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Harry Potter: O Fim

O fim de Harry Potter

Enfim, o fim…

A mais aclamada história já contada no cinema chega ao seu final. Depois de seis longa-metragens inspirados na magnífica obra de J.K. Rowling, Harry Potter chegou ao seu ápice com os sétimo e oitavo filmes. A decisão foi inesperada e, talvez, buscasse extrair um pouco mais de suco de uma laranja tão lucrativa, mas também foi a decisão mais acertada levando-se em consideração que o último livro é o maior em termos de volume de páginas e conteúdo. Se J.K. Rowling concedeu um final grandioso para sua obra literária, por que não dividir esta história em duas partes no cinema e explorar todo o seu potencial?! Harry Potter e as Relíquias da Morte é o encerramento e, ainda que dividido em duas partes no cinema, ainda constitui um arco único, que reúne a caçada pelas horcruxes e o confronto final entre Harry Potter e seu arquiinimigo Lord Voldemort. Os dois filmes devem ser levados em consideração juntos e são, na verdade, um longo filme de quase cinco horas de duração, com um breve momento de respiro. Por isso, preferi deixar para falar do final como um todo neste especial. No outro especial, abordei os seis longas anteriores e como tudo aconteceu até culminar neste momento (clique para ler o Especial: A saga de Harry Potter no cinema). Agora, completo o ciclo assim como o ciclo se completa no cinema.

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 1, 2010) provou porque a separação em duas partes valia a pena. Ao contrário dos longas anteriores, a adaptação pôde explorar mais dos acontecimentos do livro e teve mais tempo para aprofundar e desenvolver tanto trama quanto personagens. Os defeitos habituais e os cortes feitos em prol da redução da história para as telas foram drasticamente reduzidos, concedendo um ritmo diferente. A Parte 1 reforçou a maior qualidade de Harry Potter — o amadurecimento constante. Assim, como os personagens foram crescendo ao longo dos anos e a própria trama foi se tornando mais adulta, a qualidade técnica dos longas também aumentava. A trama trazia as terríveis consequências da ascensão de Lord Voldemort. O caos tinha tomado conta do mundo da magia. Harry, Ron e Hermione lutavam para fugir das garras do senhor das trevas, enquanto tentavam proteger seus entes queridos. Sua última esperança era encontrar as horcruxes, os únicos artefatos que poderiam acabar de vez com a ameaça de Voldemort.

O diretor David Yates e o roteirista Steve Kloves juntaram-se mais uma vez para dar cabo deste árduo trabalho de encerrar a franquia. Para tanto, diretor e roteirista preferiram aproveitar o tempo que tinham em mãos para entregar a história mais fiel ao original possível. De fato, Harry Potter e as Relíquias da Morte começava seu caminho valendo-se dos fãs e do fato de que eles eram muitos e tinham acompanhado a saga desde o seu início (ou pelos livros ou pelas telas). O filme era claramente direcionado para eles. O tempo estendido abria espaço para momentos mais reflexivos entre os personagens, mostrando o quanto suas relações eram fortes, entregando ao público sequências e diálogos memoráveis. A ação e a magia foram trabalhadas de forma mais contida, dando um ritmo mais lento a esta primeira parte. O revezamento entre ação e emoção rendeu momentos antológicos, como a fuga dos sete Harry Potters, a invasão do Ministério da Magia, a visita a Grodic’s Hollow, a busca pela Espada de Gryffindor e o reaparecimento do elfo Dobby (que provoca sentimentos de graça e tristeza). Com mais espaço para desenvolverem, os atores também contribuíam com atuações impecáveis. Daniel Radcliffe e Emma Watson mostravam-se ainda mais seguros e entrosados em cena, porém, foi Rupert Grint quem mais sobressaiu. O ruivo saía da posição de alívio cômico e assumia uma responsabilidade mais sóbria e heróica, numa demonstração clara de maturidade tanto do personagem quanto do ator.

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 cumpriu bem o seu papel oferecendo mais exploração e preparação de terreno para o verdadeiro clímax. O longa assumia claramente a postura que seria apenas um trampolim, evidenciado pela não existência de um final. A história foi paralisada na hora certa, exatamente num ponto de virada relevante para a trama e que abria espaço para o fechamento que viria de forma épica, como pede uma boa história de fantasia. Ficou a tensão e a expectativa. Apesar de conseguir alguma identidade própria, a primeira parte sustentava-se plenamente no ideário de que a segunda chegaria e concluiria tudo. Então, o momento chegou…

Harry Potter e Lord Voldemort

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows – Part 2, 2011) veio como um grande clímax em si mesmo! O ritmo incomum imposto pela fragmentação da história deixou reservadas para a segunda parte toda a ação e agilidade que não cabiam à primeira. David Yates já de cara reforça o objetivo de continuar na segunda parte a história da primeira. Não há recapitulações ou explicações sobre o que aconteceu anteriormente. O diretor assume que os fatos já são conhecidos pelo público e não perde tempo com eles. O filme começa exatamente aonde parou o primeiro e segue a partir daí. Como eu disse antes, duas partes, uma história. A atitude mostra-se extremamente eficiente para manter o fluxo da narrativa. No futuro, será ainda mais interessante assistir às duas partes em sequência de uma vez só.

A Parte 2 continua carregada com o tom sombrio com que Yates vem trabalhando desde o quinto filme, porém a história está mais densa, com sequências repletas de violência, sangue, morte e tristeza. O esperado embate entre heróis e vilões da série culmina numa guerra de proporções fantásticas e alarmantes. Não há compaixão com nenhum dos lados. A guerra não é uma coisa feliz e o filme faz questões de deixar isto claro. Algumas sequências de maior apreensão são o drama pessoal de Harry Potter (Daniel Radcliffe) ao perceber que seus amigos estão morrendo por sua causa e as revelações feitas sobre o passado de Severus Snape (Alan Rickman) — revelações que marcam definitivamente o mórbido antagonista como o personagem mais interessante da saga. Todavia, na guerra também existe a lealdade, o heroísmo, a coragem e o valor, e isto é mostrado com igual eficiência, enaltecendo os espectadores com tamanha grandiosidade de emoções. Algumas cenas provocam arrepios de satisfação ao acontecerem e ainda nem estou falando das sequências de ação. O personagem Neville Longbottom (Matthew Lewis), tem momentos realmente inspirados — é muito bonito ver como aquele menino tímido e fracote dos longas anteriores torna-se um homem forte e destemido diante da necessidade de proteger as pessoas importantes para ele. De fato, ainda que sua aparição permaneça tocada por alguma comicidade, sua ascensão é incrível e coloca-o entre os melhores personagens do filme. Outros coadjuvantes também ganham algum destaque, como a Professora Minerva McGonagall (Maggie Smith), que andava meio sumida, mas volta com tudo. Alguns, no entanto, terminam deixando um amargo gosto de vergonha alheia, como Draco Malfoy (Tom Felton), cujo personagem, depois do sexto filme, tinha todo um potencial para crescer, mas acabou completamente desperdiçado no final. Entretanto, o destaque maior fica mesmo com os três protagonistas da série: Harry Potter (Daniel Radcliffe), Ron Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson). Daniel Radcliffe entrega sua melhor atuação desde que assumiu o manto do jovem bruxo. O ator consegue passar toda a força de espírito necessária para acreditarmos em Harry ao longo de sua jornada — porém, os momentos dele com Gina Weasley (Bonnie Weasley) são realmente deprimentes. Emma Watson e Rupert Grint, que há tempos entregam ótimas interpretações ao público, mostram ainda mais segurança e habilidade em suas performances. Os dois rendem momentos únicos para o longa. A inversão de papéis entre os dois é divertida e agradável — é legal ver Hermione, que sempre foi petulante por causa de sua sagacidade e esperteza, surpreendendo-se com as sacadas inteligentes de Ron. Não só isso, o próprio Ron desenvolve a maturidade que citei anteriormente de tal forma que suas atitudes tornam-se mesmo brilhantes e, não obstante, ele ainda consegue ter relances do cara cômico e estabanado de antes. A oscilação entre o heroísmo e o gracejo prova que Rupert Grint tornou-se um ator de mão cheia e tem muito potencial para ir além. Para completar, temos ainda uma cena importante entre Ron e Hermione que é simplesmente perfeita! ;-)

Harry Potter e as Relíquias da Morte

Os aspectos mais técnicos também merecem atenção especial… e David Yates, mais uma vez, merece aplausos. A direção é competente e não poupa esforços em explorar todos os pormenores da história. A habilidade de Yates é tamanha que sua direção consegue trabalhar em plena sincronia com o roteiro, a fotografia, a direção de arte, os efeitos especiais, a trilha sonora… tudo mesmo. A impressionante fuga de Gringotes (com um dragão de computação gráfica cheio de personalidade) e a guerra que toma conta de Hogwarts (com magia transbordando para todos os lados) são momentos nos quais este esmero torna-se bastante evidente. O visual, como já é recorrente na série, é de cair o queixo, especialmente quando reforçado pelo 3D. O recurso, ainda que tenha sido inserido posteriormente, é tão bem utilizado com nos filmes gravados originalmente no formato, talvez até melhor. A sensação de profundidade na supracitada fuga de Gringotes é admirável e em determinadas sequências da guerra em Hogwarts dá até impressão que os dementadores estão dentro da sala do cinema, prontos para confrontar a tristeza e o vazio por sabermos que tudo está chegando ao fim.

A emoção que vai tomando conta dos fãs à medida que o filme vai se aproximando de seus minutos finais é angustiante. O fato de o fim estar próximo, por si só, já é capaz de deixar qualquer um sensível, mas a carga emocional intrínseca na história leva as lágrimas. A quantidade de mortos em cena é inquietante, pois é muito triste ver personagens com que você conviveu durante mais de uma década caindo um a um em combate. As reações dos próprios personagens a estas mortes causam ainda mais pesar naqueles que as estão assistindo. Ou você chora, ou guarda toda esta emoção conflitante para si mesmo… mas é um fato que você vai ficar emotivo. As atuações, que como eu disse antes são soberbas, contribuem ainda mais com o peso emocional das cenas. Soma-se a isto a nostalgia. O filme é bastante nostálgico e faz uso de vários elementos apresentados ao longo da série para direcionar seus rumos — entrar na Câmara Secreta mais uma vez é prazeroso. Os fãs vão delirar, ovacionar, chorar… chorar muito (várias meninas do meu lado na premiere gritavam, soluçavam e debulhavam-se em lágrimas… e alguns meninos também!). E eu entendo perfeitamente esta sensação, porque eu também a estava sentindo. Eu estava feliz e triste com aquilo tudo. Mas, no final, eu me sentia enlevado… sentia aquele vazio de contentamento de quem acompanhou uma grande história até o fim! :-)

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 não é imune aos erros e problemas, mas consegue ser superior àquilo que poderia prejudicá-lo. Além disso, eu já assisti ao filme duas vezes, em duas circunstâncias diferentes e, na segunda vez, as falhas que eu percebi na primeira vez não me pareciam tão gritantes perante a grandiosidade do todo. Por exemplo, uma cena importante referente ao desfecho de Bellatrix Lestrange (Helena Bonham Carter) e outra envolvendo Hadrig (Robbie Coltrane), Harry e Neville (não vou dizer quais são as cenas, obviamente) pareceram muito fracas e enfadonhas na primeira vez em que assisti, mas na segunda, foram empolgantes. De fato, na primeira vez, eu olhei para o filme como um crítico; na segunda, olhei como um fã. E Harry Potter é um filme feito para os fãs… e como o fã que sou, é inevitável ter uma visão passional da coisa. Talvez seja por este conjunto da obra e por esta mistura de emoções, ações e reações que a saga do jovem bruxo tenha cativado tantos milhões de pessoas. Talvez seja por ter revivido um pouco da magia e da imaginação no mundo. Talvez simplesmente porque o último filme da saga é o melhor de todos. Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 concede à série um desfecho merecido e espetacular, digno de uma boa história de fantasia. O final é simplesmente ÉPICO!

No fim, Harry Potter foi um marco na história do cinema e da literatura.

Agora que tudo terminou, só me resta agradecer a todos os responsáveis por esta série e por tudo que ela proporcionou.

Obrigado pela EXPERIÊNCIA!

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