedder. Não obstante, Cameron Crowe ainda alimenta com um toque de casualidade o desejo ávido por revisitar todo o catálogo musical do grupo, desde Ten (1991, o primeiro) até Backspacer (2009), chegando ao recente Live on Ten Legs (2011, com vários sucessos da banda tocados ao vivo).

Crowe usa uma variedade impressionante de artifícios na filmagem, incluindo entrevistas da banda, performances e bastidores. Cada passo dado na evolução do Pearl Jam nos últimos 20 anos é apresentado de forma bastante gráfica e intimista. Eddie Vedder, Jeff Ament, Stone Gossard e Mike McCready revelam os desafios que enfrentaram ao longo da carreira e podemos ver a transformação e o amadurecimento deles. Vedder é o mais notável, pois acompanhamos como um jovem poeta tornou-se um grande mestre de cerimônias que, atrás dos palcos, define os melhores equipamentos de iluminação para o seu show e, no palco, se atira para a multidão de fãs. Vemos através das francas entrevistas como cada membro contribuiu para o equilíbrio e a criatividade da banda, acertando num ponto onde muitas bandas que ficaram pelo caminho erraram, e como eles continuam comprometidos com sua música até hoje. Testemunhamos também os problemas do Pearl Jam com a fama e a indústria, como a fúria da banda contra a Ticketmaster, que cobrava uma taxa de serviço pela venda dos ingressos para as apresentações da banda, ou os dias obscuros que se seguiram à tragédia no Festival de Roskilde, em 2000, quando nove fãs morreram pisoteados na plateia e fez o grupo considerar até mesmo uma aposentadoria.

O diretor despeja este retrato biográfico do Pearl Jam de forma quase inebriante e mostrar tudo o que qualquer um provavelmente quiser saber sobre o grupo, sem, no entanto, parecer educativo demais. Pelo contrário, Pearl Jam Twenty parece mais um filme-concerto. Aqueles que já assistiram a um show da banda, provavelmente lembrarão os momentos difíceis de aperto em meio a uma multidão suada e apertada, mas frenética e empolgada. Os que nunca tiveram a oportunidade de vê-los ao vivo, sem dúvida, sairão do cinema determinados a compartilhar desta sensação. Mais do que isto, perceberão quão humildes e honestos são os seus integrantes, que, nitidamente tocam porque gostam, não por interesses industriais ou financeiros. Uma energia que torna suas performances cada vez melhores e ajuda a explicar porque, depois de tanto tempo, eles ainda conseguem lotar shows e promover delírio coletivo. Pearl Jam Twenty não é só um grande elogio a uma das melhores bandas de rock contemporâneo, mas também uma reflexão de sua importância para a música e, especialmente, para os fãs.

Mostra Midnight Música – Festival do Rio 2011

Pearl Jam Twenty (Pearl Jam Twenty)

Estados Unidos, 2011. 120 minutos.

Direção: Cameron Crowe.

Com: Eddie Vedder, Jeff Ament, Stone Gossard, Mike McCready, Kurt Cobain.

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