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O Dublê do Diabo – Festival do Rio 2011

O Dublê do Diabo

O tema do doppelgänger já foi exaustivamente explorado na cultura pop, seja na literatura clássica, como O Príncipe e o Mendigo (1881), de Mark Twain; sobrenatural William Wilson (1839), de Edgar Allan Poe, passando por filmes e até mesmo novelas tupiniquins. Ainda assim, esta abordagem ainda parece exercer algum fascínio no público, voltando sempre à baila. O exemplar mais recente é o filme O Dublê do Diabo (The Devil’s Double, 2011), dirigido por Lee Tamahori, em exibição no Festival do Rio 2011, que tem como principal atrativo o fato de ser inspirado numa história real.

Somos apresentando no longa à história de Latif Yahia, sósia de Uday Hussein (ambos interpretados por Dominic Cooper, em boa atuação), filho do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein (Philip Quast). Colegas de escola, Uday resolve adotar Latif como “irmão”, seu duplo, para que pudesse aparecer onde não pudesse ou quisesse aparecer. Latif, a contragosto, depois de torturado e coagido, termina por assumir este papel, e acaba se envolvendo romanticamente com a bela Sarrab (Ludivine Sagnier, a Sininho do Peter Pan de 2003, que aqui mostra um pouco mais de seus, digamos, atributos), namorada de Uday, o que acaba colocando a ambos em risco.

O roteiro apresenta uma trama bem amarrada, com a tensão crescendo à medida que Latif vai ficando farto de sua situação. Contudo, o filme peca por um excesso de maniqueísmo que beira a má-fé. Uday é um playboy mimado e cruel, retratado constantemente drogado, raivoso, pedófilo e homossexual; covarde, deve estuprar umas três mulheres ao longo do filme. Enfim, adjetivos negativos não faltam para definir sua caracterização. Já Latif é quase um anjo, um herói estóico que pretende vingar todo o Iraque com sua vingança. O sósia está todo o tempo cercado de luxo e belas mulheres, e não é mostrado se ele aproveitava, ou resistia, a todas essas tentações.

Para piorar, a cada atrocidade de Uday, é inserida cenas de noticiários da época da Guerra do Golfo, quase como que a defender a tese hipócrita que justificou a invasão ao país em 2003 — de que os EUA entraram lá somente para derrubar um ditador quando a realidade política é, no mínimo, bem mais complexa do que isto.

O Dublê do Diabo é um filme que até diverte, e vale ser assistido, mas seu tom exagerado e panfletário acaba prejudicando uma trama que tinha o potencial de ser muito melhor.

Panorama do Cinema Mundial – Festival do Rio 2011

O Dublê do Diabo (The Devil’s Double)

Bélgica, 2011. 108 minutos.

Direção: Lee Tamahori.

Com: Dominic Cooper, Ludivine Sagnier, Philip Quast, Mimoun Oaissa, Raad Rawi.

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