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A Hora do Espanto 2011

A Hora do Espanto

A Hora de Espanto (Fright Night, 2011) é mais uma refilmagem de um filme dos anos 80… e não é muito diferente do original. O roteiro é tão vazio quanto, embora, neste caso, isto não caracterize um problema. O longa de 1985 estava longe de ser uma obra-prima cinematográfica, mas seu valor estava no seu horror ao mesmo tempo bizarro e engraçado, típico dos filmes B da época. O longa atual pega os elementos da versão anterior e os atualiza de uma forma, no mínimo, aceitável. O diretor Craig Gillespie consegue fazer seu remake valer a pena e ainda honra a produção original.

A trama, apesar de algumas mudanças, segue a mesma linha. Charley Brewster (Anton Yelchin) é um ex-nerd que vive com a mãe, Jane (Toni Collette), numa comunidade interiorana de Las Vegas, onde é comum encontrar moradores com estilo de vida notívago — trabalham de noite e dormem de dia. Isto não preocupa Brewster, que está mais interessado em manter a popularidade que conseguiu e perder sua virgindade com a gostosinha Amy (Imogen Poots… sim… GOSTOSA!). Porém, ele é tirado desta vida por seu ex-melhor amigo nerd (e meio maquiavélico) Ed (Christopher Mintz-Plasse), que está cismado com histórias de vampiro e insiste em arrastar Charley numa busca por provas de que um vampiro está na cidade. Charley ignora a princípio, mas logo descobre a dura realidade: seu novo vizinho, Jerry (Collin Farrell) é um vampiro frio e voraz, que está fazendo cada vez mais vítimas em sua comunidade para saciar sua sede de sangue. Logo, Charley se vê envolvido numa corrida por sobrevivência contra o vampiro e procura a ajuda de um improvável caçador de vampiros, Peter Vincent (David Tennant).

Só pela trama, nada diferente da original, o novo A Hora do Espanto tinha tudo para ser desacreditado, principalmente pelos evidentes problemas do longa. O roteiro, além de superficial, possui muitos buracos e o filme sofre com a falta de sexualidade e violência gráfica que garantiam o aspecto macabro do original. O 3D também é péssimo e completamente ignorável. Porém, os erros são compensados pelos acertos. O mérito do diretor está justamente em trabalhar com a simplicidade de ideias que movia o antigo. Ele sabe exatamente o que o filme deve ser: bizarro nas partes engraçadas, tenso nas partes assustadoras e trash como um todo. Zero compromisso ou pretensão. Apenas, diversão. Craig Gillespie mostra-se um diretor competente, que consegue criar boas sequências de diálogos, ação, horror e perseguição. Tudo isto mantendo aquele tom meio atabalhoado do original.

O elenco contribui razoavelmente com a espirituosidade da história. Anton Yelchin e Collin Farrel apresentam uma inesperada, mas bem-vinda química. Yelchin esbanja alguma habilidade em sua atuação, embora não brilhe tanto quanto seu antagonista. Já Collin Farrell é o trunfo do longa. Seu vampiro é extremamente mais sedutor, sagaz e perigoso do que a versão oitentista. Ele explora com sabedoria as oscilações entre sua cara de bom moço e seu jeito badass mothafucker. Além disso, é ótimo ver na tela o retorno do vampiro cruel e sanguinário, a pura máquina de matar sugadora de sangue da cartilha vampiresca antiga. E Farrel tira de letra. David Tennant, no entanto, já não é tão interessante como Peter Vincent… na verdade, chega a ser chato em alguns momentos. No original, o personagem era o alívio cômico da história, um falso caçador de vampiros que era um ator velho e decadente de filmes de terror. Apesar de covarde, era um personagem divertido e que encontrava algum heroísmo no final. O novo caçador de vampiros é um ilusionista esnobe e sem qualquer carisma, que tenta se aproveitar dos elementos góticos que se tornaram comuns nos vampiros atuais. Além disso, ainda tem uma desnecessária história pregressa com o vilão. Em nenhum momento, suas motivações convencem. As personagens femininas de Toni Collette e Imogen Poots são as que merecem maior destaque. Na versão antiga, elas eram meras alegorias facilmente manipuladas pelo charme vilanesco do vampiro. Aqui, elas ganham contornos da personalidade feminina dos tempos atuais e atuam com firmeza para não se tornaram vítimas, mesmo diante de perigos sobrenaturais. Para completar, como eu disse antes, Imogen Poots ainda é um colírio visual! Christopher Mintz-Plasse aparece em poucos momentos, mas agrada… e ainda tem uma boa linha de diálogo avacalhando o livro Crepúsculo (2005).

De fato, o grande valor deste novo A Hora do Espanto é que o filme atualiza a história para os tempos modernos, mas sem perder a selvageria de outrora. O remake traz de volta um tom de comédia de horror que era comum nos anos 80, mas que andava esquecido. Além disso, pode ser bom para a geração atual conhecer um vampiro que é realmente mal e NÃO BRILHA!

Nível Heroico

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