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Você Viu?

O Homem do Futuro

Wagner Moura

Todo mundo já desejou em algum momento consertar alguma coisa que fez no passado. É o desejo de voltar e não ter feito e o cinema gosta destas premissas. Quanto mais simples for a centelha que conduz o negócio, mais rica é a resposta, disse o diretor Cláudio Torres em sua entrevista para o NE (que você pode ler aqui). A simplicidade é o segredo de O Homem do Futuro (2011) e a riqueza do resultado é inegável. O filme tenta “contrabandear” um tema pouco explorado no cinema nacional através da comédia romântica e consegue com louvor. O cineasta, conhecido por seu trabalho com Redentor (2004) e A Mulher Invisível (2009), consegue mostrar que é possível sim fazer cinema de ficção-científica no Brasil.

O longa conta a história do tresloucado cientista Zero (Wagner Moura), um homem inteligente e amargurado que acidentalmente volta no tempo. De volta ao momento em que tudo deu errado na sua vida, 20 anos antes, ele vê a chance de mudar as coisas e consertar sua relação com seu grande amor, Helena (Alinne Moraes). Porém, alterar o curso do tempo pode tornar sua vida ainda pior.

Um grande mérito da produção é conseguir abordar as possibilidades da viagem no tempo sem grandes dramas filosóficos. Os acontecimentos se entrelaçam de forma agradável e descontraída e culminam numa virada típica de um paradoxo temporal. Tudo flui naturalmente, sem que pareça em nenhum momento exagerado ou confuso. O filme aproveita os recursos de que dispõe e insere elementos tipicamente brasileiros nesta premissa fantástica, despertando uma empatia maior pela história. Não obstante, ainda recria o Brasil de 1991 de uma forma nostálgica e, ainda assim, bem-humorada. Dois momentos, em especial, são impagáveis e acontecem logo no período de adaptação de Zero ao novo tempo: a pergunta dele a um dono de bar sobre fumar (uma representação perfeita do que eram aqueles tempos em comparação ao tempo atual) e a pergunta sobre em que ano estão (que rende uma participação inspirada de Gregório Duvivier).

Alinne Moraes

O elenco está muito bem e Wagner Moura, como já é de praxe, dá um show de versatilidade ao interpretar várias versões de si mesmo em tempos diferentes. O ator oscila do jovem sonhador ao adulto ranzinza com facilidade e transmite bem o drama do personagem que precisa desesperadamente encontrar a si mesmo. Alinne Moraes complementa o dueto romântico com talento, beleza e carisma. Ela está realmente radiante e tem química com o protagonista. O Homem do Futuro, no entanto, não é só sobre pessoas perdidas, mas também sobre tempo perdido… o tempo que perdemos olhando para o passado e que, muitas vezes, não nos deixa enxergar o que podemos construir para o futuro. A canção da banda Legião Urbana, Tempo Perdido, surge como parte fundamental da trama e cantada numa afinação perfeita por Wagner e Alinne. Para completar o ótimo elenco, temos ainda as participações convincentes, ainda que um pouco caricatas, de Maria Luísa Mendonça e do comediante Fernando Ceylão. Este último, em seu primeiro trabalho no cinema, ainda se mostra um pouco retraído, mas consegue passar simpatia para o melhor amigo de Zero, Otávio.

O Homem do Futuro carrega ainda muitas referências a outras produções do gênero, que são facilmente perceptíveis, indo desde clássicos literários como A Máquina do Tempo (1895), de H.G. Wells, até os filmes Carrie, a Estranha (1976), a trilogia De Volta Para o Futuro (1985-1990), os quatros Exterminador do Futuro (1984-2010), Efeito Borboleta (2004), o seriado Lost (2004), Star Trek (2009), A Ressaca (2010) e os nacionais A Dona da História (2004) e A Máquina (2006). Todas estas referências misturadas com um humor leve e romântico conseguem trazer um bom produto de ficção-científica para o cinema nacional, onde o gênero ainda é tão invisível. Ironicamente, o cineasta por trás de Mulher Invisível é quem está revelando as possibilidades deste gênero. O Homem do Futuro é um investimento bem-vindo para o futuro.

A música é clara… “temos nosso próprio tempo”.

Nível Exemplar



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