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X-Men: Primeira Classe

X-Men: Primeira Classe

X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class, 2011) realmente surpreendeu! Depois de X-Men 3 (2006) e Wolverine (2009), não havia qualquer expectativa para este filme, apenas que seria mais um fiasco para a carreira dos mutantes no cinema. Afinal, como se recuperar de um sequência sem brilho e uma prequela terrível?! O diretor Matthew Vaughn, conhecido por seu exímio trabalho em Kick-Ass (2010), viajou para o passado e ignorou aquilo que não funcionou antes para criar uma história de origem que consegue atingir todos os requisitos em termos de personagem, poderes, história, emoção e entretenimento. Com uma narrativa que incorpora eventos do mundo real em um mundo fictício, o filme garante um novo fôlego à franquia e restabelece sua força perante as adaptações de quadrinhos cada vez mais bem-sucedidas no cinema atual. X-Men não é só um filme muito bom… é MELHOR do que os anteriores. Com uma ascensão empolgante, os mutantes estão de volta!

Para mostrar de cara a que veio, o longa começa com uma magnífica recriação das cenas que abrem o primeiro X-Men (2000), mostrando o jovem Erik Lehnsherr sendo arrancado de seus familiares por nazistas. A partir daí, somos apresentados à Sebastian Shaw (Kevin Bacon), um cientista que deseja descobrir a verdadeira capacidade do gene mutante e usa o jovem Erik como cobaia para seus experimentos. Após quase 20 anos, Erik Lehnsherr (interpretado agora por Michael Fassbender) tornou-se um adulto rancoroso e vingativo, que aperfeiçoou seus poderes magnéticos unicamente com o objetivo de matar Shaw. Noutra parte, o professor Charles Xavier (James McAvoy) e sua principal companheira Raven Darkholme (a belíssima e apaixonante Jennifer Lawrence), envolvem-se com o governo na tentativa de descobrir outros mutantes como eles e, talvez, reuni-los como uma equipe. Assim, são construídas, aos poucos, as histórias que dão origem aos X-Men e até mesmo trabalham a ameaça nuclear tão presente na época da Guerra Fria como uma possível causa para a existência dos mutantes.

O primeiro ato do longa transcorre de forma mais folgada e com diversas pontas soltas. Várias histórias são trabalhadas pelos roteiristas acerca de circunstâncias mais esporádicas e sem grandes ligações entre si. Porém, ao contrário do que praticamente afundou X-Men 3, o grande número de personagens e as relações entre eles são mantidas sob controle e jamais tornam-se insuportáveis ou vazias. Sua relevância para história é evidente a partir do segundo ato, quando os arcos convergem, as equipes são definidas e a ação começa a acontecer. Neste momento, X-Men: Primeira Classe nos apresenta todo o seu potencial.

A trama estabelece uma origem diferente dos quadrinhos e mais relacionada com os filmes anteriores. Aqui, Charles e Raven são bons amigos antes dela se tornar Mística, assim como Charles e Erik são bons amigos antes dele direcionar seu rancor para a raça humana e assumir o capacete de Magneto. Entretanto, Primeira Classe não é só eficiente em estabelecer as relações individuais, como também constrói os ideais por trás da difícil convivência entre humanos e mutantes e do medo mútuo gerado entre ambas as espécies. O longa discute questões como racismo, preconceito e aceitação de forma consistente e emocionante e condizente com a crítica social sempre comum às histórias dos mutantes nos quadrinhos.

Todas as faces deste conflito entre humanos e mutantes são analisadas e, embora um consenso nos diga quem está certo e quem está errado, quem é bom e quem é mau, não há realmente nenhuma resposta definitiva sobre quaisquer destas questões. A tonalidade cinza com que cada personagem neste universo é construído, torna tudo ainda mais impressionante. Vaughn e sua equipe parecem ter consciência disto e elaboram sua saga de forma densa e realista. A inclusão da disputa entre Estados Unidos e Rússia na década de 60 aumenta ainda mais o peso do mundo real na trama.O cenário na Guerra Fria torna ainda mais dramático as questões de ser ou não ser mutante, se revelar ou não para o mundo e a intolerância e o preconceito inerente ao ser humano incapaz de entender aquilo que não conhece.A estética e a caracterização sessentista têm uma implicação soberba na dinâmica da história.

O elenco contribui bastante com esta qualidade. Jennifer Lawrence é a que se sai melhor. Ela oferece tanta profundidade e carisma a sua Raven Darkholme que nos pegamos apaixonados por ela, mesmo em sua forma azulada, que esbanja uma maquiagem que parece ter sido projetada para causar estranheza e enaltecer a questão de ser diferente dos outros. Lawrence nos entrega a melhor representação da Mística até agora no cinema! Besta, Havok, Banshee e uma série de outros personagens reconhecidos dos quadrinhos preenchem um elenco verdadeiramente acertado. Contudo, duas coisas deixam a desejar. Primeiro, mais uma vez erraram a mão na Emma Frost; a atriz January Jones é uma mulher bonita (e peituda), mas é muito insossa. Cá entre nós, a Rainha Branca nos quadrinhos é a maior gostosa e faltou uma bunda ali na atriz. Outra coisa, foi terem substituído o Anjo por uma “Anja” com asas de fada que é extremamente sem graça. Aliás, é importante ressaltar como os longas anteriores são considerados como parte inerente do universo desta prequela, vide uma participação extremamente badass motherfucker que surge no meio do filme e leva os fãs ao delírio por alguns meros segundos (quem viu, sabe do que estou falando!). Esta agradável participação especial de “primeira classe”, em uma linha de diálogo, estabelece porque o personagem é o melhor e mais querido de toda a franquia.

O relacionamento real aqui, no entanto, é entre Charles e Erik — McAvoy e Fassbender. Os atores estão ótimos e a interação entre os dois protagonistas é perfeita e síncrona. Eles se tornam amigos rapidamente, mas sua amizade nunca é questionada. A antiga amizade entre Patrick Stewart e Ian McKellen não era questionável, mas os atores de Primeira Classe conseguem expandir seus personagens num grau ainda maior, principalmente com as diferenças entre a impulsividade da juventude e a sabedoria que vem com a experiência. McAvoy entrega um excelente desempenho, mas o destaque mesmo fica por conta de Fassbender — que é a verdadeira estrela do filme. Seu Magneto tem uma intensidade, um realismo e uma sinceridade que nem mesmo McKellen conseguiu imprimir ao personagem.

A verdade é que, depois de X-Men: Primeira Classe, fica o desejo por mais. É impossível não querer que estes atores surjam mais uma vez nas telas para nos mostrar mais destes personagens e do que eles são capazes. Primeira Classe trouxe de volta a energia aos X-Men. Embora existam pequenas falhas, elas são ignoráveis perante o todo e não atrapalham o conjunto da obra… que é MAGNÍFICO! Os X-Men, enfim, voltaram a ser os FABULOSOS X-MEN!

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  • Murilo

    Pude assistir ontem, o filme é realmente muito bom !
    Achei muito engraçada a participação especial bad ass motherfucker, rsrs

  • Claudio

    Tiveram que estragar uma franquia inteira para fazer um filme bom, aliás excelente. O filme tem uma trama que só por ela já fez o filme ser muito bom e então com o trabalho dos personagens bem feito, cenas de ação na medida certa que não são jogadas no filme e sim conseguem fazer pensar que são necessárias a história, fazem esse filme ser um dos melhores do genero nos últimos anos.

    Muito bom filme e ainda bem que conseguiram reinventar a série.

    • http://www.nivelepico.com/ Alan Barcelos

      Parece que a Fox está aprendendo alguma coisa com os próprios erros. ;-)

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