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Os Smurfs

Os Smurfs

Os Smurfs (The Smurfs, 2011) é basicamente uma brincadeira de criança. O filme é baseado nos personagens criados pelo desenhista de quadrinhos belga Peyo Culliford, em 1958. Na década de 80, ficaram mundialmente conhecidos por causa do desenho animado que contou em mais de 400 episódios a história dos azulzinhos cuja altura não ultrapassa a de três maçãs. Os Smurfs (Schtroumpfs, no original belga) tornaram-se parte do imaginário popular e alegraram a infância de muita gente. Dirigido por Raja Gosnell, conhecido por Vovó… Zona (2000) e Scooby Doo (2002), este longa chega com tom de homenagem, mas, também com o intuito de apresentar a franquia para as novas gerações. Vai agradar aos filhos, acostumados às animações praticamente onipresentes no cinema atual, e provavelmente aos pais, que poderão relembrar um desenho que marcou época na televisão.

A trama acompanha a vida alegre, cantante e cercada de magia dos Smurfs, que estão sempre tentando evitar as investidas do malvado feiticeiro Gargamel (Hank Azaria) contra sua vila. Numa destas perseguições, os pequeninos acabam sugados por um portal mágico e são trazidos para o nosso mundo, bem no meio de Nova York — a abordagem lembra o filme Encantada (2007). Gargamel, no entanto, não desiste e atravessa o portal junto com seu gato, Cruel. Agora, Papai Smurf, Desastrado, Ranzinza, Arrojado, Gênio e Smurfete precisam encontrar um jeito de voltar para sua vila e, para isso, vão contar com a ajuda do casal de humanos: Patrick Winslow (Neil Patrick Harris) e Grace Winslow (Jayma Mays).

O roteiro é simples e linear, sem grandes surpresas ou reviravoltas e foca principalmente no casal Patrick e Grace, cuja vida — como é de praxe em filmes nos quais criaturas de outros mundos brotam entre humanos — é completamente virada do avesso. Grace está grávida e tem problemas com a ausência do marido, sempre consumido pelo trabalho. Por outro lado, Patrick não sabe se vai ser um bom pai. O uso de uma personagem grávida, que parece gratuita no início, mostra-se importante como elo entre os personagens e os Smurfs ao mostrar a preocupação do Papai Smurf para com seus filhos e despertar em Patrick o carinho paterno. A grande mensagem é a mesma que era disseminada pelo desenho: a importância da família. O tema é tratado de forma singela, sem que pareça uma lição de moral chata e, de quebra, ainda dá uma cutucada na insensibilidade que toma conta de muitas grandes empresas do mundo.

As cenas de ação são bastante divertidas e emulam com eficiência as clássicas perseguições dos desenhos oitentistas, como era comum no próprio Smurfs e em outros como Tom e Jerry ou Coyote e Papa-Léguas — a sequência na loja de brinquedos é uma das melhores. O humor aparece na medida certa, encabeçado principalmente por Gargamel e seu gato. O ator Hank Azaria tem momentos inspirados (especialmente quando tem névoa para dar um suspense) e o gato Cruel, que é animado digitalmente em determinadas cenas, demonstra uma expressividade impagável (principalmente quando se trata de ridicularizar a estupidez do dono). Os protagonistas estão cativantes e fofos. Todos, cada um com suas particularidades, acrescentam graça à história — o Papai Smurf com sua sabedoria e instinto protetor; o Arrojado, criado para o filme, com sua audácia; o Ranzinza com seu pessimismo; o Gênio com seu pensamento e linguagem rebuscados; o Desastrado com sua incrível falta de jeito; e a Smurfete com seu charme. Há de se destacar a forma como a Smurfete é retratada no filme, como uma menina solitária em uma aldeia cheia de Smurfs machos, adorada e até mesmo cobiçada, mas inalcançável — e Katy Perry ainda surpreende com a naturalidade com que dubla a personagem. Todavia, existe um Smurf que é realmente sensacional — o Narrador.

Os Smurfs é uma produção tipicamente infantil que aborda temas e valores interessantes para a geração atual e ainda apresenta este universo mágico para aqueles que não cresceram acompanhando as aventuras destas criaturinhas azuis. Não obstante, ainda vai arrancar boas risadas com as trapalhadas do vilão, a musiquinha “irritante” dos Smurfs (que gruda na cabeça) e o divertido (e exagerado) hábito dos azulzinhos de “smurfizar” as palavras. Os Smurfs é agradável, divertido e bonitinho… um convite para sentar despretensiosamente numa sala de cinema e aproveitar alguns minutos de fofice, magia e cogumelos.

Nível Heroico



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  • http://nenhum Alaanis

    Eu Ameei o Filme os Smurfs FOi o Melhor Filme que eu Já Vi Em Toda a Minha vida,Minha Mãe e Meu Mãe,Assistinham Muito os Smurf e Adoravam(Quando Criança e PréAdoleceste)

    • http://www.nivelepico.com/ Alan Barcelos

      Os Smurfs também fizeram parte da minha infância e fiquei feliz com o filme. O bom é isto… que os Smurfs estão sendo apresentados para uma geração que não os conhecia. =D

  • http://pamy pamela

    eu vou ver este filme
    sabado em 3d
    vai ser muito legal

    • http://www.nivelepico.com/ Alan Barcelos

      Faça isso. Você vai gostar. =)

  • Carolina

    Como foi dito na critica…fui despretensiosamente numa quarta feira aproveitar a meia entrada com meu filho e um vizinho da mesma idade, e simplesmente foi voltar a ter 8 anos, não me lembro de me sentir tao feliz e criança de novo. Recomendo e garanto, a tristeza desaparece e como dizia a musiquinha, Tudo como eu sempre quis, se você quiser também venha ser Smurfeliz!!!!!!!

  • caique

    muito boa sua critica, bem diferente de um sitezinho que meteu o pau no filme e ainda conseguiu encontrar conteudo improprio, fala serio. parabens pela sua analise, muito boa, adorei rever os smurfs de novo.
    abrasss.

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