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Harry Potter: A Saga Cinematográfica

Harry Potter no cinema

A história, todo mundo conhece… a britânica Joanne Kathleen Rowling (ou simplesmente J.K. Rowling) um dia teve uma ideia, colocou no papel e criou uma das mais bem-sucedidas sagas de fantasia da atualidade. Harry Potter foi, sem dúvida, um marco para literatura, pois trouxe de volta a fantasia para a imaginação das pessoas, que pareciam estar esquecendo-se dela, e despertou em muitos jovens o saudável hábito de leitura. Antes e depois dela existiram e existirão muitos outros, mas J. K. Rowling fez história e marcou uma geração, isto é inegável.

O primeiro livro foi lançado em 1997, seguido por mais seis, que ganharam uma popularidade estrondosa em todo o mundo e migraram para inúmeras outras mídias, dentre elas o cinema. Eu nunca li os livros, apenas uma parte do primeiro, portanto, não tenho cacife para atestar sobre eles. Talvez, a única coisa que eu poderia afirmar pelo pouco que li é que a autora escreve bem. Todavia, acompanhei todos os filmes desde o primeiro e vi e revi várias vezes alguns deles (o canal TNT não cansa de reprisar). O último livro da série foi lançado em 2007, dez anos depois, mas a história do bruxo pré-destinado continuava nas telonas. Os sete livros deram origem a oito filmes, já que o último episódio foi dividido em duas partes. O ápice desta saga acontece agora, em 2011, com o lançamento o oitavo filme, quando tudo termina!

O momento é oportuno. Logo, por que não lembrarmos o que aconteceu antes?! Como eu disse, não li os livros, portanto, vou me ater apenas aos filmes… afinal, o motivo deste especial é justamente o final da saga no cinema.

Como todos sabem, Harry Potter é uma saga fantástica cuja narrativa se passa na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, onde um jovem bruxo precisa enfrentar não só os problemas comuns a sua idade e ao seu amadurecimento (físico, mental e mágico), mas também a terrível sombra de um inimigo que muitos acreditavam estar morto. Como uma boa fantasia, a aventura concentra-se no embate entre Harry Potter e Lord Voldemort; entretanto, a história vai além ao explorar temas como amor, amizade, preconceito, coragem, moralidade, vida e morte… tudo isso permeado por uma atmosfera mística fortemente inspirada em mitos da cultura britânica e contos de fadas. J. K. Rowling apropriou-se de muitas lendas e clichês do gênero, mas, do seu jeito, conseguiu criar uma universo único, cheio de pormenores e bastante interessante. Os conceitos são a magia de Harry Potter — as varinhas que representam a principal fonte de poder dos bruxos e que atuam como armas pessoais, como se fossem espadas ou pistolas, às vezes sacadas da manga como uma carta surpresa; a ideia da estação invisível 9 ¾ que leva à misteriosa escola que mais parece uma castelo mal-assombrado, com seus fantasmas transeuntes, suas câmaras secretas e seus quadros que estão em constante movimento; as criaturas mágicas, muitas adaptadas aos interesses do universo e outras apenas inventadas, como os macabros (porém, muito legais) dementadores; as horcruxes, que são nada mais do que filactérias para a alma, ou pedaços dela, de um lich (se você já jogou o RPG Dungeons & Dragons alguma vez na vida, sabe do que estou falando); os trouxas, incapazes de fazer magias e tementes à estranheza proveniente dela; os peculiares e, muitas vezes significativos, nomes dos personagens; entre outras várias ideias que tornaram Harry Potter algo tão legal.

Os livros, provavelmente (talvez, obviamente), exploram estes conceitos ainda mais do que os filmes, porém acredito que as produções cinematográficas foram eficientes em passar as ideias de J. K. Rowling para as telas. Eu, pelo menos, fui cativado por este universo e acompanhei fascinado o desenrolar da história que o tinha como pano de fundo ao longo destes oito filmes. Claro, houve altos e baixos, mas Harry Potter é o tipo de saga para a qual você olha como um todo: são sete livros, oito filmes e UMA história! Além disso, devo citar a grande sacada que é cada parte desta saga ter sido concebida como equivalente a um ano na vida do protagonista. Assim, o conteúdo amadurece à medida que Harry cresce… a história amadurece à medida que os leitores e espectadores crescem. A própria narrativa torna-se mais complexa, requintada, misteriosa e sombria. Você quer saber o que vai acontecer e como aquilo tudo vai terminar e isto é fantástico!

Mas, enfim, vamos aos filmes…

Harry Potter e a Pedra Filosofal

Harry Potter e a Pedra Filosofal (Harry Potter and the Philosopher’s Stone, 2001) marcou o início de um fenômeno, tornou-se uma das produções mais rentáveis do cinema e desencadeou uma revolução. Se os livros já eram um sucesso, os filmes colocariam Harry Potter no topo da mídia de todo mundo e foi o que aconteceu. J.K. Rowling tinha um best-seller em mãos e, apesar da resistência inicial, decidiu permitir o ingresso do bruxinho na telona, algo que tornou a franquia ainda mais acessível ao grande público (leia-se “ganhou o mundo”). A trama, obviamente, teve suas adaptações e licenças poéticas para adaptar-se à linguagem cinematográfica, como acontece com qualquer adaptação de obra literária. O resultado foi um filme infantil, mas grandioso, que conseguiu apresentar aquele mundo fantástico de forma louvável nas telas. De fato, o primeiro longa, como o primeiro livro, era apenas um embrião do universo que seria trabalhado nas produções que viriam a seguir em caso de sucesso… e o sucesso veio, de forma avassaladora. Harry Potter marcou sua presença na história do cinema naquele momento e permitiu que sua saga partisse daquele início até este fim que se aproxima. O público e os fãs ganharam o raro direito de assistir ao desenrolar da história até o fim, como já tinham ou não apreciado na literatura.

Na trama, no seu aniversário de 11 anos, Harry é convidado a ingressar na Escola de Magia de Hogwarts. Lá, conhece Ron Weasley e Hermione Granger, que se tornam seus melhores amigos e seguem-no em uma busca pela misteriosa e desejada Pedra Filosofal. Porém, para consegui-la, eles precisam enfrentar bruxos perigosos, monstros de três cabeças, professores de índole duvidosa e a ameaça invisível do terrível bruxo das trevas cujo nome não deve ser pronunciado.

A atmosfera infantil supracitada era contrabalanceada pela qualidade técnica e pelo esmero com o que o filme tinha sido produzido. O longa trazia atores conceituados no elenco, figurinos e cenografia impressionantes, trilha sonora soberba e roteiro analisado de perto pela escritora, o que dava ainda mais crédito à adaptação. Obviamente, tinha suas falhas, especialmente pela direção fraca e apática de Chris Columbus, mas seus méritos eram inquestionáveis e demonstravam o cuidado em apresentar aquele mundo fantástico dos livros de forma palpável na tela. Não obstante, fomos apresentados aos atores mirins que se tornariam parte do imaginário popular a partir de então: Daniel RadCliffe, Rupert Grint e Emma Watson; atores que ainda estavam em estágio de formação, mas adequavam-se aos papéis que interpretavam como luva. Emma Watson, para mim, era a que demonstrava o maior potencial e ao longo da série mostrou-se a escolha mais acertada para encarnar Hermione, personagem que tem um lugar exclusivo no meu coração! :-)

Para completar, a primeira incursão da saga no cinema contava ainda com os nomes de Richard Harris, Maggie Smith, Robbie Coltrane, John Hurt e Alan Rickman no elenco e, na trilha sonora, o incomparável John Williams, com sua capacidade absurda para criar canções-tema que grudam na cabeça. Harry Potter e a Pedra Filosofal não era perfeito, mas conseguiu um feito elogiável e cravou uma cicatriz em forma de raio na mente de espectadores por todo o mundo.

Harry Potter e a Câmara Secreta

Harry Potter e a Câmara Secreta (Harry Potter and the Chamber of Secrets, 2002) trouxe Chris Columbus de volta à direção e provou ser um caso a parte na história das continuações no cinema. O segundo filme conseguiu o feito de ser melhor do que primeiro e evoluiu a história de acordo com a evolução de seu próprio personagem. Sim, porque, como citei anteriormente, acompanhamos em cada filme o crescimento e o amadurecimento de Harry Potter. De fato, amadurecimento é a palavra que define o segundo longa.

Nesta aventura, a Câmara Secreta é reaberta após décadas pelo Lord Voldemort e Harry precisa salvar Hogwarts da influência do bruxo das trevas disseminada através de um livro que contém parte de sua memória, de quando ainda era o estudante Tom Riddle. Aos poucos, somos apresentados ao jovem que Voldemort foi um dia e descobrimos que Harry é capaz de falar a temida língua das cobras e ouve estranhas vozes nas paredes. Harry consegue entrar na câmara junto com o professor Lockhart, interpretado por Kenneth Branagh, e, depois de vários acontecimentos inesperados, ele consegue derrotar o monstro Basilisco e salvar Gina Weasley, interpretada por Bonnie Wright, da morte. O filme expandiu o universo trazendo carros voadores, árvores lutadoras e o estranho elfo Dobby. Porém, Harry Potter e a Câmara Secreta foi também a despedida do ator Richard Harris, que morreu aos 72 anos, poucas semanas antes da estreia.

A trama era mais precisa e coesa, mas ainda carregava as falhas do primeiro, evidenciando as limitações de seu diretor. O filme era mais focado nos fantásticos efeitos especiais e nas empolgantes cenas de ação — o Quadribol era ainda mais espetacular! Além disso, acrescentava algum suspense e mistério à série na tentativa de adotar um tom mais investigativo, embora algumas explicações não fossem tão bem amarradas. Harry Potter e a Câmara Secreta era muito bom, mas ainda não tinha alcançado todo o potencial da série, apenas abriu caminho para o que viria a seguir.

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, 2004) amadureceu ainda mais a série e aproximou um pouco a fantasia da realidade. De fato, foi um ótimo filme, ainda que o roteiro tenha resultado numa colcha de retalhos, com sequências mal amarradas e explicações forçadas para certas situações. Contudo, a qualidade veio com a entrada do diretor Alfonso Cuarón, que mostrou mais ousadia na direção do filme — ousadia, aliás, condizente com o clima de adolescência que já pairava sobre os personagens. A história começou aqui a fugir do maniqueísmo, expressando tons de cinza que eram, inclusive, evidenciados pelo cenário. O terceiro longa trouxe uma atmosfera mais sombria para série, que se tornaria ainda mais escura nos filmes posteriores.

Harry, Ron e Hermione são jogados neste clima hostil com mais sobriedade e os atores, embora ainda esbanjassem inexperiência, começavam a sobressair com suas atuações e pareciam mais soltos em cena. Para aumentar a tensão, foi introduzida a terrível Azkaban, uma prisão de magos vigiada pelos perigosos dementadores, criaturas que se alimentam da alma dos prisioneiros. Aliás, a adição dos dementadores a história dava um clima ainda mais terrificante… e eles são maneiríssimos! O problema começa quando Sirius Black, que todos acreditam ser o herdeiro do senhor das trevas, consegue escapar de Azkaban e vem para Hogwarts supostamente atrás de Harry Potter. Os dementadores tornam-se presenças indesejadas na escola e mostram-se bastante interessados em Harry por motivos desconhecidos. Todavia, descobrimos que Sirius Black é, na verdade, protetor do jovem bruxo e que foi condenado a prisão injustamente. Neste filme, o elenco foi reforçado com a presença de Gary Oldman que, apesar das poucas cenas, conseguiu exibir com talento as características necessárias para tornar seu Sirius Black um dos mais interessantes personagens da franquia — uma pena que ele acabou tão apagado na série depois deste longa. Outras adições de destaque eram: David Thewlis, que aparecia bastante convincente como o professor/lobisomem Lupin, e Michael Gambom, que substituiu de forma quase imperceptível o então falecido Richard Harris como o diretor Dumbledore. Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban provou o poder e a qualidade da série no cinema e definiu os rumos que a história tomaria a partir de então.

Harry Potter e o Cálice de Fogo

Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, 2005) chegou como um arrasa-quarteirão, esfregando uma verdade na cara do público: a partir dali, tudo mudaria. E mudou. Poucas séries cinematográficas conseguem se sustentar até o quarto filme, menos ainda são as que conseguem melhorar… e Harry Potter ostentava este privilégio. Nesta continuação, a história atingiu o ápice da maturidade, agora conduzida pelas mãos habilidosas do diretor Mike Newell, que conseguiu captar toda a essência da trama e inseriu com sabedoria os elementos condizentes àquele momento da história. O filme foi um acerto atrás de outro. Newell aprofundou nas personalidades dos personagens e explorou sem hesitação as emoções turbulentas dos personagens, que, aqui, já vivenciam os conflitos inerentes à adolescência. O problema era que, além de lidar com as incertezas da puberdade, os estudantes de Hogwarts se viam envolvidos num torneio perigoso, onde precisavam enfrentar dragões, mergulhar em um lago obscuro, atravessar labirintos e lutar por suas vidas. A trama tornou-se ainda mais madura e sombria com a inserção de um elemento mais denso, até então pouco explorado: a morte. O quarto filme começou a matança de personagens que só faria aumentar com a evolução da história. Devido a isso, o drama era mais intenso, algo que fez a série crescer ainda mais.

Aqui, o Torneio Tribruxo reúne as três maiores escolas de magia para uma disputa que envolve provas extremamente difíceis de serem superadas. Para o evento, três campeões (vividos por Stanislav Ianevski, Robert Pattison e Clemence Poesy) são escolhidos pelo Cálice de Fogo, porém, misteriosamente, Harry Poter também escolhido, embora não tenha idade suficiente para participar. O torneio era uma diversão a parte no filme e garantia cenas de ação alucinantes. Somava-se a isso a importante e forte sensação de confronto iminente que pairava sobre o filme. Todas as engrenagens eram movidas com inteligência pelo Lord Voldemort e tornavam o suspense ainda mais angustiante. E o roteiro conseguia amarrar de forma eficiente todas as pontas soltas. Tudo era ainda apimentado pela constante tensão sexual que exultava por todo o lado nos alunos e alunas das escolas. Para completar, o grande nome da série surgiu, enfim, neste longa: Ralph Fiennes. O ator inglês encarnou o Lord Voldemort em sua primeira aparição e mostrou a diferença que um bom ator é capaz de fazer. Com técnica e refinamento, o maior antagonista da história nos foi apresentado com magnitude, dotado de uma crueldade fria perfeitamente condizente com um ser das trevas tomado pela insanidade. Harry Potter e o Cálice de Fogo foi um divisor de águas na série. Aqui, a iniciação acabou e abriu caminho para um terreno cheio de dementadores e dragões!

Harry Potter e a Ordem da Fênix

Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Order of the Phoenix, 2007) veio com uma reviravolta na narrativa: desta vez, o nosso herói parava de fugir e se esconder e partia para a ofensiva. Harry Potter tornava-se um homem e começava a arcar com as responsabilidades de uma guerra que estava prestes a eclodir e na qual ele próprio era a figura central. Com um roteiro mais sóbrio e enxuto, dispensando sub-tramas desnecessárias, o quinto filme conseguiu inovar. Os arcos eram conduzidos com parcimônia e as relações destrinchadas minuciosamente para se adequarem ao enredo de forma harmoniosa e sem exageros ou momentos de pura embromação; até mesmo no uso dos efeitos especiais o longa era imponente e deslumbrante.

Aqui, Harry Potter enfrenta a descrença da sociedade dos bruxos com relação ao retorno do Lord Voldemort. Uma nova professora chega para intervir na escola e acaba perseguindo os demais professores e castigando os alunos, ganhando poder a cada novo decreto ministerial. Harry está disposto a preparar seus colegas para tudo o que esta por vir, treinando-os secretamente em feitiços de combate. Sirius Black retorna aliado a outros bruxos, formando a Ordem da Fênix, cujo objetivo é ajudar Harry a defender-se das investidas do senhor das trevas.
O novo diretor, David Yates, trabalhou em cima dos acertos de Mike Newell no longa anterior e melhorou ainda mais o enredo, entregando este que foi o melhor filme dentre os seis primeiros. Desde o início, esta qualidade se fazia presente e só aumentava à medida que os fatos se desenrolavam. O quinto filme carregava um visual de excelência invejável, em todos os sentidos, tanto na arte e fotografia quanto nos planos e enquadramentos de câmera. As diferenças tornavam-se rapidamente evidentes, mostrando que Harry Potter e a Ordem da Fênix tinha o objetivo claro de fundamentar um novo padrão para a série. Não obstante, Yates conseguiu extrair dos atores, especialmente os mais jovens, o melhor de sua capacidade cênica. Daniel Radcliffe continuava apenas mediano em sua atuação, mas, desta vez, conseguiu criar empatia com o público. A maturidade, no entanto, era mais evidente em Rupert Grint e Emma Watson (e ela estava cada vez mais linda!). Neste filme também fomos apresentados à gracinha Evanna Lynch, que entrou em cena como a maluquinha (e adorável) Luna Lovegood. Porém, o show ficou mesmo por conta de Imelda Staunton, cuja performance como a professora Umbridge foi simplesmente sensacional. Para completar tínhamos ainda as atuações firmes de figuras já marcadas na série, como Maggie Smith e Alan Rickman — este último, aliás, provando porque Severus Snape é um dos personagens mais legais da franquia. E não posso me esquecer do acréscimo da sempre fenomenal Helena Bonham Carter, como Bellatrix Lestrange (sou muito fã desta mulher!).

Harry Potter e a Ordem da Fênix tinha dinamismo e sagacidade e, mesmo com erros aqui e ali, era um acerto fantástico. Visualmente, foi o mais impressionante e ainda detinha apuro técnico e pura capacidade de entretenimento. Por fim, aprofundou elementos narrativos que já vinham sendo trabalhados nas produções anteriores, como a densidade dramática e o clima sombrio, firmando a série como um épico no cinema.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Harry Potter e o Enigma do Príncipe (Harry Potter and the Half-Blood Prince, 2009) foi um paradoxo, pois causava desgosto e empolgação. Lembro de sair do cinema sem saber se tinha gostado ou não do filme. O longa era confuso e pouco coeso, com muitos detalhes deixados em aberto, sem grandes explicações. Eu sempre soube, pois as pessoas que tinham lido os livros me diziam, que os filmes cortavam muitas coisas da obra original e se sustentavam principalmente na ideia de que o universo de Harry Potter já era amplamente conhecido pelo público. Nunca tive problemas com isso, mas no sexto filme, os produtores pareciam ter pesado a mão nos cortes, pois às vezes a falta de sentido no roteiro irritava. Para mim, Harry Potter e o Enigma do Príncipe foi o filme mais fraco de toda a série, mas, ainda assim, foi um bom filme, que carregava seus méritos.

Na trama, a ameaça invisível de Lord Voldemort era cada vez mais palpável e começava a ameaçar também o mundo dos trouxas. A batalha final se aproximava e o clima de tensão se fazia presente ao longo de todo o desenrolar da história. Harry e a Ordem da Fênix continuavam tentando reunir informações sobre o inimigo e, aos poucos, desvendavam o misterioso passado de Tom Riddle, o estudante que se tornou o bruxo das trevas. Do outro lado, no entanto, os inimigos preparavam-se para o ataque e depositavam seus esforços num emissário proveniente da própria Hogwarts, Draco Malfoy, interpretado por Tom Felton. Os embates entre as forças de Harry e Voldemort seguiam até o clímax, algo que já era aguardado para os fãs, mas que para os espectadores seria uma grande surpresa. Porém, mais uma vez, a narrativa sustentou-se no conhecimento prévio dos fatos. O desfecho ficou muito corrido e não causou, pelo menos em mim, o impacto que acredito que deveria ter causado. De fato, o sexto longa foi o mais denso e emocional de toda a série e a forma como a turbulência de emoções foi desenvolvida ao longo da história foi realmente soberba, o problema ficou só por conta do final mesmo, que, perante a profundidade explorada na trama, acabou sendo muito apressado e apático, quando precisava de mais audácia. Todavia, a série não estava abalada porque o longa cumpriu bem o seu papel de preparar o público para o espetáculo final que estava por vir. No fim, a integração com o restante da saga deu ao filme ares de perfeição. Além disso, sempre levei em conta um detalhe importante: Harry Potter e o Enigma do Príncipe era apenas o começo do fim!

Agora, a expectativa aumenta, pois o fim bate a porta, com o lançamento de Harry Potter e as Relíquias da Morte (Harry Potter and the Deathly Hallows, 2010/2011). Apesar da história ter sido dividida em duas partes no cinema, ainda constitui um único arco, portanto, paro por aqui e deixou o final em aberto, assim como foi feito no sexto filme, para o próximo especial, quando escreverei sobre o final como um todo: Parte 1 e Parte 2.

Nesta semana, tudo termina nos cinemas!

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