Cinema

Contra o Tempo

Contra o Tempo

Contra o Tempo (Source Code, 2011) é um thriller intrigante e inteligente que surge sob o manto da ficção-científica, mas que usa a ciência apenas como um meio para um fim — no caso, conta a interessante luta de um homem para mudar o passado. O homem é Colter Stevens (Jake Gyllenhaal, muito bem no papel), que, sem qualquer motivo aparente, se vê num trem conversando com Christina Warren (Michelle Monaghan), uma mulher que ele nunca conheceu. Para complicar as coisas, ele está no corpo de outro homem e a única que parece ter uma explicação para isto é a misteriosa Colleen Goodwin (a carismática Vera Farmiga). O prólogo, sem dar tempo para afiar o raciocínio, além de definir o teor do filme, causa impacto pela confusão que provoca no espectador. Tudo fica ainda mais interessante depois, quando nos pegamos imersos no prazer de desvendar o mistério que vai se formando para o personagem.

O longa traz uma narrativa que, apesar do elemento fantástico de viagem no tempo, consegue emular os elementos primários de uma boa ficção-científica. O clima é tomado por tensão e agonia constantes, mantidas por um perigo iminente, enquanto a ambientação oscila entre o altivo e o decadente. Os momentos afetivos do trem são mais claros e limpos, enquanto as sequências frias do exército são mais escuras e sujas. O diretor Duncan Jones e o roteirista Ben Ripley ousam ao explorar uma narrativa tão peculiar num gênero tão instável. A ficção científica atual geralmente é sustentada por coisas explodindo e enredos-cabeça nem sempre são bem recebidos. Contra o Tempo não atinge a supremacia, mas, pelo menos, consegue ser um bom filme. Entretanto, existem problemas. Os efeitos especiais às vezes parecem muito artificiais; embora não seja algo que atrapalhe, pode causar algum incômodo no espectador mais ávido por uma excessiva qualidade visual. Outra questão é tanto um mérito quanto uma falha: a complexidade. O roteiro bem elaborado torna a trama mais atrativa, porém à medida que o desafio do protagonista aumenta, as explicações se sobrepõem demasiadamente rápido e algumas pontas acabam ficando soltas. O filme deixa escapar discursos científicos que poderiam resultar em diálogos memoráveis e que tornariam o Dr. Rutledge (Jeffrey Wright) um personagem ainda mais brilhante. São artifícios narrativos que podem ou não dar certo.

O ponto forte de Contra o Tempo está em seu contexto, na história do homem subjugado por um sistema no qual a diferença entre mocinhos e bandidos é tênue. A impressionante virada do roteiro reforça ainda mais esta visão, mas também define os protagonistas e os antagonistas. O romance também se faz mais presente e aumenta a determinação do mocinho, fazendo com que ele tenha uma motivação extra para continuar e também um objetivo a conquistar. São elementos que fogem um pouco da ficção-científica tradicional, mas também bebem da fonte de clássicos como O Vingador do Futuro (1990), Os 12 Macacos (1995), Minority Report – A Nova Lei (2002) e até mesmo o recente Agentes do Destino (2011). Adicionalmente, a temática de realidades alternativas e viagens no tempo, embora explorada de forma absurda, não agride a nossa inteligência. Para quem está acostumado com este tipo de ficção-científica, a trama pode parecer um pouco previsível, mas o longa consegue ser mais do que isso. A verdade é que Contra o Tempo merece respeito por tentar mostrar mais para o público do que efeitos especiais arrasadores, basta prestar bem atenção na história engenhosa que se esconde por trás da técnica. De qualquer forma, você sempre vai ter 8 minutos a mais para gostar do filme.

Nível Heroico



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