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Conan, o Bárbaro

Conan, o Bárbaro

Conan, o Bárbaro (Conan the Barbarian, 2011) é uma decepção completa, todo um potencial desperdiçado numa profusão de erros que nem mesmo o visível esforço do elenco consegue salvar. E, não… não estou fazendo comparações com o Conan de 1982 com o brucutu Arnold Schwarzenegger. Por mais incrível que possa parecer, o maior mérito desta nova versão é justamente o ator Jason Momoa. Conhecido por sua boa atuação como o também bárbaro Khal Drogo da série Guerra dos Tronos (2011), ele se esforça para dar ao seu Conan toda a carga brutal, porém garbosa, inerente ao personagem. Seu Conan, inclusive, aproxima-se bem do bárbaro da literatura e dos quadrinhos, evitando relações aprofundadas com o personagem trabalhado pelo Schwarza. A atriz Rachel Nichols também é eficiente, linda, firme, sensual… e rola até uns peitinhos maravilhosos. :-D O problema está em todo o resto.

Na trama, Conan (Jason Momoa, quando adulto; e Leo Howard, quando criança) é criado a duras penas por seu pai, Corin (Ron Perlman), para ser um poderoso guerreiro entre os cimérios. Porém, o herói testemunha a morte do pai nas mãos de um bandido obcecado por uma máscara mística, além de ver seu povo e seu lar serem destruídos. Anos mais tarde, Conan torna-se um guerreiro errante em busca de vingança contra o bandido, agora rei, Khalar Zym (Stephen Lang) e sua filha Marique (Rose McGowan, irreconhecível de tão bizarra). Em sua caçada, o bárbaro ainda se depara com Tamara (Rachel Nichols), que, por alguma razão, está sendo perseguida por seu inimigo.

O elenco, como eu disse antes, é a única parte realmente valiosa da produção. Jason Momoa, em sua primeira atuação realmente importante no cinema, é um achado como Conan. Ele consegue transmitir a presença soberana e bestial do bárbaro com desenvoltura e ouso até mesmo dizer que ele ficou mais adequado ao papel do que Arnold Schwarzenegger nas versões antigas (calma, não estou desmerecendo o Schwarza, apenas constatando um fato). Ron Perlman demonstra química como o pai de um Conan ainda com 10 anos e imaturo, interpretado com firmeza por Leo Howard (as cenas de ação com o garoto são as melhores do filme). Stephen Lang, no entanto, não chega nem perto da magnificência do vilão que interpretou em Avatar (2009), enquanto Rose McGowan tem sua personagem tão subaproveitada que mais parece uma caricatura da Maligna do desenho He-Man. Já Rachel Nichols mostra-se charmosa como sempre e bastante capaz na hora de lidar com cenas de ação, porém, sua personagem acaba sendo um mero macguffin para o quebra-cabeça da máscara mística e nem mesmo a tentativa de relacionamento com Conan desperta interesse. Aliás, a própria máscara é um macguffin falho, que é rapidamente esquecido na confusão do terceiro ato.

O diretor Marcus Nispel demonstra em Conan a capacidade limitada já exibida no fraquíssimo Desbravadores (2007) e no medíocre remake de Sexta-Feira 13 (2009). Sua preocupação parece ser unicamente sangue e tripas, nada mais. Para os idólatras da censura alta, vai ser um deleite, pois, realmente, não falta violência; porém, a violência é gratuita, não tem real finalidade para a trama e parece estar lá somente para garantir uma censura acima de 18 anos para o longa… e um chamariz para aqueles que reclamavam que Conan tem que ter violência. Sim, eu concordo que Conan DEVE ter violência, faz parte do personagem, entretanto, violência por violência é puramente escatologia. Conan é o epíteto do guerreiro poderoso, sagaz, brutal, habilidoso e contrário às hipocrisias e fraquezas de uma civilização decadente; um homem selvagem que enfrenta ameaças sobrenaturais, prevalece contra todas elas e ainda leva uma mulher para cama no final. Este é o herói que esperamos ver na tela, mas não é o que acontece. Falta a este filme a selvageria gráfica necessária para contar a história de um bárbaro fodão como Conan. Não obstante, enquanto sangue jorra frenético por um lado, por outro, as atitudes são sempre atenuadas por uma sensibilidade excessiva que também não cabe à atmosfera crua e desoladora da Era Hiboriana. A direção de arte e a fotografia são bonitas e passam o clima certo; os valores com os quais as pessoas daquela era são trabalhadas é que destoa.

Assistir a este Conan é como ser socado ao longo de duas horas ininterruptas, sentindo seu ouvido zumbir insanamente enquanto você torce para que aquela tortura acabe logo. Nada salva… roteiro previsível, diálogos deprimentes, coreografias sem graça (um guerreiro lutar segurando a espada para baixo não é nada empolgante!), edição de imagem (as sequências cortam de uma para outra DO NADA!) e edição de áudio (muitas vezes, as explosões e os desmoronamentos ficam tão altos que suplantam a voz dos personagens e você simplesmente não escuta o que está sendo dito), entre outros problemas. Aliás, cabe ressaltar que o roteiro de Thomas Dean Donnelly, Joshua Oppenheimer e Sean Hood parece ter sido inteiramente copiado de Escorpião Rei (2002); eles se deram o trabalho apenas de mudar os nomes dos personagens porque até no figurino alguns combinam. A diferença é que Escorpião Rei é um filme bem mais empolgante e divertido. Os roteiros até conseguem captar alguma essência das histórias de Robert E. Howard, o criador do cimério, e são nitidamente mais inspirados por estas histórias do que eram os dois filmes antigos; entretanto, na ânsia de exporem toda a violência possível em cena, esqueceram um detalhe relevante: a história de Conan é uma fantasia “espada e feitiçaria” (em inglês, sword and sorcery) e nem este lado é representado adequadamente. Para se ter uma ideia, o próprio maniqueísmo comum a este tipo de enredo é abstraído. Geralmente, os estereótipos da fantasia “espada e feitiçaria” são bem definidos, branco e preto, bem e mal. Mesmo com toda a barbárie do personagem, Conan ainda é um homem com um código moral; ele inspira lealdade e paixão porque segue seu coração e faz o que é certo, independente de fazer cabeças rolarem pelo caminho. Porém, neste filme, as motivações de Conan não diferem muito das de Khalar Zym… no fim, tudo se resume a vingança, expressada de tal forma que torna difícil estabelecer qualquer empatia com a jornada do herói. Aliás, uma pesquisada leve no RPG Dungeons & Dragons teria ajudado bastante na composição de toda esta atmosfera hiboriana, já que tudo que Howard criou parece não ter sido suficiente.

No saldo final, Conan termina com algumas cabeças esmigalhadas, um beijo na bochecha de uma velha, um sexo comportado numa cabana e uma mão no saco de um cara.

Essa Era Hiboriana é muito amor… e pouco sexo! :-(

Nível Ínfimo

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