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Professora Sem Classe

Professora Sem Classe

A proposta por trás de Professora Sem Classe (Bad Teacher, 2011) certamente renderia uma boa ideia… mas, não é o caso deste filme. Infelizmente, apesar da participação de atores talentosos, a comédia não consegue ir muito além da mediocridade.

Dirigido por Jake Kasdan e roteirizado por Gene Stupnitsky e Lee Eisenberg, os mesmos do seriado The Office (2005), a história é centrada em Elizabeth Halsey (Cameron Diaz), uma professora imatura, sarcástica e materialista cujo único objetivo de vida é arrumar um marido rico para sustentá-la. Para tanto, ela deseja aumentar o tamanho dos seus seios (futilidade em nível extremo) e direciona sua mira para o novo professor da escola onde trabalha, o sensível e ricaço Scott Delacorte (Justin Timberlake). Entretanto, a vida dela na escola não é tão fácil porque, além de ser uma relapsa, tem que lidar com uma rival tresloucada, Amy Squirrel (Lucy Punch), e as investidas amorosas do sacana professor de educação física Russel Gettis (Jason Segel).

A aparência de Cameron Diaz é toda trabalhada para deixá-la com o perfil mais vilanesco possível, já que a atriz normalmente faz papéis de pessoas legais. Neste quesito, o trabalho da maquiagem mostra-se eficaz, pois garante um aspecto quase de bruxa velha sem deixar a atriz perder sua beleza natural. O problema é a atuação. Diaz não tem tato para comédia e, para falar a verdade, nunca teve. No filme, no entanto, ela consegue alguns momentos hilários sustentada pela performance dos seus companheiros de elenco — se não fosse pelo restante do elenco, a atriz daria um vexame. Justin Timberlake, que sempre aparece bem em suas atuações no cinema, não parece à vontade no papel. Seu personagem é irritante e chato. Ver Elizabeth e Amy disputando ele torna as coisas ainda mais enfadonhas. Mas, não dá para negar, que uma das cenas mais irreverentes do longa é protagonizada por Timberlake e Diaz: um bizarro sexo com roupas. Lucy Punch é a melhor parte da trama e consegue arrancar algumas boas risadas com sua professora fofoqueira e descontrolada. Jason Segel também surge como um personagem interessante e que dá um certo charme canastrão à história, porém não tem química com Cameron Diaz e sua performance acaba prejudicada. Além disso, nunca fica claro porque Russel tem interesse nela (além dos motivos óbvios). Uma atriz que merece destaque é Phyllis Smith, que interpreta a divertida Lynn Davies, a amiga meio retardada de Elizabeth. Dentre todos os demais atores, Smith é quem mais serve como trampolim para a personagem de Cameron Diaz desperta alguma empatia no público (ainda que não seja o suficiente).

Mesmo com este elenco, os momentos engraçados são escassos e os poucos que existem não são exatamente brilhantes. Algumas risadas surgem, mas não escondem as falhas da produção. Muitas coisas aqui não funcionam. Os personagens e as relações entre eles são fracos e o roteiro não se preocupa em aprofundá-los além do estereótipo básico traçado para cada um deles. O enredo é incoerente e desinteressante, e são problemas que seriam ignoráveis se o filme fosse espetacularmente engraçado ou efetivamente subversivo, o que não é o caso. A subversão, aliás, é a proposta do roteiro (ou, pelo menos, parece ser), mas em algum momento se perde no meio dos retalhos da trama e da falta de ritmo que toma conta a partir da segunda metade. É uma verdadeira mixórdia. A ideia do aumento dos seios é usada ou ignorada quando parece conveniente (como mostrar Cameron Diaz toda molhadinha) e existem ainda algumas subtramas envolvendo os alunos que nunca chegam a lugar algum. Para completar, os roteiristas se perdem na hora de dar rumos para sua protagonista. Elizabeth é uma mulher insuportável e cuja redenção provavelmente pareceria forçada, mas deixá-la aonde começou não é uma coisa boa. Em qualquer roteiro, os personagens (especialmente o protagonista) devem evoluir de alguma forma. Os desafios estão lá para serem superados e, com isso, promoverem experiência e evolução. Quando isto não acontece, tivemos duas horas de história que não serviu para nada. Assim é o cinema… assim é a vida. Os roteiristas ficam em cima do muro e, por causa disso, o desfecho acaba soando falso e desagradável. Eles podiam ter se inspirado em Papai Noel às Avessas (2003) para criar sua trama, no qual uma ideia similar é trabalhada de forma mais inteligente.

O filme podia ter ido além de alguns lapsos de diversão, porém, a má condução do roteiro deixa o giz quebrar na hora em que a equação poderia ficar realmente interessante, deixando um zumbido incômodo no ouvido como unhas arranhando um quadro negro.

O mais irônico é que, no fim, Professora Sem Classe é justamente… SEM CLASSE!

Nível Ínfimo

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