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Mamonas Para Sempre!

Mamonas Para Sempre!

Mamonas Assassinas foi uma banda de rock escrachado que revolucionou o cenário da música nos anos 90 por sua irreverência e sua ousadia. Mesmo quem não se empolgou com eles, reconhece o valor que eles agregaram às vidas de crianças e adultos. O documentário Mamonas Para Sempre!, embora produzido em 2009, tinha encontrado espaço apenas em festivais no Brasil e em Portugal; somente agora, em 2011, a produção aporta no circuito principal dos cinemas brasileiros para apresentar um resgate da história desta banda que teve uma carreira meteórica e marcou para sempre o coração dos brasileiros.

O documentário narra a ascensão da banda que, em menos de dez meses, saiu do anonimato e se tornou um dos maiores fenômenos da música brasileira, com mais 3 milhões de cópias vendidas do único disco que gravaram. Formada pelos divertidos Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec e os irmãos Samuel e Sérgio Reoli, os Mamonas fizeram shows por todo o país e apareceram em todos os programas de rádio e TV importantes da época. Crianças, adultos e idosos cantavam suas músicas hilariantes e despudoradas e imitavam as insanidades dos músicos, que a cada apresentação inovavam na criatividade e nas loucuras com suas fantasias e atitudes. Mesmo depois de 15 anos do acidente aéreo que tirou a banda para sempre dos palcos, a banda ainda mantém uma legião de fãs.

O diretor Cláudio Kahns montou o documentário a partir de imagens de arquivo pessoal da banda e depoimentos de familiares e profissionais que trabalharam com eles. O longa não se aprofunda em questões críticas relativas às músicas da banda e não acrescenta informações além das já exaustivamente conhecidas pela cultura popular. O documentário mostra, principalmente, como eram os Mamonas Assassinas por trás das câmeras e, sobretudo, mostra que aqueles despirocados que víamos no palco eram exatamente assim na vida. Eles chegaram ao topo sendo eles mesmos, vivendo sua vida com bom humor e determinação. O filme sustenta-se basicamente neste carisma esbanjando incessantemente pelos membros da banda. Em certo ponto, cada músico é destrinchado um a um, nos dando uma ideia de como cada um era individualmente. Porém, separados ou em grupo, eles eram surrealmente divertidos, especialmente o vocalista Dinho, que parecia eternamente ligado numa bateria. O festival de piadas e besteirol é tamanho que, assim como era com a banda em seus tempos de sucesso, ou você ama ou odeia. A força do documentário deve-se mais a este humor desenfreado do que aos seus méritos técnicos ou cinematográficos. Na verdade, Mamonas Para Sempre! é quase como um especial para a TV bem feito, como um que foi exibido em 2008 pela Rede Globo, mas é inegável que como entretenimento, homenagem e resgate histórico, a produção cumpre bem o seu papel.

Como acréscimo importante e pouco explorado da história dos artistas, o filme fornece mais material sobre o início de sua carreira, quando eles ainda se chamavam Utopia e faziam sucesso (?) apenas no bairro onde moravam. O documentário vai apresentando a trajetória através de entrevistas, cenas de arquivo e trechos de shows de forma bastante didática e organizada, sem enrolações ou exageros. Há de se dar crédito ao diretor por não tentar ir além daquilo a que se propõe. Cláudio Kahns não tenta se levar a sério demais e, talvez por isto, consiga captar toda a essência da história dos Mamonas Assassinas. O ponto alto é o clímax do documentário, quando são mostrados trechos do dia em que a banda foi chamada para tocar no palco de sua cidade natal, onde cinco anos antes tinham sido sumariamente maltratados e recusados. Antes da apresentação como Mamonas Assassinas, os músicos subiram no palco para tocar como Utopia, sem qualquer fantasia ou irreverência. Então, Dinho pega o microfone e desabafa todo rancor pela forma como foram preteridos antes e pela forma como depois foram ovacionados, seguido pelo contentamento genuíno por não terem desistido apesar dos percalços e terem chegado até aquele momento. Dinho faz um discurso contagiante e inspirador, capaz de deixar o público do cinema com uma sensação de exaltação e auto-estima, assim como o público do estádio deve ter se sentido na época. Um clímax emocionante, sem dúvida.

Infelizmente, apesar da alegria, Mamonas Para Sempre! é um filme triste de se ver. O fato é que todos nós sabemos como a história termina e não tem um final feliz. O acidente é apenas superficialmente explorado nos momentos finais, sem grande alarde. Porém, alguns desabafos apresentados, como o da namorada de Dinho, são realmente tristes e até mesmo perturbadores — e o mais triste é saber que o que é falado é mais pura verdade, pois quem viveu naquela época acompanhou o drama.

Enfim, a trajetória de vitória da banda não enaltece somente pelo sucesso, mas por eles terem lutado por sonhos para chegar a este sucesso. Os Mamonas Assassinas levaram humor à vida das pessoas e deram uma lição de vida para ser lembrada. Músicas como Vira-Vira, Pelados em Santos, Robocop Gay, 1406, entre outras estão até hoje na memória do povo brasileiro. O valor do documentário está nesta relembrança dos bons momentos. Os fãs (como eu) agradecem.

PS: No final do documentário, uma mensagem deixa claro que um filme de ficção sobre a carreira dos Mamonas Assassinas vem aí, assim como foi feito com Cazuza em 2004.

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