Você Viu?

Não Tenha Medo do Escuro

Sally

Filmes sobre casas mal-assombradas, por vezes, despertam em nós um medo natural e infantil, o medo do escuro. Esta é a premissa básica de Não Tenha Medo do Escuro (Don’t Be Afraid of the Dark, 2010), que começa numa mansão magnífica, mas que guarda segredos sombrios num porão selado que, obviamente, é inadvertidamente reaberto. Morar sozinho no casarão já seria uma experiência de muita coragem com todas as luzes acesas… no breu, torna-se uma experiência realmente claustrofóbica.

A história acompanha uma menina de 10 anos, Sally (Bailee Madison), que vai morar com seu pai e a namorada dele. A condução é quase completamente centrada na garota, que a atriz interpreta com inteligência e temperamento adequados. Ver crianças em filmes de terror apenas fugindo e gritando é normalmente sacal, mas Sally é determinada e luta contra os seus problemas com coragem, fazendo o público torcer por ela com vontade. Mérito para a jovem Madison. Seu pai, Alex (Guy Pearce), a ama de forma superficial e distante. A namorada dele, Kim (Katie Holmes) é mais cálida e simpática, e como é inicialmente rejeitada pela garota, precisa conquistar a confiança dela, o que a transforma numa peça-chave da trama (peça esta cujo final torna-se previsível logo que o perigo escondido nas sombras é apresentado).

O longa começa com uma história pregressa sobre o homem que viveu no casarão anos atrás e teve seu filho sequestrado. Depois de sua morte, a mansão permaneceu abandonada, até a chegada de Alex e Kim para reformá-la e tentar vendê-la. O nome do antigo dono era Blackwood, um nome que, por si só, já inspira algum terror, especialmente quando está vinculada a casas abandonadas onde ocorreram mortes misteriosas. O filme é uma refilmagem de um suspense feito para a televisão em 1973 e foi trazido de volta às telas graças aos esforços de Guilhermo Del Toro, conhecido por ser adepto de histórias de terror fantástico e por usar meninas heroínas contra criaturas grotescas — vide O Labirinto do Fauno (2006). Ele co-escreveu o roteiro e foi responsável pela produção do projeto.

Kim

O diretor escolhido por Del Toro, Troy Nixey, conduz bem a trama e mostra-se familiar a atmosfera do produtor. De fato, muito da essência de Del Toro ressalta no longa, o que demonstra uma participação efetiva do cineasta. Nixey faz bom uso da inclinação dos adultos para desmerecer os medos infantis, classificando-os como imaginação ou perturbação psicológica. A tensão por sabermos o que Sally está enfrentando e de vermos que ela está sozinha por causa da descrença dos adultos que deviam protegê-la compõe grande parte da atmosfera angustiante do filme e representa sua maior qualidade. Somente quando Kim começa a se preocupar de verdade com o que está acontecendo que a tensão psicológica dá lugar ao pesadelo materializado na forma de estranhas criaturas que vivem numa chaminé no porão selado da casa. E devo que Katie Holmes, apesar de corriqueira apatia, não atrapalha… o que constitui um grande avanço para a atriz e um ponto positivo para o longa.

As criaturas demoram a ser reveladas claramente, sempre surgindo ocultas por sombras e seguidas por vozes esganiçadas e sibilantes (algo como o Gollum de O Senhor dos Anéis, 2001). Porém, quando as criaturas são reveladas é meio decepcionante, não tanto por causa da aparência, mas por causa do CGI primário usado em sua concepção. Todavia, também não há como negar que a aparência dos monstros (e a quantidade pestilenta deles) é incômoda e remete a um medo interior que muitos habitantes dos centros urbanos aprenderam a ter quando olham para esgotos ou outros buracos escuros. Para completar, ainda aprendemos um pouco sobre o bizarro (e criativo) metabolismo destas criaturas e, no final, entendemos plenamente do que elas realmente são feitas. A forma como a história subverte vários elementos tradicionais dos contos de fada é magnífica e exalta a habilidade de Guilhermo Del Toro para estas criações fantásticas. Sim, porque a direção pode ser de Troy Nixey, mas o dedo de Del Toro está em todo o lugar. No fim, acho que tudo se resolve rápido com Água de Jamaica. *trollface* :-P

Em toda a sua essência, este é um filme de casa mal-assombrada, que brinca com nossos medos mais obscuros. Ainda mostra como os adultos se deixam levar por erros e decisões estúpidas que turvam uma visão mais pura e simples da vida. Nesta hora, o olhar ingênuo de uma criança mostra-se sua capacidade de abrir a mente de uma pessoa e devolver-lhe a imaginação perdida com o avançar da idade. Por isso, não tenha medo… aventure-se no escuro, pois a luz pode estar onde menos se espera.

Nível Heroico

Compartilhe este Post

Posts Relacionados



Inscreva-se no Canal

Resenhas Populares

Rogue One: Uma História de Star Wars

Rogue One: Uma História de Star Wars

It: A Coisa

It: A Coisa

Planeta dos Macacos: A Guerra

Planeta dos Macacos: A Guerra

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Raw

Raw

Siga no Bloglovin’

Follow

Vem Com a Gente

Curta e Compartilhe

Aperte o Play

Nível Épico em Imagens