Cinema

Os Pinguins do Papai

Os Pinguins do Papai

Os Pinguins do Papai (Mr. Popper’s Penguins, 2011) é um filme que pode ser definido de forma bastante simples: O Mentiroso (1997) encontra Happy Feet (2006). O novo longa estralado por Jim Carrey é basicamente a história já contada em O Mentiroso, que também tem o ator como protagonista, mas com pinguins no lugar do desejo mágico de aniversário. Tudo está lá: o pai frio que vai reencontrar seus valores familiares por causa de circunstâncias anormais, a relação indefinida que ainda pode ter salvação com a ex-esposa, crianças tristes pela ausência paterna, redenção etc. A trama é extremamente previsível e, nos quinze primeiros minutos de fita, você já previu tudo o que vai acontecer até o final. Todavia, existem diferenças entre os dois longas: O Mentiroso é mais engraçado, enquanto Os Pinguins do Papai é mais emotivo.

A história, adaptada do livro infantil Mr. Popper’s Penguins (1938), escrito por Richard e Florence Atwater, acompanha a jornada de redenção do Sr. Popper, um homem ambicioso e frio que vê sua vida do avesso e reencontra valores familiares graças a seis pinguins que recebe como herança de seu pai. Por causa dos pinguins, ele recebe a chance de se reaproximar de sua família: sua ex-mulher Amanda (Carla Gugino) e seus filhos Janie (Madeline Carroll) e Billy (o carismático Maxwell Perry Cotton).

O filme dirigido por Mark Waters, conhecido por Sexta-feira Muito Louca (2003), Meninas Malvadas (2004) e E Se Fosse Verdade… (2005), aproveita pouco do homólogo literário e modifica bastante o personagem principal, que no livro é um pintor de casas e aqui é um magnata imobiliário. Os conflitos familiares são inseridos para tornar a história mais família, pois fica claro que este é o objetivo principal do longa: levar pais e crianças ao cinema. Porém, o roteiro parece ser conduzido de forma preguiçosa pelo diretor e peca por alguns momentos desnecessários de pura escatologia: as piadas sobre peido e cocô de pinguim são exageradas e irritantes. O grande chamariz do filme é mesmo Jim Carrey. O ator está mais amadurecido em sua forma de fazer humor. Ele ainda faz uma ou outra careta, mas suas piadas são sustentadas principalmente por seus trejeitos corporais. Duas sequências são realmente impagáveis: a piada com a garrafa de champagne e a cena de câmera lenta. Além disso, eventualmente Carrey é ajudado pelo roteiro com alguma piada visual que dá certo. A grande ajuda, no entanto, vem mesmo dos pinguins, que revezam em cena entre animais reais e produzidos com computação gráfica. Neste ponto, a qualidade da produção é tamanha que fica difícil distinguir quando os pinguins são reais e quando são animações. A interação do ator com os pinguins rendem momentos tocantes e, como disse antes, são estragados somente por algumas piadas escatológicas. Uma sacada interessante é a comparação entre os pinguins e Charles Chaplin e a influência que o famoso ator do cinema mudo tem no filme. Outro destaque é a secretária do Sr. Popper, Pippi (Ophelia Lovibond), que é realmente divertida.

Os Pinguins do Papai não vai muito além; é um filme mediano, sem grandes pretensões, mas que cumpre bem o seu papel de levar pais e filhos ao cinema para curtir um momento em família. Na verdade, o comovente está nestas questões sobre a família: em como, ironicamente, um homem empalidecido pela frieza da vida é acalentado por animais que vieram do frio; e em como, por causa destes animais, este mesmo homem reavalia as coisas realmente importantes da sua vida. Além disso, ainda que os adultos estranhem as piadas escatológicas, as crianças provavelmente vão adorar. Os Pinguins do Papai não tenta reinventar a roda, apenas tenta ser agradável e bonitinho… e até certo ponto, consegue.

Nível Heroico



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