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Planeta dos Macacos: A Origem

Will Rodman (James Franco) é um cientista genético que trabalha desesperadamente por uma cura para a doença de Alzheimer. Ele produz uma droga experimental que aumenta absurdamente a inteligência e a capacidade cognitiva dos macacos, e devido aos resultados positivos nos animais está pronto para testá-la em humanos. Os testes são realizados com uma macaca chamada Bright Eyes — uma referência à Dra. Zira, que chamava o astronauta Taylor de “olhos brilhantes” no filme original. — Quando a apresentação do projeto para um grupo de investidores dá errado por causa de um acesso de fúria de Bright Eyes (numa sequência impressionante), os macacos do laboratório são sacrificados. O único sobrevivente é o macaco-bebê Caesar (Andy Serkis), que herdou a inteligência avançada da mãe. Will leva Caesar para sua casa e com a ajuda da namorada (Freida Pinto) e do pai (John Lithgow), torna-se um pai substituto para o macaco. Caesar cresce entre os humanos e com o passar dos anos começa a sentir o peso de suas diferenças em relação a eles. Com a dificuldade de controlar seus impulsos animais, ele acaba preso com outros macacos e descobre a utilidade que sua inteligência pode ter para a sobrevivência de sua própria espécie.

(Rise of the Planet of the Apes) – Ficção Científica. Estados Unidos, 2011.

De Rupert Wyatt. Com Andy Serkis, James Franco, Freida Pinto, Brian Cox, Tom Felton e John Lithgow. 105min. Classificação: 12 anos.

Planeta dos Macacos: A Origem


PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM – CRÍTICA

Planeta dos Macacos: A Origem era uma produção que, à primeira vista, parecia desnecessária, apenas mais uma forma de ganhar dinheiro com franquias antigas e bem sucedidas. Depois do fracasso da refilmagem de Planeta dos Macacos dirigido por Tim Burton em 2001 não dava para esperar coisa boa. Mas o primeiro trailer surgiu e aumentou as expectativas. O filme, as superou. O Planeta dos Macacos (1968), estrelado por Charlton Heston como o astronauta Taylor, com seu desfecho genial, ainda mantém seu posto de melhor filme, mas as continuações que o precederam parecem brincadeira de chimpanzé perto da magnitude desta prequel. A Origem, sob a direção consistente de Rupert Wyatt, é surpreendentemente um dos melhores filmes da série.

O roteiro é bastante focado nesta relação homem-animal. O peso da vilania é retirado dos ombros dos macacos, como acontecia no clássico de 1968, e colocada sobre os humanos. Os papéis são realmente invertidos: os humanos são tão bestiais quanto os animais e os macacos, vítimas de um mundo que não compreendem. Uma referência ao clássico e que enaltece bastante esta ideia de inversão é a forma como Dodge (Tom Felton) maltrata dos símios: disparando um jato d’água com uma mangueira — no original, os macacos controlavam os humanos com jatos d’água. — Os protagonistas são o verdadeiro elo com a moralidade e, embora estejam inseridos nesta frieza — Will trabalha como cientista na empresa que usa os macacos como cobaias —, lutam para não perderem justamente o que faz deles seres humanos.

Will é a personificação da necessidade que o homem tem de encontrar a solução para todos os problemas simplesmente pelo medo que eles têm de sua própria vulnerabilidade; um medo que não é tão real para os macacos que, mesmo dotados de inteligência, veem o mundo de uma forma mais básica e primitiva. Uma das grandes premissas da série era o tema sobre a exploração de animais, seja para experimentos científicos ou medicinais, seja para exibição. No original, a Dra. Zira questionava o uso de humanos em experimentos, por serem uma espécie diferente; aqui o foco volta-se para os macacos, que lutam por seu direito à liberdade com suas próprias unhas e dentes. A Origem mostra de forma consistente como a humanidade vai fracassar perante seu “complexo de Deus”. Quando os macacos se rebelam, sabemos que o mundo será dominado por eles no futuro, e mesmo assim torcemos por eles.

Os atores contribuem com esta narrativa mais densa, embora estejam mais contidos, talvez para deixar o destaque para os principais personagens: os macacos. John Lithgow aparece excelente como o pai de Will que sofre do Mal de Alzheimer e estabelece uma motivação forte para a obsessão do protagonista. James Franco, geralmente caricato em suas atuações, lida bem com a carga dramática de um personagem que, ironicamente, é o que mais precisa evoluir na história. Brian Cox também está bem em sua participação especial de luxo como o dono do local que mantém os animais em cativeiro.

O único passo em falso é dado por Tom Felton, recém-saído da franquia Harry Potter, ainda não conseguiu se livrar totalmente de sua cara de Draco Malfoy. Ele odeia os macacos e os trata mal sem qualquer razão evidente, apenas pelo prazer de prejudicar os bichos — ele é simplesmente o estereótipo do carcereiro violento e vazio comum aos filmes de prisão. — Ainda assim há de se mencionar que Felton é responsável por momentos antológicos que remetem ao filme de 1968, como por exemplo, quando ele grita “Tire suas mãos de mim seu macaco imundo!” em uma alusão clara à primeira frase que Charlton Heston grita para os seus captores símios na versão original. O próprio nome do personagem de Tom Felton, Dodge Landon, também é referência a Dodge e Landon, amigos de Taylor em Planeta dos Macacos. Outro vilão caricato é o executivo ganancioso Steven Jacobs, cujo nome parece ser também uma referência ao filme original — nesse caso a um dos produtores: Arthur P. Jacobs.

O grande destaque de Planeta dos Macacos: A Origem fica por conta da Weta Digital (equipe responsável por Avatar), que produziu o efeito que deu vida aos macacos através da captura de movimentos dos atores. Os símios parecem reais e suas ações e emoções são perfeitamente críveis, especialmente Caesar — de quem temos o prazer de acompanhar o desenvolvimento desde a infância até a idade adulta. — O cuidado na criação do macaco-protagonista é impressionante, ampliado ainda mais pela expressiva atuação de Andy Serkis, um especialista na interpretação de personagens digitais, vide suas participações como o Gollum em Senhor dos Anéis e como King Kong.

Quanto aos problemas, existem poucos. O início é complicado, pois sucede os acontecimentos de forma muito rápida; somente depois de cerca de trinta minutos de projeção que encontra o ritmo adequado. O dinamismo excessivo pode incomodar um pouco, mas também tem suas vantagens, pois não deixa espaço para enrolação. Os personagens humanos e suas relações são subaproveitados. O espaço dedicado a Caesar é que supre esta carência, pois desenvolve o caráter do símio e cria a empatia necessária com o público. Como eu disse antes, torcemos por ele. Quando se aproxima dos momentos finais, o ritmo acelera novamente, desta vez para proporcionar uma surpreendente sequência de ação e efeitos visuais. A cena da invasão da ponte Golden Gate, em São Francisco, é sensacional e eleva o filme de patamar. No fim tudo é bem amarrado, não só na construção da trama, mas também em sua ligação com a série clássica. Agora finalmente conhecemos como começou a dominação dos macacos. Prepare-se para o que virá a seguir.

OBS: Existe uma cena no meio dos créditos, depois de alguns minutos do final, que é bem interessante.

Planeta dos Macacos: A Origem

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