Assalto ao Banco Central

Alan Barcelos 22/07/2011

Assalto ao Banco Central

Assalto ao Banco Central (2011) é uma produção brasileira que, pelo trailer, prometia bastante e mostrava algum potencial para dar certo. Mas, deu errado… muito errado. O filme é chato e enfadonho. O diretor Marcos Paulo, egresso das telenovelas, derrapa em sua primeira tentativa como cineasta e desperdiça uma ideia boa com um resultado ruim. O longa é conduzido como se fosse uma novela de quase duas de duração, com soluções simplórias e diálogos excessivamente dramáticos ou completamente vazios.

O Caso do Banco Central, em Fortaleza, no Ceará, ficou conhecido como o maior assalto do século XXI e o segundo maior da história. A ousadia do roubo ainda atiça a imaginação das pessoas três anos após as investigações terem sido encerradas, com 122 presos e apenas uma pequena parte do dinheiro recuperado. A trama, que não tem qualquer compromisso com a realidade, conta como o chefão do crime Barão (Milhem Cortaz) idealizou o assalto que lhe renderia milhões. O bandido e sua namorada Carla (a belíssima Hermila Guedes) organizam uma equipe para o trabalho e iniciam o esquema para o roubo. Assim, entram em cena: Mineiro (Eriberto Leão), Tatú (Gero Camilo), Doutor (Tonico Pereira), Caetano (Fábio Lago), Saulo (Creo Kellab), Léo (Heitor Martinez), Firmino (Cadu Fávero), Décio (Juliano Cazarré) e o improvável Devanildo (Vinícius de Oliveira). Do outro lado, a polícia federal investiga o crime e tenta chegar aos culpados sob o comando dos delegados Chico Amorim (Lima Duarte) e Telma Monteiro (Giulia Gam).

A proposta era simples e o fio condutor da trama já era facilmente perceptível. Porém, já que o filme se apropria de muitos padrões do cinema de ação norte-americano, por que não produzir uma trama de assalto a banco em sua essência, com o intuito apenas de divertir?! Não… o longa, na tentativa de ser maior do que realmente é, termina como um tiro que saiu pela culatra. As tentativas de emular o cinema norte-americano são ousadas, porém falhas. Algumas referências mais evidentes remetem ao diretor de ação Tony Scott, de Amor à Queima-Roupa (1993) e Incontrolável (2010); outras tentam aproveitar recursos usados por Quentin Tarantino em Cães de Aluguel (1992) e Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994). A adrenalina constante e o pouco uso de efeitos especiais até funcionam, mas a edição alternada do primeiro ato incomoda. Na tentativa de imprimir agilidade na trama, a montagem alterna entre a preparação do assalto e a posterior investigação da polícia, mas a edição é malfeita e atrapalha o desenvolvimento dos personagens.

Aliás, os personagens (e seus intérpretes) constituem o maior problema do longa. O roteiro desenvolve suas personalidades de forma muito fria e muitos diálogos entre eles são completos desperdícios de fala — o assalto ganha o status de protagonista e o elenco é subaproveitado. No meio da trama, vários outros personagens são inseridos para tirar proveito de elementos ligados ao assalto real, mas sua presença ali é tão incoerente que eles aparecem do nada e, no desfecho, eles são simplesmente abstraídos. Quanto ao elenco, os atores já carimbados no cinema são os que se saem melhor. Milhem Cortaz, Hermila Guedes e Gero Camilo estão entre as melhores atuações e extraem o que podem do roteiro confuso. O destaque fica mesmo na mão de Vinícius de Oliveira, como um evangélico de trejeitos afetados que vive na dúvida entre o pecado e o dinheiro, e Tonico Pereira, como um peculiar comunista (que tem o melhor final na história). Os atores advindos da televisão, no entanto, não dão tanta sorte. Eriberto Leão apresenta uma atuação péssima e extremamente caricata. Giulia Gam e Lima Duarte não convencem no papel de delegados.

A falta de ritmo torna tudo extremamente cansativo depois de uma hora de exibição e muitas coisas são de um exagero dispensável. Não empolga como ação, não empolga como drama… e não empolga nem como novela. Depois de bombas como Segurança Nacional (2010) e Federal (2010), Assalto ao Banco Central vem para mostrar que o cinema brasileiro não consegue emplacar filmes de ação, nem sequer como uma expressão de entretenimento puro.

Nível Ínfimo

Alan Barcelos

Apaixonado por cultura pop, cafeína e cerveja. Tentou ser taverneiro, desenhista, lutador de rua e shinigami. Não deu certo, acabou virando jornalista.

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