Cinema

Dylan Dog e as Criaturas da Noite

Dylan Dog e as Criaturas da Noite

Dylan Dog e as Criaturas da Noite (Dylan Dog: Dead of Night, 2010) é uma adaptação de uma história em quadrinhos italiana, que teve edições publicadas no Brasil por várias editoras. Confesso que conheço pouco sobre as histórias do Detetive do Pesadelo, como também é conhecido, por isso, vou me ater ao filme, sem traçar grandes paralelos com a HQ.

Na trama, Dylan Dog (Brandon Routh, que foi o azulão em Superman: O Retorno, de 2006) é um detetive particular que vive de desmascarar maridos e esposas infiéis. Ele já foi um grande investigador do sobrenatural, porém afastou-se do mundo oculto após um acontecimento trágico envolvendo sua vida pessoal. Os seres sobrenaturais, no entanto, estão por toda a parte e Dylan Dog não consegue ficar muito tempo longe. Quando um homem é assassinado por um lobisomem, ele se vê forçado a abandonar sua “aposentadoria”. Ele une-se a Elizabeth (Anita Briem), filha da vítima, na busca de pistas sobre o caso e descobre que uma guerra entre vampiros e lobisomens está prestes a eclodir por causa de um amuleto capaz de libertar um poderoso demônio. Nesta empreitada, Dylan conta ainda com a ajuda de seu assistente Marcus (Sam Huntington, que interpretou Jimmy Olsen em Superman: O Retorno, também ao lado de Routh).

Não há muito que esperar de Dylan Dog. A trama é simplória e sem grandes novidades. A atuação de Brandon Routh é pura canastrice e inexpressividade. O filme não demonstra grandes pretensões e oferece apenas um misto de ação, humor negro e monstros… muitos monstros. O mundo de Dylan Dog é habitado por uma variedade de seres sobrenaturais que se escondem pela noite: vampiros, lobisomens e zumbis são os principais e tem até mesmo um zumbi-mutante grotesco no melhor estilo Resident Evil (2002). A história caminha de forma bastante detetivesca, com a investigação rolando enquanto o protagonista narra os fatos da forma mais cretina possível — uma tentativa de emular os filmes noir que não funciona. O final é morno e desprovido de um clímax efetivamente empolgante. Dylan Dog, como o protagonista, tem pouca participação no desfecho; ele revela o mistério por trás da busca pelo amuleto e depois se limita a tomar umas porradas do chefão final sem maiores reações. Acho que faltou um pouco mais de atitude badass no personagem. A ideia do desfecho, no entanto, desperta um interesse mínimo. A virada do roteiro é fraca e previsível, mas traz um questionamento sobre maniqueísmo e sobre quem são os verdadeiros monstros. Nada muito profundo, mas que acrescenta alguma coisa a um filme pouco inspirado.

O ponto forte da produção é o humor, que aqui fica a cargo do assistente de Dylan. Logo no início, Marcus morre e vira um zumbi, mas se recusa a aceitar sua condição. Porém, como um bom zumbi, ele está se decompondo, precisa se alimentar e não pode comer comida normal, pois é intragável para seu estômago podre. Ele precisa se alimentar de vermes e outras coisas nojentas e as cenas nas quais ele precisa lidar com isso rendem boas risadas dentro do possível, já que as falas do personagem são péssimas. Marcus, na verdade, substitui o assistente original de Dylan Dog, que nos quadrinhos chama-se Grouxo. Por questões jurídicas, Grouxo não pôde ser usado, por isso foi substituído. Aliás, Marcus parece um pouco com os mortos-vivos que perturbavam a vida do protagonista de Um Lobisomem Americano em Paris (1997).

No fim, Dylan Dog e as Criaturas da Noite lembra os filmes toscos de terror (ou terrir) que eu assistia quando era criança e fizeram a alegria de muita gente nos anos 80 e 90. Com uma ideia original, poderia até valer a pena, mas como roteiro adaptado acaba soando como demérito para o respeito que as adaptações de quadrinhos vem construindo no cinema. Depois de obras espetaculares como Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) e Homem de Ferro (2008), tirar um filme como Dylan Dog do papel é puro desperdício.

Nível Ínfimo



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