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Carros 2

Carros 2

Carros (2006) é talvez a animação da Pixar que menos atenção teve no cinema, mas é inegavelmente divertida e atraente. Com Carros 2 (Cars 2, 2011), a Pixar pisou no acelerador da criatividade e atingiu a linha de chegada com um filme inesperadamente superior. A sequência é tão divertida quanto o original, mas traz elementos novos, reviravoltas mirabolantes e questionamentos comuns aos dias atuais, sem, no entanto, perder a graciosidade. O segundo melhora seu antecessor ao acrescentar à trama intrigas internacionais, espionagem e mais trocadilhos sobre automóveis.

Como já mostrou com Toy Story 3 (2010), a Pixar não arrisca uma sequência sem uma boa história por trás e algum propósito artístico. Aliás, falando em Toy Story, como já é de praxe, um curta-metragem exibido antes do filme conta uma inusitada história em que Woody, Buzz e seus amigos tentam ajudar Ken e Barbie a engrenarem de vez seu relacionamento — é realmente hilário. Depois do curta, somos apresentados ao expandido universo de Carros (e põe expansão nisto). Com a premissa de fazer um filme além das fronteiras, como normalmente são os filmes de espiões, somos levados para diversos países do mundo, onde conhecemos o mundo sobre a visão de Carros. Tudo no mundo é visto sob a ótica dos automóveis e até de outros veículos e mostrado com uma riqueza visual e estética impressionante. Realmente, um show de criatividade.

Na trama, o superastro das corridas Relâmpago McQueen e o impagável carro-guincho Mate continuam os melhores amigos de sempre e, desta vez, viajam a outros países para a disputa do primeiro Grand Prix Mundial, que determinará quem é o carro mais veloz do planeta. Porém, enquanto Relâmpago enfrenta seu mais novo rival, o carro italiano Francesco Bernoulli, Mate se envolve noutra aventura com dois carros espiões. O guincho acaba dividido entre ajudar seu amigo a vencer a corrida e evitar a ameaça de um terrível vilão que pretende transformar em sucata todos os competidores do Grand Prix.

Em 2006, com Carros, o diretor John Lasseter conseguiu criar uma atmosfera que evocava as grandes corridas de carros, com um mundo de pistas abertas e pit stops habitado por carros antropomórficos. Desta vez, Lasseter avança estrada afora com um thriller de ação e mistério que é conduzido com agilidade e segurança. O resultado é, até certo ponto, convencional e recheado de clichês, mas também demonstra um empenho pessoal em garantir a genuína diversão que filmes de carros, como Velozes e Furiosos (2001), e de espionagem, como 007 (1962), são capazes de promover. Ao espectador cabe apenas sentar no banco do carona e desfrutar o passeio.

A mudança de atmosfera já fica clara na brilhante sequência inicial, na qual somos apresentados ao carro-espião britânico (e de bigodinho) Finn McMíssil e suas peripécias para escapar do carro-cientista com monóculo (o ápice do estereótipo… no bom sentido) Professor Z. Neste início já tomamos noção do que está por vir, com uma perseguição delirante e inventiva que deixa muita sequência de filme de ação por aí no chinelo. Depois, a história dá uma desacelerada para reintroduzir os protagonistas já conhecidos do público e mostrar como eles levam a vida hoje. Neste ponto, a bonita amizade entre Relâmpago e Mate conduz a trama, sempre acompanhada de bastante humor. A partir da metade, a ação volta com tudo e segue assim até o final.

Na verdade, Carros 2 foca no guincho Mate. Aqui, Relâmpago McQueen, que foi o personagem principal do primeiro longa, aparece mais como um coadjuvante de luxo, papel que antes cabia a Mate. Relâmpago é basicamente a motivação para toda a aventura vivida por Mate. Ele decide levar o amigo consigo para o Grand Prix e coloca um carro enferrujado e caipira como um peixe fora d’água num mundo que ele desconhece. As cenas de Mate rendem risos incontroláveis e quando você percebe já está pensando que Mate é o tipo de amigo que qualquer um gostaria de ter. Assim como no original, o tema da amizade entre pessoas diferentes é bastante abordado e até mesmo expandido — o momento em que Mate fala sobre seus amassados é realmente comovente. Além disso, aos poucos Mate torna-se um exemplo de superação ao mudar de um carro ingênuo e vítima de chacotas para um herói decidido e corajoso.

O enredo sobre conspirações e espiões é inserido para tratar de um tema mais político e que está em voga atualmente: as questões sobre combustível fóssil e uso de energia sustentável. Devo dizer que a forma como estes assuntos são inseridos no roteiro funciona satisfatoriamente, porém pode ser que as crianças não consigam acompanhar a trama intrincada e a virada final, que é repleta de explicações.

Apesar desta complexidade e de um ou outro deslize, a animação da Pixar mantém o padrão de qualidade comum às produções do estúdio. Os personagens dão um show de amizade, carisma e humor; o visual e os detalhes técnicos são impecáveis, uma experiência que torna-se ainda melhor quando vista em 3D; e a história é criativa e proporciona boas risadas. Carros 2 é sofisticado, veloz, apaixonante e engraçado; e mesmo com tantas mensagens e lições, consegue manter seu objetivo primordial: entreter.

Nível Exemplar



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