Cultura

Brasil Game Show 2011

Fotos: Christiano Rubin

Brasil Game Show

O Brasil Game Show deste ano foi cheio de altos e baixos… e não me refiro aos vários andares do local que recebeu o evento. A maior feira de games da América Latina movimentou o Rio de Janeiro entre os dias 5 e 9 de outubro, com alguns dias dedicados às conferências e outros à feira em si. A conferência, normalmente mais focada nos desenvolvedores e profissionais da área de jogos eletrônicos, contou com a presença de palestrantes nacionais e internacionais de grande representação no mercado, debatendo sobre temas referentes a três conceitos profissionais: mercado, desenvolvimento e design. Já a feira é mais voltada para os fãs de games, apresentando novidades e lançamentos que vão movimentar a indústria de games num futuro próximo.

O evento transcorreu bem e sem maiores complicações. O lugar estava cheio, mas era grande o suficiente para comportar o público. Apesar das filas grandes para jogar em alguns stands, o número de pessoas não chegava perto da epicidade da Bienal (por exemplo). O primeiro andar, onde ficaram os stands, era o mais cheio sempre, e também onde você conseguia jogar o maior número de jogos, arrumar o maior número de brindes e ver o maior número de gostosas por metro quadrado. O stand da Seven, logo na entrada, era o mais notório… você entrava no evento e já era abordado por uma infinidade de funcionários da empresa de computação gráfica fazendo promoções, botando fitinha no seu braço, chamando sua atenção com pernas generosas (no caso das gostosas, claro!) etc. Aliás, um detalhe importante a se considerar no evento era como o pessoal da Seven proliferava… para todo lado tinha alguém de preto e laranja com um sete bem estampado… pareciam gremlins depois de um banho. O investimento na divulgação e no staff foi pesado ali. A música no stand dava para ouvir de longe… o que muitas vezes despertava a duvida se aquilo era mesmo só uma feira de games ou um festival de música eletrônica (o que não é um problema). De fato, das empresas desenvolvedoras de games nacionais, a Seven foi a que mais sobressaiu. O foco ficou mesmo nos grandes nomes da indústria de games.

Os outros stands eram mais calminhos em termos de barulho, porém frenéticos em termos de movimento. Em alguns, como o stand da Sony, as filas eram enormes, especialmente por causa do brinde que era distribuído para as pessoas que jogassem cinco jogos. Era um cordão para crachá muito interessante, com desenhos das imagens dos botões do joystick do PlayStation… e eu, obviamente, parei lá para garantir o meu. Mas o dia que realmente lotou o stand foi quando disponibilizaram para os jogadores de plantão o game Street Fighter X Tekken, que será lançado somente em 2012. O interesse aumentou ainda mais depois da apresentação feita pelo produtor do jogo (e da Capcom), Yoshinori Ono, que promoveu a palestra mais descontraída do evento. Em japonês, ele contou a história do carro-chefe da Capcom, Street Fighter, e como o game mudou sua vida (e, tenho certeza, a de muitos por aí). Dono de um bom humor e uma energia contagiante, Ono brincava o tempo todo com “a informação desatualizada” que recebeu no Japão sobre as meninas bonitas do Brasil. Segundo ele, quando chegou em Copacabana só viu velho e, por isso, durante toda a palestra ele pediu para os fãs mostrarem para ele pelo twitter “onde estão as gatas”. Ele encerrou a apresentação falando sobre as novidades do Street Fighter X Tekken e mostrou três teasers que apresentavam novos personagens para o jogo. O crossover entre dois dos maiores jogos de luta da história dos videogames possui a mesma interface gráfica do Street Fighter IV, uma escolha provavelmente baseada no sucesso alcançado pela quarta edição do game. Devo dizer que o novo jogo não pareceu muito diferente de Street Fighter IV, mas deve divertir os fãs mesmo assim. Para completar, o produtor garantiu que Street Fighter X Tekken vai ser mais cooperativo e até quatro pessoas poderão jogá-lo simultaneamente. Ainda de acordo com ele, é uma ótima desculpa para chamar uma gata para jogar videogame em sua casa… embora ele tenha deixado claro que se alguém conseguir uma namorada por causa do game, deve apresentar a irmã dela para ele. Safadinho o cara. :-)

A Sony ainda teve outros bons momentos na feira. Um deles foi, com certeza, a apresentação do extremamente esperado PS Vita. O palestrante Mark Stanley apresentou o console portátil numa coletiva reservada numa sala pequena e deixou muitos fãs ali sedentos pela experiência com este que promete ser o mais avançado game portátil do mercado. Como o próprio Stanley disse, “a Ferrari dos games”. O console terá conteúdo totalmente em português, inclusive a dublagem, e deve estrear por aqui no ano que vem, embora a data exata ainda não esteja definida.

A Microsoft também estava lá, com um stand do Xbox, mas, apesar do movimento, não era um dos mais atrativos. Os maiores destaques da empresa na feira foram o Kinect, que já não é tanto uma surpresa (e, na minha opinião, nem é tão surpreendente) e alguns jogos como Forza Motorsport 4 e Gears of War 3. Era um stand meio fraquinho perante os outros. E, apesar de estar divulgando alguns jogos legais, acabava facilmente ofuscado pelas apresentações que tinha ao redor. Não muito longe do stand do Xbox, estava sendo exibido o novo (e fodástico) Batman: Arkham City… algo que fazia muitos e muitos fãs ficarem parados durante minutos olhando para a tela onde estavam sendo exibidas imagens do game, que será lançado no dia 18 de outubro. Em outra parte, um stand apresentava um curioso planador chamado Parrot AR Drone, que voa impulsionado por quatro hélices e é controlado via iPhone ou iPad. O peculiar brinquedo, cuja bateria consegue manter voando por cerca de 13 minutos, fazia alegria da galera, que parava para acompanhar as peripécias do controlador. Com tantas coisas legais ao redor, o Xbox acabou meio apagado na feira.

Os andares superiores não eram tão movimentados. O segundo continham apenas algumas cabines de empresas, a área VIP e a área de imprensa. O terceiro andar era onde ficavam os stands de vendas, onde os visitantes podiam arrumar alguns souvenires, se estivessem dispostos a gastar uma boa quantia de dinheiro… porra, R$ 30,00 numa camisa estampada com algum personagem de game é um tiro na cara… lembro quando eu comecei a frequentar eventos como este (na minha adolescência) e uma camisa destas custava R$ 15,00 no máximo. Hoje em dia, tudo nestes eventos é superfaturado. :-( Aliás, comprar games lá também era uma furada, pois não rolava qualquer desconto no preço. Dá para arrumar o mesmo jogo mais barato numa loja virtual na internet. Curiosamente, o stand mais camarada era um de livros — que nem tinha tanto a ver com o tema, mas estavam lá, em ritmo de Bienal ainda (sim, eu comprei um livro… não resisti).

Ainda no terceiro andar, havia também uma área que fazia as vezes de Museu de Games, com várias vitrines que exibiam jogos da antiga. Foi realmente divertido e nostálgico rever consoles que moldaram minha infância, como Telejogo, Master System, Phantom System, Super Nintendo, Dream Cast, entre outros. Próximo ao museu, no entanto, ficava a extremamente risível “Área de Arcades”, duas salas gigantescas que tinham três máquinas de árcade cada, que ainda traziam jogos ultrapassados, como Cruis’n USA… deprimente!

Por fim, neste andar, também estava o auditório, onde foram realizadas as conferências e onde aconteceu o Video Games Live (que é assunto para outro post) no último dia de evento.

No mais, cosplays… muitos cosplays. E gostosas… muitas gostosas.

O Brasil Game Show valeu pela diversão para os fãs de games e pela importância profissional para aqueles que trabalham na área. Não foi um evento perfeito e ainda tem potencial para crescer mais. Mas o importante é a sensação gostosa de dedicar para respirar e vivenciar um dos elementos mais divertidos da cultura contemporânea — o videogame.

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